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Uc do Chile

Quando a consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS) publicou, em maio de 2014, seu ranking com as melhores universidades da América Latina, uma novidade despontava na liderança. Diferentemente das três edições anteriores, quem assumia a posição da instituição de Ensino Superior de maior excelência não era a Universidade de São Paulo (USP), mas a Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC), instituição privada com, aproximadamente, 26 mil estudantes (21 mil na graduação e 5 mil na pós-graduação), localizada na capital Santiago.


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Para Ignacio Sánchez, reitor da universidade, a ascensão pode ser atribuída a dois principais aspectos: o impacto da pesquisa produzida pela instituição, mensurado pelas citações em artigos e jornais acadêmicos internacionais, e a proporção de alunos por professor. “Adotamos uma política de contratação de mais professores com o objetivo de estabelecer uma relação mais próxima entre alunos e docentes que favorecesse o ensino”, conta Sánchez, que esteve no Rio de Janeiro para participar do III Encontro Internacional de Reitores, promovido pelo Banco Santander.

Em relação ao fortalecimento da produção científica, Sánchez destaca que, para além da quantidade, o maior avanço está ligado à melhora de sua qualidade. “Nos últimos anos, crescemos em pesquisa, algo em torno de 10% a 12%. Mas o grande diferencial deu-se na qualidade. A UC tem o melhor índice de impacto de pesquisas da América Latina”, diz.

Outra estratégia bem-sucedida é a adoção do inglês como espécie de língua oficial, contribuindo para a internacionalização dos trabalhos, docentes e estudantes. Em média, a UC publica por ano 1,6 mil artigos em revistas internacionais, 90% deles no idioma anglo-saxão. “Ao colocarmos essa produção científica em um idioma comum (o inglês), o impacto é muito maior”.

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Os programas de pós-graduação são também bilíngues, podendo ser cursados em inglês ou espanhol. Já na graduação  a proficiência é cobrada no momento de ingresso na universidade. Além do vestibular em espanhol, todos os candidatos precisam fazer um exame de conhecimento em inglês. “Se o estudante for bem na prova geral e reprovar no inglês,  isso não impedirá seu ingresso, mas ele terá de fazer um curso gratuito do idioma durante a sua formação”, explica o reitor.

Questionado se a reforma educacional da presidenta Michelle Bachelet afetaria a atual conjuntura da UC, Sánchez é categórico: “Sou a favor da ampliação da gratuidade, mas não para 100%. Acho que as famílias que podem pagar devem fazê-lo para que o Estado gaste seus recursos com aquelas que não podem. É uma questão de justiça social”, diz.

Hoje, todas as universidades chilenas cobram mensalidades, inclusive as públicas. A gratuidade no Ensino Superior aplica-se  para os 60% dos estudantes mais pobres do país. Se a reforma educacional for implementada, essa parcela deverá ser ampliada para 70% e, posteriormente, 80%.