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Bliive
De noções de fotografia a ombro amigo, tudo pode ser trocado pelo site

Tempo é dinheiro, diz a sabedoria popular. Se a expressão, entretanto, fosse adaptada aos princípios da plataforma Bliive, no ar desde 2013, o mais apropriado seria dizer que tempo é conhecimento. Fruto de uma cultura que ganha força nos últimos anos, conhecida como consumo colaborativo, a rede social conecta pessoas com diferentes talentos e aptidões a fim de que possam trocá-los entre si. Como elemento intermediário das permutas, o tempo – convertido em TimeMoney, moeda própria do site. A cada hora-aula que uma pessoa oferece de sua habilidade, ganha um TimeMoney para gastar aprendendo algo novo com outra pessoa.


Assim, uma hora de aula de guitarra oferecida a alguém vira crédito para ser trocado por qualquer outra experiência elencada no site como aprender a cozinhar ou costurar. “Hoje, tudo que você deseja fazer ou aprender exige dinheiro. Se eu quero aprender a dançar, fotografar, preciso pagar uma quantia. Nesse contexto, o Bliive surge como alternativa”, diz Zeh Fernandes, cofundador da startup, ao lado de Lorrana Scarpioni, Murilo Mafra e Roberto Pompeu. De aulas de desenho até uma hora de ombro amigo, tudo pode ser compartilhado via plataforma.

Para facilitar as trocas, o site organiza os usuários e as experiências por localidade. O valor do tempo é igual para todos, ou seja, uma hora é igual a um TimeMoney, independentemente do que esteja sendo oferecido. “Não tem essa de ‘minha hora vale mais’. O valor ali está ligado à necessidade ou ao interesse de se aprender determinada coisa”, comenta Zeh.

Ao fazer o cadastro, o internauta ganha um bônus de 5 TimeMoney para possibilitar as trocas iniciais. Quando as moedas acabam, é preciso ir atrás de alguma atividade para comutar. “Como escutávamos muito pessoas dizendo que não tinham nenhuma aptidão que pudesse ser ensinada, fizemos parcerias com ONGs de diversos locais”, conta Fernandes. O interessado então pode ir até uma das instituições e oferecer uma hora de seu tempo a serviço da causa e, em troca, recebe o crédito de horas.

“Já aprendi a fazer sabonetes artesanais com a Gabi, ensinei a Amanda, a Bárbara e o Felipe a fazerem bichinhos de crochê, a Aline a fazer costura em feltro, a Ariadne a fazer pulseiras e tive uma longa conversa sobre blogs com as gêmeas Mariana e Nayara”, enumera Bianca Moraes, de 24 anos, questionada sobre as experiências que compartilhou por meio do Bliive, do qual é adepta desde agosto de 2013.

Em todos os casos, Bianca comenta que combinou os detalhes das trocas via WhatsApp e que os encontros aconteceram em locais públicos de Brasília (DF), onde mora. “No caso da Gabi, nos encontramos perto de uma loja de materiais para artesanato e depois fomos para a casa dela, pois para fazer os sabonetes precisávamos de fogão, panelas, formas, bancadas”, conta.

Para Bianca, o mais legal nas trocas é conhecer pessoas novas, descobrir coisas em comum ou visões completamente diferentes. “Acaba que nunca conversamos apenas sobre a atividade que estamos fazendo. Na verdade ela é só uma desculpa para nos encontrarmos e falarmos de outras coisas”, diz. Por conta disso, os encontros costumam prolongar-se para além da quantidade de horas estipulada. “E o legal é que todo mundo sabe disso, mas não liga de ficar mais tempo, se dedicar para ensinar algo novo pra uma pessoa nova.”

Cátia Andressa da Silva, 33 anos, de Novo Hamburgo (RS), conta que se cadastrou na plataforma no mesmo dia em que ficou sabendo de sua existência. “Fiquei interessada porque já havia participado de feiras e grupos de trocas em projetos de economia colaborativa e sempre acreditei no formato”, explica. Prestes a começar um novo projeto em sua carreira, a analista de mídias sociais solicitou uma aula sobre coaching profissional, ofertada pelo conterrâneo João. “Ele foi uma das primeiras pessoas que encontrei na minha região oferecendo experiências para trocar. Entrei em contato e marcamos um encontro em seguida”. Em troca, Cátia ofereceu a ele uma conversa sobre conteúdo web e redação, necessário para um projeto em que ele estava envolvido. “Foi superproveitoso, com troca mútua de conhecimentos.”

A interface da rede incentiva a troca presencial, mas é também possível realizar os encontros via Skype e outros ambientes virtuais. Para garantir a confiabilidade do processo, a plataforma possui um mecanismo interno de avaliação e ranqueamento das trocas em duas dimensões: se a experiência trocada foi satisfatória e se o outro usuário mostrou-se uma pessoa confiável. “Primeiro, avalia-se a troca por meio de estrelas. Depois, é possível deixar um comentário sobre a experiência e, por último, coloca-se um selo indicando se a pessoa é confiável, não confiável ou neutra”, explica Zeh.

Até o momento, cerca de 50 mil membros estão cadastrados na rede e aproximadamente 10 mil horas de experiências já foram trocadas. “Uma dificuldade que nós temos é fazer com que as pessoas de fato usem a plataforma. Muitos gostam da ideia e, por isso, fazem o cadastro, mas demoram para realizar as trocas”, conta Zeh.

Carolina Araujo, 30 anos, se encaixa neste quadro. Novata na plataforma, ela ainda não conseguiu trocar seu tempo com nenhum usuário. “Vi que têm algumas pessoas aqui de Fortaleza cadastradas, mas acho que falta mais divulgação, pois coloquei diversas experiências para compartilhar e ainda não obtive resposta”, conta. Para Carolina, apesar da proposta interessante, esta falta de iniciativa pode deixar o site no “esquecimento”.

Para escolas e universidades, uma opção disponível na plataforma interessante é o Bliive Grupo, que permite criar um ambiente colaborativo entre alunos e professores. “É possível ver todas as habilidades que estão sendo oferecidas dentro da escola. Desta maneira, dá para saber que aquele seu colega sabe fazer algo que você nem imaginava, descobrir talentos escondidos e aumentar a integração da turma”, diz Zeh.

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Jornalista formada pela PUC-SP e bacharel em Letras pela USP. Já trabalhou no site da revista Crescer e escreve sobre educação desde 2013.