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Astronomia

Uma exclamação em coro costuma ser escutada quando as luzes se apagam no Planetário do Parque do Carmo revelando as infinitas estrelas que povoam a abóboda celeste.


Imersos na escuridão, as crianças veem surgir no firmamento as figuras do zodíaco e as constelações que elas representam. Dentro do traçado que forma um grande touro, chama a atenção um brilho intenso. São as Plêiades, também conhecidas como sete irmãs, um aglomerado de estrelas resplandecentes, explica o personagem de uma animação que guia os visitantes pela viagem interestelar.

Reaberto no dia 8 de maio após quase 10 anos fechado, o Planetário do Carmo tem capacidade para 230 pessoas e apresenta, por meio do encantamento e da linguagem didática, os principais elementos e fenômenos que compõe o universo, como as estrelas, os planetas, as galáxias, os satélites, as chuvas de meteoros, entre outros corpos celestes. Embalando as informações científicas, histórias da mitologia grega, curiosidades cotidianas, entre outros pontos que ajudam a aproximar o tema da realidade e interesse das crianças.

“A Astronomia é um tema complexo, abstrato, que exige muita observação. Então fazemos sessões que tentam despertar a sensibilidade, o encantamento pelos mistério do universo”, diz Monica Borba, diretora do Departamento de Educação Ambiental (DEA) e da Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ) da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. “Além disso, trata-se de uma oportunidade de observar algo que muitos deles desconhecem: o céu noturno de São Paulo sem a intervenção da poluição e de luzes artificiais”.

O Planetário do Carmo possui uma cúpula de 20 metros de altura e um projetor com 9 mil fibras óticas e 109 lentes, capaz de representar os corpos celestes com alto nível de brilho e precisão de detalhes. Seu design permite que a simulação de observação seja de qualquer latitude e longitude do planeta Terra. Uma animação acompanha toda a experiência, fazendo comentários e dando um aspecto mais lúdico para a visita, aconselhada para crianças com idade mínima de 5 anos.

Planetário do Carmo

“São informações que ajudam a criança a entender, por exemplo, os conceitos por trás do dia e da noite, as fases da lua, as estações do ano ou porque em determinada época é possível ver algumas estrelas e em outras não”, observa Monica. As dúvidas que surgem ao longo da apresentação são debatidas ao término da sessão num bate-papo com os professores-astrônomos do local.

Atrás do planetário, estão localizados dois telescópios para observação monitorada do céu e atividades ligadas à Astronomia. “Os cursos, palestras e observações monitoradas gratuitas que são dadas no Planetário do Parque do Ibirapuera irão também para Planetário do Carmo”, diz Monica.

A reabertura do espaço trouxe como novidade uma sala de leitura que funcionará como um ponto de trocas de livros. Os visitantes podem doar obras para o acervo da sala e levar para casa outras que desejam ler. “Como é um ambiente de tranquilidade, de contemplação, pensamos em criar esse espaço para estimular a leitura entre uma sessão e outra”, conta a diretora.

Para o público em geral, as visitas acontecem somente aos finais de semana e feriados, com sessões às 10h, 12h, 15h e 17h. É preciso chegar com, no mínimo, uma hora de antecedência para retirar as senhas e garantir lugar na apresentação. As visitas escolares, por sua vez, são organizadas durante a semana, nas quartas, quintas e sexta-feiras. O agendamento é via e-mail ([email protected].gov.br).

“É importante destacar que o planetário é um chamariz não só para a Astronomia, mas para aprofundar-se em outros conteúdos”, ressalta Monica. “É um conhecimento transversal que passa pela Geometria, Mitologia, Filosofia, Geografia, Física. Tem ali um mistério permanente a ser desvendado e é esse desconhecido que deixa as pessoas encantadas e com vontade de saber mais”.

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Jornalista formada pela PUC-SP e bacharel em Letras pela USP. Já trabalhou no site da revista Crescer e escreve sobre educação desde 2013.