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Prezi

Apresentações sem slides ou sequência linear, organizadas em estrutura única que possibilita diversos caminhos e conexões? “Se você não conhece o Prezi, está na hora de conhecer”, responde e recomenda a revista americana Forbes, referindo-se ao software de criação, armazenamento e compartilhamento de apresentação de trabalhos surgido na Hungria e que começa a ganhar o mundo.


De acordo com a empresa (que leva o mesmo nome do programa), mais de 30 milhões de pessoas já utilizam a ferramenta, que concorre com o Microsoft ­PowerPoint, e criam mais de uma apresentação a cada segundo. No País, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas já utilizem o recurso, que recentemente ganhou versão em português. “O Brasil é o mercado que mais cresce, não apenas para nós, mas para muitos outros softwares baseados em nuvem”, diz Ashley Whitlatch, embaixadora global de educação do Prezi.

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Dinâmicas e interativas, as exposições do Prezi constituem-se como redes de conhecimento dispostas em um layout tridimensional, nas quais é possível dar zoom nos tópicos para obter mais informações, além de acessar vídeos, músicas e outros documentos multimídia. “O Prezi funciona como o nosso cérebro, ou seja, as informações não vão da direita para a esquerda ou ficam elencadas umas em cima das outras. Sua distribuição espacial lembra uma mesa cheia de Post-its”, explica Marcio Okabe, fundador da Sociedade Brasileira de Apresentações Profissionais (Sbap).

Para Ashley, ao oferecer aos espectadores detalhes minuciosos sobre determinado tema com o zoom e uma visão geral ao se afastar a imagem, o Prezi estimula a criatividade, a memorização, o brainstorming e novas ideias. “A criatividade não é um processo linear e os estudantes tornam-se muito mais engajados quando aprendem por meio de uma história com roteiro e significado do que em uma simples lista com tópicos. Os alunos não estão vendo um mero slide com texto, estão assistindo a um videoclipe e isso é muito mais interessante”, afirma.

Outro grande diferencial é o serviço online da ferramenta, que dispensa a instalação do software no computador e possibilita a criação de apresentações de forma colaborativa através do compartilhamento por nuvem, em um modelo semelhante ao do Google Docs, no qual até dez pessoas podem editar um trabalho simultanea­mente. “Os alunos não necessitam realizar encontros presenciais, pois a construção se dá online. O professor pode ser um mediador desse trabalho, acompanhando a construção dos alunos e sanando dúvidas quando necessário”, diz Renan Cardozo, autor do projeto de extensão O Prezi em Sala de Aula: Uma Nova Ferramenta Tecnológica ao Ensino e Aprendizagem, em parceria com Otávio Botelho.

A proposta e o visual atrativo do programa conquistaram a admiração de Chris Anderson, curador da TED Conferences, plataforma que reúne palestras de no máximo 18 minutos sobre diversas áreas. O Prezi foi a primeira a receber investimento da empresa, que, ao lado da Sunstone Capital, ancorou 1,5 milhão de dólares no projeto. Segundo Anderson, ao deixar de lado o pensamento unidimensional, o Prezi “está ajudando a reinventar a arte da apresentação”.

Como funciona o Prezi?
Para produzir as apresentações é necessário criar uma conta no site através de um cadastro simples ou vinculado à conta do Facebook. A partir daí, o usuário pode criar novos projetos ou construir exposições baseadas nos modelos pré-configurados. Cada conta criada possui uma galeria mostrando as exposições que já foram elaboradas.

O serviço é gratuito, mas com limite de 100 megabytes de armazenamento para usuários comuns e 500 megabytes para professores. Há também opções pagas para modalidades mais robustas. As apresentações podem ser salvas em nuvem ou no local de trabalho e em arquivos PDF ou EXE, o que contorna o problema da utilização em locais sem acesso à internet ou onde esta seja de baixa velocidade.

Na sala de aula, o Prezi pode ser incorporado a aulas expositivas, apresentações de seminários e trabalhos em grupo. “Tratando-se das vantagens que esse software oferece, o seu principal diferencial é a não linearidade das apresentações, despertando nos alunos a curiosidade de saber o que será revelado a cada lâmina. Mas, para adentrarmos nessa geração 2.0, precisamos que os professores estejam dispostos a aprender e que utilizem a internet a seu favor, mediando e aprendendo juntamente com os estudantes”, explica Cardozo.

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Para Claudia Camerini Pérez, professora de Tecnologia da Informação e da Comunicação Aplicada à Educação na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a dificuldade de muitos alunos e professores de pensar de forma não linear­ pode limitar o uso da ferramenta. “Estamos acostumados a ver uma informação vindo atrás da outra e não simultaneamente, o que pode causar estranheza com o Prezi. Vejo muitos alunos e professores adaptando o programa de modo que ele se assemelhe a outros editores de apresentação mais simples, em vez de usá-lo como um mapa de conceitos, onde um conhecimento está ligado a outro.”

Além disso, a professora aponta que são frequentes os docentes que possuem dificuldade em trabalhar com programas online. “Muitos ainda têm aquela visão de que tudo tem de estar salvo na máquina, uma insegurança de trabalhar com projetos em nuvem”, afirma Claudia.

Okabe concorda. “A verdade é que as escolas possuem dificuldade em se reinventar. Hoje, os jovens jogam games em rede, mas para fazer trabalho tem de ser no papel e individualmente.” Para o especialista, a plataforma pode ser explorada de forma muito mais rica pelos docentes, ajudando, inclusive, na elaboração das aulas. “Os professores podem, por exemplo, compartilhar apresentações entre si, criando mega-aulas sobre determinados temas que trazem as contribuições de cada um”, sugere.

*Publicado originalmente em Carta na Escola