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Unidades de Conservação Ambiental

Quando a Wikipédia entrou no ar, em janeiro de 2001, uma nova forma de produzir, divulgar e consumir conhecimento se instaurava. De licença livre e escrita de forma colaborativa, a enciclopédia digital convidava voluntários de diferentes partes do mundo a criar e editar verbetes a partir das informações e experiências que possuíam sobre os temas, possibilitando o agrupamento de conteúdos não só diversificados, mas constantemente atualizados e acessíveis.


A partir daí, o modelo vem inspirando outras iniciativas que apostam na interatividade e velocidade da web como a maneira mais eficaz para a disseminação da informação. É o caso da plataforma Wikiparques, desenvolvida pela Associação O Eco, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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No ar desde abril, a ferramenta utiliza os mesmos princípios da “enciclopédia livre” para reunir e apresentar dados sobre as Unidades de Conservação Ambiental (UC) espalhadas pelo País. A partir de um cadastro gratuito no site, o usuário pode criar, editar e debater verbetes, além de inserir fotos, sobre os vários parques nacionais, reservas extrativistas, áreas de proteção ambiental e estações ecológicas, entre outras áreas naturais sob proteção legal.

A ideia para o projeto surgiu da máxima de que é preciso “conhecer para preservar”, conta Leide Takahashi, gerente de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário. “O objetivo dessa plataforma interativa é promover o interesse e aproximar a sociedade dos recursos naturais e de sua conservação. Para isso, o Wikiparques traz conteúdos, imagens e depoimentos, que ajudam a disseminar esses conhecimentos de uma maneira mais amigável, que foge daquela abordagem mais técnica que, geralmente, é desinteressante para o público leigo”, explica.

Atualmente, as unidades de conservação correspondem a uma área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados ou 17% do território brasileiro. Por definição, são áreas naturais passíveis de proteção por suas características especiais e biodiversidade, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção da lei.

“Apesar de corresponderem a uma área significativa do território nacional, as áreas protegidas ainda são pouco conhecidas pelos brasileiros. No Rio de Janeiro, por exemplo, poucas pessoas sabem que quando vão visitar o Cristo Redentor estão adentrando um parque nacional (Parque Nacional da Tijuca)”, conta Paulo André Vieira, editor de tecnologia da Associação O Eco e responsável pelo projeto.

De interface bastante simples, o cadastro ou edição dos verbetes é norteado por tópicos sugeridos pela própria ferramenta que podem ser preenchidos ou não, entre eles localização, bioma, clima, história, atrações, fauna e flora. “Por exemplo, existe um espaço onde a pessoa pode classificar o parque como estadual, federal, municipal ou particular. Em outro, pode-se indicar como chegar até ele, se é necessário pagar ingresso ou não”, explica Vieira. O internauta também tem a chance de fazer suas denúncias, apontando quais os principais problemas e ameaças encontrados no local ,  como caça ilegal ou ocupações irregulares.

Os conteúdos acrescentados não passam por qualquer espécie de moderação prévia. A proposta é que, conforme as pessoas vão lendo e editando os verbetes, estes dados sejam validados ou corrigidos. “Ou seja, os próprios usuários acabam moderando e melhorando essa informação na medida em que vão interagindo com o site”, comenta Vieira. Todo o conteúdo do Wikiparques está disponibilizado sob a licença da Creative Commons, que permite a reprodução livre, desde que mantida a mesma licença.

Até o momento, 156 unidades de conservação estão cadastradas na enciclopédia 
digital, que já contabiliza 440 usuários. Desde seu lançamento, mais de 3 mil edições foram feitas e 400 postadas. Além dos dados, um terceiro pilar sustenta a plataforma, os fóruns de discussão, onde os internautas podem debater diferentes aspectos envolvidos com a questão ambiental. Um dos fóruns, por exemplo, propõe a discussão dos principais programas e bandeiras ambientais defendidos pelos candidatos à Presidência.

Outras formas de participação também são estimuladas. Em setembro, o Wikiparques organizou seu primeiro concurso cultural, voltado para a escolha da melhor fotografia enviada para a plataforma. “A ideia é fazer mais concursos para poder divulgar o site e trazer uma participação mais ativa dos usuários. Acreditamos que ações como os concursos vão tornar a ferramenta ainda mais agradável e motivar os jovens e crianças a buscar informações e, quem sabe, visitar essas áreas”, diz Leide.

Entre os projetos futuros para o Wikiparques, está a possibilidade de os usuários incluírem mapas das áreas de conservação. “Além da disseminação do conhecimento sobre essas unidades, outra premissa da ferramenta é fortalecer o sistema nacional de preservação e temos a expectativa de que os visitantes possam contribuir com isso”, pondera Leide.

Para Vieira, o Wikiparques tem um potencial enorme para ser trabalhado em sala de aula, aliado ao ensino de disciplinas como Ciências, Geografia e Educação Ambiental. “As unidades de conservação brasileiras são muito importantes para nossa biodiversidade. Os professores podem utilizar o site para mostrar, por exemplo, que perto da casa dos alunos há áreas protegidas importantes e que eles podem ajudar a conservar esses locais com informação”, explica.

A plataforma pode também ser integrada às diversas tarefas pedagógicas. “Se os alunos fizerem excursão a um parque, posteriormente, podem entrar na enciclopédia e, coletivamente, melhorar o verbete daquele espaço. Isso os ajuda a não só conhecer e proteger o meio ambiente brasileiro, mas também a desenvolver essa questão do trabalho em grupo, de produzir e editar conteúdos”, defende.