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uruguai, conectividade, gonzalo péres
Projeto consome 5% do investimento por aluno no país e traz bons resultados

Em 2007, assim como o Brasil, o Uruguai se baseou em pesquisas do Massachussetts Institute of Technology (MIT) e iniciou um processo de implantar um computador por aluno. Como aqui, obstáculos também apareceram por lá: as escolas não tinham internet, os professores não preparavam aulas que incluíssem o uso do equipamento e as máquinas quebravam. Por lá, estes problemas foram resolvidos.


Oito anos depois, a “desigualdade digital” entre os mais ricos e os mais pobres caiu de 11 vezes mais acesso à internet para zero, segundo o gerente do Plano de Conectvidade Educacional de Informática Básica para o Aprendizado (Ceibal) do Uruguai, Gonzalo Pérez. Ele esteve no Brasil para falar da mudança no Transformar, evento sobre as tendências em tecnologia educacional. “Sei que o Brasil tem realidade incomparável, só vim dizer o que fizemos e onde chegamos”, comentou sobre inevitáveis ponderações a respeito das diferentes estratégias adotadas por nós e nossos vizinhos.

A primeira questão foi o acesso à internet. No Uruguai, a empresa responsável pela cobertura de banda larga e wifi é estatal e definiu como prioridade chegar às 3 mil escolas públicas do país. “Não demos computadores enquanto as escolas não estivessem conectadas”, conta. Em 2007, 70% não tinham acesso à internet, cinco anos depois, todas tinham wifi ou internet móvel.

O segundo passo foi dar o computador realmente para o aluno. “Não adiantava ficar na escola, a desigualdade continuaria. Então, cada equipamento é da criança, ela leva para casa e traz”, diz Pérez. No começo, muitas ficavam na porta de suas escolas, aproveitando o wifi em seus computadores até que a internet começou a se popularizar também nas casas.

O plano de massificar também incluiu apoio de empresas de tecnologia. No momento de aquisição dos equipamentos, Google, News Corp, Negroponte e outras foram chamadas a participar criando um produto compatível com o aluno e pelo menor preço possível. Foi desenvolvido o XO ao custo de 100 dólares e um benefício único que só foi medido depois: a sociedade inteira reconhecia aquele computador como sendo de um estudante e o protegia. “Uma vez alguém tentou vender um computador deste e chamaram a polícia. Foi um programa reconhecido pelas pessoas.”

Alguns meses depois da distribuição, veio um grande balde de água fria. Usados pelas crianças – e pelos familiares – os computadores quebravam. Não um ou outro, mas 78% não chegavam aos quatro anos de uso até a troca programada. “No começo, mandávamos para a assistência, mas isso demorava e era um problema. Depois, colocamos equipes de manutenção nas escolas em abril, quando acabava o recesso escolar e os computadores costumavam voltar quebrado”, afirma Péres, explicando que com isso o tempo sem o computador é, no máximo, de alguns dias.

E o que os alunos e professores fazem nos computadores? Eles estão liberados para usar a internet, exceto sites não recomendados ou denunciados como ruins para crianças. Podem entrar no Facebook e no Youtube. O governo também passou a apoiar e comprar softwares de apoio a aprendizagem, usados livremente por professores e alunos sem escolher um sistema de ensino ou linguagem comum a todos. “Alguns educadores adotaram desde o início, outros aos poucos e até hoje alguns não usam”, afirma Péres, reforçando o papel de dar liberdade e não o contrário.

O custo total do programa por aluno é de 103 dólares por ano. No caso do Uruguai, que gasta em média 2 mil dólares por ano por aluno, 5% do investimento em cada criança. No Brasil, o valor varia conforme a etapa, mas para o Ensino Fundamental o mínimo estabelecido em 2015 foi de 2,5 mil reais (equivalente a cerca de 650 dólares). Neste caso, gastar 100 dólares por ano por aluno seria igual a 15% do total. “Ao lado do tamanho do País, esta é uma das razões pelas quais entendo que o Brasil tenha outras estratégias. Nós estabelecemos que nunca passaremos destes 5%”, concluiu o visitante.

Veja vídeo de divulgação da Ceibal:

  • iMarx

    O governo de qualquer pais deveria promover a possibilidade de qualquer um poder comprar nao somente um computador como tudo mais com recursos do seu trabalho.
    Assistencialismo escraviza.