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Imagem do filme O Abutre. Créditos: divulgação

Em meio à tensa situação de resgates no México desde a terça 19, data em que o país sofreu um forte terremoto de 7,1 na Escala Richter – que deixou um rastro de destruição e um saldo de ao menos 286 mortos -, uma esperança: uma garota de 12 anos, chamada Sofía ou Frida Sofía, estaria viva, ao lado de outros cinco colegas, sob os escombros da escola Enrique Rébsamen, que desabou na capital do país.


A informação, amplamente divulgada pelos jornais locais, emocionou o planeta até ser desmentida pela Marinha Mexicana na quinta-feira 21. Segundo as falsas notícias, Sofía teria mexido a mão e pedido água à equipe de resgate.

O caso fez o país reviver um drama vivido em 1985, quando o jornal mexicano El Universal, ao repercutir os impactos de um terremoto de magnitude 8,1 que também deixou mortos e feridos, anunciou que um garoto de nove anos, Luis Ramón “Monchito”, teria sido soterrado juntamente com seu avô.

A notícia, à época, mobilizou as equipes de resgate por dias, até que se descobriu que “Monchito” não existia.

Os casos, misto de sensacionalismo e “fake news”, nos fazem repensar sobre os limites do jornalismo na busca pela audiência e o quanto das informações veiculadas de fato expressam a realidade. Para refletir sobre o caso, o Carta Educação selecionou quatro filmes clássicos que podem suscitar debates a respeito. Confira:

1. A Montanha dos Sete Abutres (1952)

O filme conta a história do repórter veterano Charles Tatum que, após ser demitido de 11 jornais, pede emprego em um jornal local da cidade de Albuquerque, no estado americano do Novo México. Entediado e sem motivação pela ausência de bons temas jornalísticos para cobrir, o repórter recebe a demanda de cobrir uma corrida de cascavéis, outro assunto nada motivador.

No meio da pauta, o jornalista descobre, porém, a história de um homem, Leo Minosa, que teria ficado preso em uma mina ao procurar por relíquias indígenas. Tatum sente que o assunto pode ser a chance que precisava em sua carreira e faz com que o tema ganhe abrangência nacional. Ele inclusive força a esposa do homem, Lorraine, a demonstrar sofrimento, quando na verdade ela estava prestes a se separar do marido. Ele vende a ideia que, dessa forma, a mulher poderia atrair curiosos para sua lanchonete, ganhar projeção e dinheiro.

2. Cidadão Kane (1941)

O filme narra a trajetória de Charles Foster Kane, um garoto que atravessa uma infância de dificuldades, mas posteriormente se torna um dos empresários mais afortunados do Planeta. A história é contada em retrospectiva, após sua morte, a partir da curiosidade do jornalista Thompson em descobrir do que se tratava o termo Rosebud, pronunciado por Kane minutos antes de seu falecimento.

O jornalista busca resgatar a história a partir do contato com inúmeras pessoas e suas visões enigmáticas sobre o personagem. Para muitos, o filme foi inspirado na figura de William Randolph, um magnata dono de jornais sensacionalistas

3. O Abutre (2014)

Para conseguir um emprego formal, o jovem Louis Bloom decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A estratégia é registrar as notícias mais chocantes possíveis, relacionadas a crimes e acidentes, e vendê-las para os veículos interessados.

4. O Jornal (1994)

Henry Hacket, editor de um pequeno jornal de Nova York, é apaixonado pelo seu trabalho, mas se vê cansado das longas horas de jornada e do baixo salário. Soma-se a isso a crise do veículo, que começa a cortar gastos, e a pressão da mulher, grávida, para que ele arranje outro emprego e tenha mais tempo com a família.

O jornalista, então, recebe uma proposta para editar um jornal de grande expressão, com mais possibilidades financeiras e menos horas de jornada. No entanto, uma notícia bombástica interfere em sua decisão.