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“Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes”, define o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Mas são poucos os brasileiros que podem vivenciar essa experiência. De acordo com o relatório Museus em Números, perto de 79% dos municípios do País não possuem esse tipo de instituição. Além disso, dos 3.025 museus existentes, dois terços se concentram nas regiões Sul e Sudeste. Em outras palavras, visitar um museu é uma realidade restrita a uma pequena parcela da população do País.


De olho nesse déficit, o projeto Era Virtual Museus propôs um caminho diferente: levar às casas e salas de aula o ambiente e o acervo de museus e outros locais destinados à educação e à formação cultural. A plataforma interativa de visitação virtual hoje oferece mais de 20 destinos em 360 graus, entre eles o Museu Imperial (RJ), o Museu da Inconfidência (MG), a Casa da Ciência (RJ) e o Museu Victor Meirelles (SC).

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Nos passeios, o internauta pode decidir seu percurso e as salas que deseja visitar. Pode também olhar um objeto mais de perto e girá-lo, além de direcionar o olhar para os lados e até para o teto. “Os museus são espaços mágicos muito pouco explorados e ninguém tem interesse por aquilo que não conhece. Este é o nosso objetivo. O projeto proporciona ao visitante a experiência mais ‘real possível’, com uma interface que lembra um jogo de videogame”, explica Rodrigo Coelho, coordenador-geral do Era Virtual Museus.

As visitas são reforçadas por audioguias com informações sobre as peças e espaços em português, inglês, francês ou espanhol. Em algumas, a opção em libras também está disponível. “Os passeios quebram um pouco aquela visão antiquada que as pessoas têm do museu como lugar de contemplação e de conteúdo distante da realidade”, diz Coelho.

Uma das visitas recém-lançadas é a do Planetário do Rio de Janeiro, na qual é possível caminhar pelos espaços e experimentos como em um jogo em 3D. Pode-se fazer simulações em Marte e ver de perto os anéis e as formações gasosas de Saturno, além de conhecer o big-bang. “O visitante pode brincar com algumas experiências, como saber o seu peso em cada planeta”, conta Coelho. Os internautas também têm acesso às duas cúpulas em funcionamento na fundação, a Carl Sagan, de 23 metros de diâmetro, e a Galileu Galilei, com 12,5 metros. Ambas reproduzem com fidelidade o céu visto da Terra a olho nu em qualquer latitude ou época do ano.

Segundo Carla Sandim, coordenadora de produção, o projeto aposta na interatividade e na conveniência para formar público de museus. “Na era da internet, em que passamos a maior parte do tempo em frente a computadores, é uma estratégia de aproximação. Seja um menino, uma senhora que aprendeu a lidar com a máquina ou um trabalhador com um tempinho livre para navegar”, diz. O projeto também pode ser acessado via DVD, o que permite a visitação off-line para quem não têm acesso à internet.

O Era Virtual Museus pretende lançar visitas virtuais a cidades patrimônio da humanidade, nas quais o internauta poderá passear pelas ruas, igrejas, pontos turísticos e outros locais. Outra novidade serão as visitas virtuais aos Parques Nacionais, que visam a uma conscientização ecológica.

*Publicada originalmente em Carta na Escola