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Com narrativas que celebram as diferenças, livros buscam uma infância livre de preconceitos

Quando a Boitempo Editorial lançou seu selo infantil Boitatá, no final do ano passado, um importante recado era dado a professores, pais e demais educadores. Trazendo como objeto temas que muitas vezes são alvos de polêmicas como gênero, classes sociais e política, o selo defendia que esses eram sim assuntos para as crianças.


Por trás dessa postura, a ideia de que os adultos costumam subestimar a inteligência dos pequenos leitores ao tentar “poupá-los” de qualquer questão que apresente maior grau de complexidade. Desde então, seis títulos foram publicados: A democracia pode ser assim, A ditadura é assim, As mulheres e os homens, O que são classes sociais? e, mais recentemente, em meados de julho, duas obras-primas da espanhola Olga de Dios: Monstro Rosa e Pássaro Amarelo.

Nas obras em questão, a autora e ilustradora consegue abordar de forma leve e lúdica, mas sem deixar de lado o apelo questionador, a rejeição, a diversidade sexual, a igualdade de gênero, o respeito ao meio ambiente e ao próximo, além da defesa do conhecimento como desencadeador de mudanças.

personagens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No premiado Monstro Rosa, o protagonista sente na pele o que é ser diferente dos demais. Em uma terra onde todos são brancos, pequenos e sérios, ele chama a atenção por ser grandalhão, cor-de-rosa e rir de qualquer bobagem. A criatura decide então sair pelo mundo em busca de um local de pertencimento e acha um onde às vezes faz sol, outras, chove e, de vez em quando, aparece até arco-íris. Um lugar onde todo mundo é, em algum aspecto, diferente e único e é justamente isso que o faz tão maravilhoso.

Também o herói de Pássaro Amarelo nasce distinto. Suas asas pequenas o impedem de voar, mas habilidoso e inteligente, ele logo inventa uma engenhoca para tal e consegue conhecer o mundo. Mais do que isso: ele compartilha sua descoberta com outros pássaros e animais em situação semelhante e impacta toda sua comunidade. De todos os locais que visita, um lhe parece mais acolhedor. Lá tem rã de três olhos e também um monstro cor-de-rosa muito simpático.

As possíveis interpretações para as narrativas são vastas. Do que elas tratam, afinal? De preconceito, bullying, homofobia, gordofobia, deficiências físicas, da importância do saber e seu compartilhamento? Todas as respostas se provam certas dependendo do direcionamento do nosso olhar para a obra ou, na nossa leitura íntima, dos motivos que nos fazem sentir um estranho no ninho e que vemos ali identificados e superados.

Em meio a um mercado volumoso e com tantas obras de qualidade questionável como é o da literatura infanto-juvenil, é preciso valorizar e dar espaço a títulos como esses, que celebram as diferenças, defendem a igualdade e combatem o preconceito junto às crianças.

81CgntxhQlL.SL720Monstro Rosa
Autor e ilustrador: Olga de Dios
Tradução: Thaisa Burani

 

 

d8fcf69f-caec-4400-8b56-044b34305630Pássaro Amarelo
Autor e ilustrador: Olga de Dios
Tradução: Thaisa Burani