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Um mundo em constante transformação, ritmado pelas novidades trazidas pelas últimas tecnologias, mídias, produtos e serviços, exige que repensemos os rumos de nosso modelo educacional. Afinal, se desejamos proporcionar um ensino de qualidade é preciso, antes de mais nada, identificar e investir nos novos paradigmas e necessidades de formação dos jovens. Mas quais são eles?


Para Sandra Garcia, diretora pedagógica da Mind Lab, um dos principais caminhos que a área aponta é o trabalho colaborativo. “Hoje, muitos produtos e serviços são lançados no mercado com a necessidade de receberem contribuições de usuários para um aprimoramento constante. Foi assim que ocorreu, por exemplo, com o Waze, aplicativo de gps que requer a interação dos usuários para proporcionar uma ótima experiência”, aponta.

Nesta perspectiva, a educação deve visar a colaboração entre escolas e famílias para que atuem juntos no processo de formação das crianças.

Uma forma interessante de fazer essa aproximação é por meio de jogos de raciocínio. “A situação lúdica aproxima as pessoas de maneira especial. O divertimento promovido pelo jogo facilita o “estar junto e fazer junto”, a troca de ideias, o protagonismo no pensar e no agir”, defende.

Outra tendência em educação é investir no desenvolvimento do senso crítico dos alunos. “O jovem de hoje, mais do que nunca, está atento às questões de educação, política, cultura, entre outros tantos temas que fazem parte da sociedade que os acerca. Com isso, é necessário que ele esteja preparado para ser envolvido no processo decisório e ter voz ativa em situações de interesse”, diz Sandra.

Para que essa participação se efetive, é necessário trabalhar o olhar crítico entre os alunos desde cedo. Assim, a educação cumprirá seu papel de formar cidadãos reflexivos e engajados, capazes de traçar o caminho para um planeta mais justo e sustentável.

Sandra também defende uma gestão baseada em evidências de avaliação como peça fundamental para compor o processo de ensino como algo que integra, e não que pune. “As evidências fazem com que os professores consigam entender o que está funcionando em termos de formato de ensino-aprendizagem e quais são os principais pontos de atenção na formação dos alunos”, diz.

Para a especialista, quando a escola trabalha analisando resultados, frequentemente, consegue fazer revisões rápidas no currículo e desenvolver uma capacitação focada em habilidades essenciais para o aprendizado dos alunos.

“Muitas escolas ainda não adotaram esse tipo de gestão devido à falta de recursos humanos para acompanhar de perto os diagnósticos. O ideal é ter um profissional com capacidades analíticas para entender a situação da escola e promover mudanças rapidamente para que os alunos não sejam prejudicados”.

Por último, aparece como um desafio cada vez mais presente para as escolas a necessidade de debruçar-se não só nos aspectos cognitivos do aluno, mas também em suas habilidades socioemocionais. O tema, inclusive, está entre os tópicos abordados no Relatório de monitoramento global da educação da UNESCO, de 2016.

“As habilidades e competências promovidas por uma educação geral e abrangente, tais como pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe, alfabetização efetiva e habilidades de comunicação e apresentação, provavelmente serão mais do que nunca valorizadas no mercado de trabalho”, diz.

Mesmo que o trabalho com as habilidades socioemocionais não esteja formalmente na grade curricular, as escolas podem adotar estratégias para adaptar esta demanda e capacitar seus alunos para o futuro, garantindo que adquiram essas capacidades necessárias para viver, conviver e trabalhar no século 21.