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Plataforma
Plataforma reúne produções nacionais e internacionais com viés social e abordagens provocativas e inspiradoras

Espalhar histórias que merecem ser contadas para o maior número possível de pessoas, democratizando o acesso a filmes e documentários e consolidando o cinema como uma ferramenta de transformação social.


Eis a máxima da plataforma Videocamp, agregador de conteúdo audiovisual que reúne produções nacionais e internacionais com viés social e abordagens provocativas e inspiradoras.

A ferramenta é mais um fruto da fecunda parceria entre Instituto Alana e Maria Farinha Filmes, que já resultou em filmes como Criança, a Alma do Negócio (2008), Muito Além do Peso (2012) e Tarja Branca (2013).

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Além dos títulos já citados, o portal traz ainda Quem? Entre Muros e Pontes, documentário que retrata a história de um povo exilado no Saara Ocidental que sobrevive exclusivamente com o auxílio de ONGs, o filme Quando Sinto Que Já Sei sobre práticas educacionais inovadoras Brasil afora e Rio Pinheiros – Histórias e perspectivas, que aborda a drástica modificação do rio e seu entorno, entre outras produções sobre educação, inclusão social, meio ambiente e infância.

Carolina Pasquali, diretora de comunicação do Instituto Alana, conta que a ideia de criar a ferramenta surgiu da necessidade de pensar novos modelos de distribuição para as obras no País.

“Desde nosso primeiro filme, percebemos que o cinema tinha um potencial imenso para a transformação. O Criança, a Alma do Negócio rodou escolas, eventos, foi liberado para a internet, enfim, fez uma trajetória enorme e até hoje tem demanda de exibição”, conta. Com os lançamentos seguintes, a história não foi diferente.

A repercussão de Muito Além do Peso, filme que aborda a questão da obesidade infantil e sua relação com a sociedade de consumo, foi tamanha que inspirou a criação do prêmio Educação Além do Prato, da prefeitura de São Paulo, que incentiva melhores hábitos alimentares.

Entretanto, apesar de aclamados, os filmes titubeavam na hora de chegar ao público. O caminho tradicional de distribuição cinematográfica mostrava-se pouco eficaz para o material engajado que a parceria produzia.

“Hoje, no Brasil, quando você consegue lançar no cinema um documentário que não é mainstream e atinge 40, 50 mil espectadores já é considerado um sucesso absoluto. E, na verdade, esse alcance é pouco para o nosso tipo de filme”, explica Luana Lobo, sócia da Maria Farinha Filmes.

“Além disso, era difícil ver um filme com um propósito forte de engajamento, de impacto social, se sobressair neste cenário”, conta.

Da constatação, nasceu a ideia de desenvolver uma plataforma que conseguisse estabelecer uma ponte direta entre conteúdo e público, além de funcionar como um canal alternativo para a distribuição de cinema. “A ideia é que o Videocamp seja mais uma mídia dentro da estratégia de distribuição de cada produtora”, explica Luana.

Dentro da plataforma, o produtor pode inserir seu filme de diversas formas, já que os vídeos não ficam propriamente hospedados ali. “Tem filmes que já estão abertos na internet, então a gente redireciona o usuário para o YouTube, por exemplo. O site funciona como uma curadoria, faz esta organização para o espectador e, ao mesmo tempo, fortalece o canal onde este filme está hospedado”, explica Luana.

Para usar a ferramenta, basta criar uma conta de acesso gratuita que, automaticamente, gera um perfil para o usuário. A partir do histórico de cada um, a plataforma é capaz de indicar outros filmes, além de oferecer a possibilidade de ranquear, comentar e sugerir obras para outras pessoas.

“Você pode deixar uma crítica na página do filme, votar naquele que mais gostou, entre outras interações”, conta Carolina. Também é possível criar perfis específicos como, por exemplo, o de professor.

“Nesse caso, o internauta pode escrever na sua página como se fosse pequenos planos de aula ou como usou aquela exibição dentro de sala. Ao optar por deixar sua página pública, outros professores podem entrar e ver esta referência.”

Outra opção é a solicitação de filmes para exibições gratuitas públicas. Neste caso, o número mínimo de espectadores precisa ser de cinco pessoas.

“Um professor pode solicitar a exibição de um filme para a sua turma em sala de aula. Todo o procedimento é feito de maneira online. É só abrir uma página com o pedido, aceitar os termos de compromisso e agendar a exibição para que enviem o link”, explica Luana.

A plataforma está disponível em três línguas – português, espanhol e inglês – e inclui, dentro da página dedicada a cada filme, material extra para aprofundamento no tema como links externos, vídeos e textos.

“Hoje, vejo que está crescendo a demanda de pessoas que querem ver algo como um propósito. Que além de se divertir e se emocionar, querem aprender alguma coisa e se inspirar”, comemora Luana.