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Helen é secretamente apaixonada pelo melhor amigo, Caio, que por sua vez só está interessado em perder a virgindade com a amiga para então sair com a menina mais popular da escola. Pedro passa a noite com Marina, mas deixa de lado a camisinha e passa a imaginar o que aconteceria se, de repente, virasse pai.


Ficcionais e sem papas na língua, as duas histórias fazem parte do projeto Dar Voz aos Jovens, promovido pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC). O objetivo é dar voz às vivências, expectativas, paixões, inspirações, dúvidas e temores expressos por adolescentes em idade escolar sobre a sexualidade.

O Dar Voz aos Jovens nasceu da percepção da vulnerabilidade dos jovens brasileiros que muitas vezes não têm acesso a informações ou espaço para discutir o tema em casa ou na escola. No caso das escolas, a despeito da legislação que estabelece a orientação sexual , existe um despreparo, constata Elza Berquó, coordenadora-geral do projeto. Elza lembra que, salvo exceções, a educação em sexualidade não faz parte da formação dos professores da Educação Básica: “Quando a informação chega à escola, nem sempre ela é livre de preconceitos”.

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Diante do cenário, o projeto realizou uma chamada pública nas redes sociais, convidando adolescentes de 14 a 19 anos, estudantes do Ensino Médio da rede pública da região metropolitana de São Paulo, a escrever sobre sexualidade e relacionamentos. A ideia era transformar os textos em narrativas audiovisuais, sempre com linguagem atual e próxima dos anseios dos adolescentes.  “Não era nosso objetivo dizer como as coisas devem ser feitas, mas sim provocá-los e levar essa provocação para os professores”, conta Elza.

Das 20 narrativas selecionadas, nasceram cinco curtas-metragens: um documentário sobre homossexualidade e quatro ficções sobre virgindade, violência sexual, gravidez na adolescência, amor e sexo. Os temas tratados nos filmes foram escolhidos entre os mais recorrentes nos textos enviados.

Além de escrever o argumento inicial, os 20 jovens receberam uma bolsa-auxílio e participaram de 90 horas de oficinas de roteiro, gravação e edição de vídeo. Os adolescentes foram divididos em grupos. Um dos participantes, Victor Hugo Costa, 18 anos, explica que não havia muita abertura para discutir sexualidade na escola, mas acredita que a experiência ajudou a abrir sua cabeça para outras realidades. Todos os curtas estão disponíveis no YouTube, no canal homônimo do projeto. Atualmente, uma segunda fase do projeto está em curso, agora partindo das narrativas de jovens da rede pública da cidade de Itapeva (SP).

*Publicado originalmente em Carta na Escola