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Sala do museu do amanhã
Exposição será atualizada com novas pesquisas

Um planeta profundamente transformado pela ação humana e pelos impactos gerados pelas mudanças climáticas, alterações na biodiversidade, crescimento populacional e avanços tecnológicos. Este será o cenário que o visitante vislumbrará ao adentrar o Museu do Amanhã, no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.


Diferentemente de outros espaços e produtos que se arriscaram a esboçar o futuro, porém, o Museu do Amanhã pouco risco corre de tornar-se ultrapassado: será a primeira instituição de ciência do País com um acervo permanentemente atualizável. Sua expografia retratará o mundo sempre 50 anos à frente do momento da visita.

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Isso quer dizer que uma visita na ocasião de sua inauguração, por exemplo, será diferente de uma feita alguns meses depois. Além disso, os ambientes audiovisuais e instalações interativas da instituição pretenderão dar conta do que será o futuro não sem antes mostrar como estes cenários estão ligados às decisões tomadas no presente. “A ideia central é de que o amanhã é hoje e o hoje é o lugar da ação.

O museu tem o objetivo de engajar uma reflexão sobre a era do Antropoceno (período mais recente na história do planeta Terra), na qual o homem se tornou uma força planetária capaz de interferir em ecossistemas”, explica Luiz Alberto Oliveira, curador do projeto, que é uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho.

A atualização do conteúdo será feita de acordo com a divulgação de novos dados e pesquisas científicas. A ideia é que à medida que sejam divulgados possam ser incorporados ao percurso narrativo, modificando o acervo de possibilidades. “Trata-se de um museu de ciências que fala de tendências e cenários possíveis, que podem mudar de acordo com as ações que optamos por empreender hoje”, explica Oliveira.

Para isso, o museu contará com a parceria de mais de 30 consultores de diversas áreas e instituições de ciência brasileiras e internacionais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Massachusetts Institute of Techonology (MIT).

Com forte enfoque na questão da sustentabilidade, o próprio prédio que abrigará o museu trará algumas inovações. Desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o projeto prevê a utilização de recursos naturais do entorno e medidas para melhorar o desempenho em eficiência termoenergética, redução do consumo de água e emissões de gás carbônico.

A água da Baía de Guanabara, por exemplo, será utilizada para refrigerar o interior do museu e também abastecer o espelho d’água e mais de 6 mil placas de células fotovoltaicas nas “asas” do museu – que se movimentarão de acordo com a posição do Sol – captarão energia solar para gerar 200 KW.

A exposição de longa duração será dividida em cinco grandes áreas – Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhã e Imaginação – que resultarão em 53 experiências diferentes. Em cada uma delas, o público terá acesso a um panorama geral sobre o tema e poderá aprofundá-lo se desejar. Outras atrações serão o “Laboratório das Atividades do Amanhã”, um espaço coletivo de experimentação e exibição de projetos e o “Observatório do Amanhã”, que irá reunir e catalogar as informações das últimas pesquisas científicas e tecnológicas.

Apesar de ser fundamentalmente um “museu do futuro”, a parte central do percurso narrativo será dedicada a pensar o hoje, tanto em relação às suas características, como seus possíveis sintomas. Neste contexto, totens gigantes com mais de 10 metros de altura trarão conteúdo audiovisual sobre as intervenções humanas no planeta. A ideia é que o material possa suscitar no visitante a consciência do papel que ele e cada um dos indivíduos desempenha dentro daquela realidade.

“Não estamos simplesmente querendo mostrar como a ciência funciona. Queremos aplicar a ciência para explorar os meios de construção do amanhã a partir de duas grandes diretrizes: a da sustentabilidade e a da convivência”, explica. No campo da sustentabilidade, as experiências vão levar o visitante a se perguntar ‘como queremos viver com o mundo e seus demais habitantes’.

Já no campo da convivência, a questão será ‘como queremos viver uns com os outros?’. “Esperamos que as ponderações acerca dessas perguntas contribuam para tornar a experiência da visitação ainda mais rica e motivadora, contribuindo para a construção de um mundo mais colaborativo no plano individual e coletivo”, diz o curador.

Outra proposta é que o museu funcione como uma ferramenta de educação extraescolar. Para isso, deverá estabelecer uma rede de colaboração intensa com outras instituições de cultura, tecnologia e ciência como o vizinho Museu de Arte do Rio (MAR) e a rede Naves (ou Núcleos Avançados de Educação), iniciativas da prefeitura Rio de Janeiro e do Instituto Oi Futuro.

Sobre a garantia de acerto das previsões do futuro que serão ensaiadas pelo museu, Oliveira diz: “Só o que podemos apontar é a vigência, nas próximas décadas, de poderosas tendências que definirão as direções que a civilização contemporânea deverá seguir nas próximas décadas”. Em outras palavras, o que fará ou deixará de fazer parte do acervo do Museu do Amanhã está sendo definido hoje, a cada escolha que fazemos enquanto indivíduos ou sociedade.