COMPARTILHE
Aluno com laptop
67% dos docentes de escolas públicas relataram ter aprendido sobre as TIC por conta própria

O acesso à internet nas escolas urbanas do País está praticamente universalizado. O computador está presente em 97% das instituições privadas e em 92% das públicas. Entretanto, quando a amostra é esta última, é ainda preciso superar o desafio da qualidade da conexão. É o que nos mostra a pesquisa TIC Educação 2014, lançada em setembro pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).


Realizado desde 2010, o levantamento mapeia e quantifica o uso das chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas escolas públicas e privadas de Ensino Fundamental e Médio do País. Para chegar aos resultados, foram investigadas 930 escolas entre setembro de 2014 e março de 2015 e foram entrevistados 930 diretores, 881 coordenadores pedagógicos, 1.770 professores e 9.532 alunos.

Segundo o levantamento, a velocidade da principal conexão à internet em 33% das escolas públicas brasileiras é bastante limitada, ficando entre 1 a 2 megabits por segundo (Mbp/s). Quando a amostra são as escolas particulares, a velocidade média sobe consideravelmente – 39% das unidades apresentam uma conexão na ordem de 3 a 10 Mbp/s.

Além da questão de infraestrutura, outro empecilho para a implementação e disseminação de escolas mais alinhadas às inovações digitais está na formação dos professores. Segundo a pesquisa, apenas 37% dos docentes de escolas públicas que possuem formação no Ensino Superior cursaram disciplinas ou tiveram algum tipo de capacitação sobre o uso pedagógico das TIC durante a graduação. A maioria (67%) aprenderam a utilizar estas ferramentas por conta própria e 57% declararam ter aprendido fazendo cursos específicos sobre o assunto. Deste grupo, 75% pagaram a capacitação do próprio bolso.

Para Fabio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do Cetic, mudar este cenário é fundamental para o melhor aproveitamento dos recursos digitais no ambiente escolar. “Para que a mudança aconteça, é essencial que ela perpasse a formação dos professores. Não só na formação continuada como também na formação inicial, no momento da graduação”, diz.

Outro dado que chama atenção é o fato de apenas 30% dos professores de escolas públicas terem declarado a sala de aula como principal local de uso das TIC. O local mais frequente de uso do computador e internet em atividades com os alunos continua sendo o laboratório de informática. O mesmo observa-se entre os alunos. Apesar de 87% dos estudantes de escolas públicas urbanas serem usuários de internet, esse contato só acontece dentro da escola para 41% dos jovens. Para 77%, o principal local de acesso continua sendo o domicílio.

“A internet ainda é mal vista no espaço escolar. Por exemplo, a imensa maioria das redes de wi-fi das escolas está fechada para os professores e alunos. Quando a escola tem rede wi-fi geralmente é destinada ao setor administrativo”, explica Senne. “Ainda há um buraco no uso pedagógico da rede. Por isso, é importante apoiar a construção de políticas públicas que incentivem isso”.

A boa notícia é que recursos educacionais digitais estão cada vez mais presentes no preparo de aulas ou atividades pelos professores. A TIC Educação 2014 mostra que 82% dos professores se valem das TIC para produzir conteúdos para as aulas, mesmo assim apenas 28% publicam ou compartilham conteúdos próprios a serem utilizados com os alunos na internet.

Saiba mais
TIC Educação 2014