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No lugar de régua, compasso e transferidor, que tal um programa de computador para as aulas de Matemática? Criado em 2001, o software GeoGebra é gratuito e pode servir como ferramenta alternativa para professores e alunos na hora de traçar segmentos de reta e polígonos nas aulas de Geometria.


Idealizado pelo professor de Matemática da Universidade de Salzburg (Áustria) Markus Hohenwarter, o programa é livre – ou seja, pode ser modificado e melhorado por qualquer um – e já foi traduzido para ao menos 55 idiomas, inclusive o português. No Brasil, o GeoGebra conta com dois institutos em São Paulo e no Rio de Janeiro (ligados, respectivamente, à PUC-SP e à Universidade Federal Fluminense), responsáveis por oferecer formação a professores, tirar dúvidas e trocar experiências a respeito do software.

O GeoGebra está disponível para download gratuito no site www.geogebra.org/-cms-. Além de baixar o programa em seu próprio computador, o professor pode copiar e distribuir o GeoGebra para os alunos. É possível adquirir também materiais de apoio e tutoriais que ajudam a dar os primeiros passos.

Disponível em português, o software livre possui ferramentas que viabilizam sua aplicação em aulas do Ensino Fundamental ao Superior. Outra vantagem é que ele é multiplataforma – ou seja, funciona em computadores com sistema operacional Windows, Linux ou Mac OS. Segundo o coordenador do Instituto GeoGebra do Rio de Janeiro, Humberto Bortolossi, uma versão para tablet do software está em desenvolvimento.

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Propriedades da circunferência, conceitos de reflexão, translação e rotação, cálculo de área, medida de ângulos, construções geométricas (mediatrizes, bissetrizes, perpendiculares), funções algébricas e números complexos são alguns conteúdos que podem ser trabalhados. Além da chamada Geometria dinâmica, o software também permite encontrar derivadas e integrais de funções e oferece comandos, como raízes e extremos.

Usuária do programa desde 2009, Ana Lúcia Pintro é responsável pela criação de 50 atividades para o GeoGebra, aplicadas aos seus alunos do 6º ao 9º ano do Fundamental. “Procuro fazer uma complementação do conteúdo visto em sala”, conta a professora de Matemática da E.M.E.F. Padre José Francisco Bertero, escola localizada em Criciúma, Santa Catarina. Uma vez por semana, as turmas de Ana Lúcia realizam atividades com o programa no laboratório de informática da escola.

“É um dos poucos momentos em que eles ficam concentrados”, comemora. A estratégia é simples: ela imprime uma folha com o passo a passo da atividade a ser resolvida pelos estudantes no software. Pode ser, por exemplo, desenhar o símbolo da cidade de Criciúma por meio de segmentos de retas. De acordo com Ana Lúcia, a atividade exigia concentração na leitura dos passos e cuidados ao manusear o mouse na hora de utilizar as ferramentas.

Segundo a professora, o programa é intuitivo e fácil de usar. Ele exige, entretanto, que o docente tenha uma boa base da própria matéria lecionada. “Se não souber fazer no papel, não vai saber fazer no programa”, explica outro adepto do GeoGebra, professor Luiz Cláudio Mesquita. Além de utilizar o software com seus alunos, Luiz Cláudio é dono de um canal no YouTube com tutoriais e planos de aula.

O professor já utilizou o GeoGebra com estudantes do Fundamental, Médio e Superior. Segundo ele, embora existam outros programas similares, o GeoGebra oferece possibilidades “incríveis” e tem boa qualidade gráfica. Além de trabalhar com os alunos, o professor pode utilizar o GeoGebra para gerar figuras geométricas precisas e utilizá-las em exercícios impressos.

Economizar tempo e trabalho do professor são algumas dessas possibilidades do GeoGebra indicadas pelo mestre em Educação pela USP e professor do Colégio Santa Cruz, Roberto Perides Moisés. Para ilustrar uma aula sobre deslocamento de figuras, em vez de desenhar as figuras na lousa, com ajuda da régua, o educador utilizou o software. “A aula ficou mais significativa para o aluno, em um tempo mais razoável.”

Uma vantagem do programa é a possibilidade de o estudante revisar os conceitos matemáticos envolvidos na Geometria. Por exemplo, uma das formas de  construir um quadrado é por meio da ferramenta “polígono regular”. Após selecionar dois pontos, o aluno indica o número de vértices para construir o quadrilátero e precisa saber que o quadrado possui quatro vértices. Outra possibilidade é o estudante tornar-se autônomo no uso da ferramenta, analisa Perides. “Os alunos gostam do dinamismo”, afirma.

*Publicado originalmente em Carta na Escola