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Pipi Meia longa

Sem as ilustrações da dinamarquesa Ingrid Nyman, a recente edição em português do clássico infantojuvenil Você conhece a Píppi Meialonga?, escrito pela sueca Astrid Lindgren (1907-2002), não seria a mesma. Produzidas para a história original, de 1945, as imagens parecem inseparáveis da narrativa adaptada pela Companhia das Letrinhas para crianças de 3 a 7 anos. Nessa nova versão, texto e ilustração conversam para apresentar aos bem pequenos uma personagem necessária em tempos de escolas de princesas e outros desserviços à promoção da igualdade de gênero.


Píppi, que já foi mote de filme no final dos anos 1980 e teve suas histórias traduzidas para 65 línguas, é uma menina forte o suficiente para erguer um cavalo do chão e habilidosa a ponto de cortar cinco toras de lenha de uma vez só. Diferente das outras crianças, Píppi vive entre os infortúnios e as liberdades de morar sozinha e não frequentar a escola. Isso não a impede de fazer amizade com Aninha e Tom, as crianças da casa ao lado, que se sentem cativadas justamente pelo modo de viver da nova vizinha.

A personagem faz as próprias panquecas e biscoitos de gengibre, mas também sobe no telhado para limpar a chaminé. Ela ainda consegue se equilibrar sobre um fio durante um espetáculo de circo e é capaz de nocautear Portentoso Adolfo, o homem mais forte do espetáculo.

Píppi tem muita sorte de ser dona de uma infinidade de moedas de ouro, mas não está preocupada com sua aparência e suas brincadeiras prediletas passam por procurar objetos descartados quintal afora e imaginar como podem ser úteis. Ao mesmo tempo que diverte o público infantil por seu desprendimento e sua curiosidade excêntrica, Píppi convida o adulto que lê ficção para crianças a refletir sobre a urgência de se quebrar as associações construídas entre os estereótipos dos filmes de princesas e a educação de meninas.

capaVocê conhece a Píppi Meialonga?
Autora: Astrid Lindgren
Ilustração: Ingrid Nyman
Tradução: Heloisa Jahn