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ferramenta permite conhecer o acervo de museus e instituições
Mais de 6 milhões de itens, entre quadros, fotos e documentos, estão disponíveis

Alguns poucos passos separam o famoso Autorretrato de Van Gogh das Ninfeias de Claude Monet e de tantas outras obras icônicas no Museu d’Orsay, em Paris. A distância, porém, é ainda menor quando percorrida por meio do Art Project, do Google Cultural Institute: resume-se a alguns cliques do mouse. Lançada em 2011, a plataforma permite a visitação online e em três dimensões de cerca de 500 instituições de cultura espalhadas pelo mundo, 20 delas brasileiras. No total, são mais de 6 milhões de itens entre quadros, fotografias, artefatos e documentos históricos, disponibilizados em alta resolução e gratuitamente.


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O livro de arte 
para crianças

A ferramenta vale-se do mesmo mecanismo do Google Street View para simular a experiência de caminhar pelos corredores e salas dos museus e permite a visualização de seu acervo sob diferentes ângulos. “A visitação permite não só conhecer as obras de arte de cada instituição, mas também a arquitetura do local e como as peças estão distribuídas no espaço”, explica Alessandro Germano, diretor de Novos Negócios do Google Brasil. O resultado é uma experiência imersiva que é acompanhada por informações sobre as obras, como título, data, autor, coleção e movimento artístico.

Além do passeio, o usuário pode criar com as obras registradas no portal suas próprias exposições virtuais. “Por exemplo, é possível selecionar 20 obras sobre determinado tema e criar uma exposição que, além de imagens, podem trazer textos curatoriais, entre outros conteúdos”, explica Germano. Outra opção é criar galerias individuais, reunindo em um mesmo espaço suas obras favoritas. “É o sonho de qualquer curador: criar uma galeria ou uma exposição com as melhores obras das melhores instituições do mundo. Para alunos e professores, é uma funcionalidade muito interessante para organizar aulas e trabalhos”, diz o executivo.

Algumas das peças estão disponíveis no formato “gigapixel”, que permite uma potente ferramenta de zoom. “Fazemos uma captura com um equipamento especial, com uma resolução de milhões e milhões de pixels”, conta Germano. Dessa maneira, o visitante consegue perceber detalhes que, muitas vezes, não seriam perceptíveis a olho nu, como traçados de tinta e pigmentos.

Além do Art Project, duas outras seções compõem o Google Cultural Institute, o Momentos Históricos e o World Wonders. No primeiro, estão reunidos curiosidades, depoimentos, fotografias e documentos sobre os principais fatos da história como “O Dia D” da Segunda Guerra Mundial ou a construção da cidade de Brasília. O segundo, por sua vez, permite a visitação online e em 3D dos locais considerados patrimônios mundiais da humanidade como Ouro Preto (MG), os sítios arqueológicos de Pompeia, na Itália, ou as pirâmides do Egito.

No Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo, o professor de Artes e Música, Edenilson Luiz Sant’anna, utiliza a ferramenta há três anos para desenvolver a atividade “Mistério na Sala de Arte” com seus alunos do 4º ano. “É uma espécie de caça ao tesouro. Por meio de jogos e pistas, os alunos precisam encontrar uma obra de arte ‘desaparecida’. Para isso, visitam diversos museus e galerias em busca dela”, conta.

Este ano, a obra misteriosa era a animação francesa As Bicicletas de Belleville (2003). “Eles tiveram de desvendar o filme com pistas que envolviam quadros, músicas, peças de teatro e diversas referências”, conta o docente. Segundo Sant’anna, a atividade é uma oportunidade de explorar a arte de uma maneira divertida, além de ampliar o repertório dos alunos por meio de diferentes linguagens.

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Para Laura Habckost Dalla Zen, gerente das licenciaturas e professora do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), três pontos favorecem o uso do Google Cultural Institute como recurso pedagógico: sua interface amigável, a qualidade do conteúdo disponibilizado e sua organização como espaço virtual de democratização da cultura. “No Ensino Fundamental, é possível não apenas valer-se da imagem das obras disponibilizadas, mas pensar em um trabalho conjunto de organização de uma exposição”, diz. Laura aponta que o uso da plataforma em sala de aula não precisa estar associado aos que trabalham diretamente com arte. Além disso, a ferramenta pode servir como uma oportunidade para aproximar o docente dos alunos, na medida em que a tecnologia é uma das principais linguagens dessa geração.

Entretanto, a visitação online de museus não deve substituir a visitação presencial, mas constituir-se como uma atividade extra de interação. “Trata-se de uma experiência estética distinta, mas nem por isso menos relevante. Nesse caso, o mais importante é o sujeito ‘estar disposto a’ e isso, muitas vezes, ocorre por meio de uma boa mediação feita pelo professor”, explica Laura.

Passo a passo para criar uma galeria

1)  Acesse www.google.com/culturalinstitute. Clique em “sign in”, no canto superior direito, e faça o login usando sua conta do Gmail.

2)  Explore as obras por meio das sugestões da página inicial ou por meio do campo “busca”. É possível procurar por nome, autor, país de origem e assunto.

3) Clique no + para selecionar uma obra. Você pode rever as escolhidas clicando em “saved”, na barra inferior.

4) Para montar sua galeria, clique em My Galleries ou ao lado das obras favoritas.

5) Você poderá optar entre criar uma galeria do zero ou uma 
nova galeria a partir 
das imagens já selecionadas.  
Dê à galeria um título 
e uma descrição.

6) No canto superior direito, escolha se sua galeria será pública ou reservada às pessoas com quem você decidir compartilhar (privada).