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Museu aposta na interatividade para ensinar conceitos de física e reciclagem

Feche os olhos por alguns instantes. Era nessa escuridão absoluta que nossos antepassados viviam quando o Sol se punha marcando o fim de mais um dia. Com exceção das noites de tempestade, quando os raios atingiam as árvores deixando-os em chamas, era o breu que acompanhava os homens pré-históricos noite adentro.


É compreensível, portanto, a revolução que o domínio do fogo causou na humanidade. Por meio dele, era possível iluminar, cozinhar, se aquecer, espantar os predadores e inimigos. Desde então, as técnicas e meios para produzir luz artificial se aperfeiçoaram muito culminando na grande invenção de Thomas Edison, a lâmpada incandescente, que se tornou indispensável para o funcionamento de nossa sociedade.

Mais do que justo, portanto, que a iluminação e sua trajetória tenham ganhado um museu só seu, o Museu da Lâmpada, localizado em São Paulo. Fundado em 2012 pela fabricante de lâmpadas Gimawa e com o apoio da Apliquim Brasil Recicle, o espaço narra por meio de uma série de salas expositivas a história da luz artificial, partindo do fogo e chegando até as lâmpadas de LED e fibras óticas.

Para isso, agrega informações tanto históricas como científicas sobre diversos tipos de lâmpadas. “Temos uma sala inteira dedicada ao Thomas Edison, pai da lâmpada incandescente, que teve mais de 2.600 patentes em seu nome. Ele participou de muitas outras invenções como o telefone, máquina de escrever, cinetoscópio. Também falamos de Nikola Tesla, inventor da lâmpada fluorescente”, conta Gilberto Pedrone, diretor e idealizador do museu. “Trazemos várias curiosidades, por exemplo, lâmpadas desmontadas para poder ver o que tem dentro, a fim de aproximar esse tema das crianças.”

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Sala dedicada ao inventor Thomas Edison. Foto: Eduardo Zocchi

Em outro espaço, os visitantes percorrem o chamado “corredor dos inventores”, uma linha do tempo sobre o desenvolvimento da iluminação e visualizam as lâmpadas referentes a cada época. As crianças também podem interagir com um painel contendo diversos interruptores e lâmpadas de cores e tamanhos variados onde brincam fazendo testes para descobrir qual está conectado a qual.

Outro tema bastante abordado pelo museu é o da reciclagem. “Tentamos conscientizar sobre o descarte correto das lâmpadas, pois além do vidro ser um material cortante e perigoso, elas levam mercúrio, que é altamente prejudicial para a saúde. Então temos uma parceria com uma empresa de reciclagem para fazer essa destinação de forma adequada”, conta Pedrone.

O espaço ainda conta com um auditório para palestras, uma pequena biblioteca e uma instalação que reproduz o Índice de Reprodução de Cor (IRC), escala usada para medir o grau de fidelidade com que as cores são reproduzidas em uma determinada fonte de luz. O que explica porque, conforme a luz do ambiente em que a pessoa está, uma blusa pode parecer mais ou menos vermelha, por exemplo.

As escolas que desejarem realizar visitas devem fazer agendamento prévio. A entrada é 1 kg de alimento não perecível ou uma lâmpada queimada. O espaço também possui um projeto itinerante que leva exposições sobre a lâmpada para shopping centers de diversas cidades brasileiras. “Também temos um espaço do museu em Santos (SP), que traz, por exemplo, as lâmpadas utilizadas em navios e portos para fazer essa ponte com a realidade local”, conta Pedrone. “A ideia do museu e das exposições itinerantes é fazer uma abordagem transversal e lúdica.”