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Pesquisa foi publicada pelo centro norte-americano Pew Research
Pesquisadores descobriram que tendemos a evitar o contato com ideias distintas.

No último período eleitoral, a discussão de propostas e ideias não ficou restrita apenas ao debate entre os candidatos ou aos programas partidários. Acaloradas, as discussões transbordaram para as redes sociais, causando brigas, acusações e até rompimentos de amizade. Plataformas como o Twitter e o Facebook, porém, não têm contribuído para o confronto de ideias ou para que visões minoritárias sejam mais acessíveis a todos.


Pesquisa publicada em agosto pelo centro norte-americano Pew Research, em parceria com a Universidade de Rutgers, revelou que as pessoas engajadas nas redes são menos propícias a expressar sua opinião, em especial quando pensam que seus pontos de vista serão diferentes dos expressados por seus amigos.

Keith Hampton, um dos autores da pesquisa e professor da área de comunicação da Rutgers, conta que o estudo derivou de outro, focado na relação entre o uso das novas tecnologias digitais e a participação política. “Descobrimos que usuários de redes sociais, especialmente pessoas que usam o Facebook, são mais participativos politicamente. Fazem mais ações voluntárias, têm maior probabilidade de votar e participar de atos políticos”, explica. Diante do quadro, os pesquisadores resolveram investigar se os usuários de redes sociais – mais engajados politicamente – também estariam mais dispostos a discutir ou falar sobre assuntos políticos.

O levantamento foi realizado com 1.801 adultos em agosto e setembro de 2013 e teve como foco um assunto de interesse público: as revelações feitas por Edward Snowden acerca da espionagem do governo dos Estados Unidos em telefones e e-mails de cidadãos do país. O estudo investigou a disposição dos entrevistados em falar sobre o assunto, pessoalmente ou pelas redes sociais.

A conclusão de que as pessoas preferem se calar quando suspeitam de que sua opinião não é compartilhada pela maioria não surpreendeu os pesquisadores. Batizado de “espiral do silêncio”, esse fenômeno é velho conhecido dos estudiosos da comunicação, no qual o medo de ser socialmente isolado faz com que as pessoas com opiniões minoritárias tendam a não compartilhar suas visões de mundo.

Muitos pensavam, porém, que o surgimento da internet atenuaria esse efeito, uma vez que ela possibilita a conexão entre pessoas com pensamentos diferentes. No entanto, os pesquisadores descobriram que a vida online imita a offline, na qual tendemos a nos cercar de indivíduos com ideologia semelhante e evitamos entrar em contato com ideias distintas.

A surpresa, conta Hampton, foi que os usuários de redes sociais também tinham menor chance de se posicionar em discussões e debates na vida real, fora da internet. “Pessoas que sentiam que seus amigos no Facebook não concordavam com suas ideias tinham menos vontade de compartilhar suas opiniões, seja no Facebook, seja pessoalmente, durante um jantar com os amigos no restaurante, por exemplo.”