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Borboletário
A estrutura tem formato geodésico e abriga mais de 25 espécies de plantas.

“Mamãe, o que é aquilo? Podemos ir?”, pergunta agitada uma criança ao avistar a curiosa estrutura geodésica que desponta em meio ao jardim do Catavento Cultural, famoso museu interativo de ciência localizado em São Paulo e voltado para o público jovem. A construção, de aparência futurista, chama a atenção não só por contrastar com o entorno – um palácio com mais 90 anos – mas principalmente pelos seus moradores. Vivem ali dezenas de borboletas.


Inaugurado em meados de julho, o borboletário é a mais nova atração do museu e, até agora, um sucesso absoluto. As sessões de visitação – realizadas a cada meia hora com a orientação de um monitor – estão sempre lotadas. Por ora, mais de 25 tipos de plantas e duas espécies de borboletas habitam a cúpula. “Uma das espécies que a gente tem aqui é conhecida pelo nome vulgar de olho-de-coruja (Caligo ilineus) e a outra é a júlia (Dryas iulia). Escolhemos estas espécies porque se adaptam facilmente ao clima de São Paulo”, conta a bióloga Nathalia Silvério, gestora do projeto.Alaranjadas, as júlias podem ser encontradas em toda a América e, comparado a outras borboletas, têm uma vida relativamente longa, atingindo até seis meses de vida. As borboletas olho-de-coruja, por sua vez, receberam este nome devido ao padrão de suas asas que muito se assemelha ao rosto da ave noturna. Ao fingir que é um animal maior e mais perigoso, o inseto consegue despistar predadores.JuliaA ideia de construir o espaço surgiu após o presidente do conselho diretivo do Catavento visitar um borboletário na Malásia. “Ele ficou encantado e daí surgiu a ideia de fazer algo parecido aqui”, relata Nathalia. Em maio de 2013, os primeiros passos para o projeto começaram a ser dados e, em dezembro de 2013, a estrutura física ficou pronta. Daí em diante, foi quase um ano e meio de trabalho exaustivo até conseguir todas as licitações necessárias para o funcionamento e reproduzir o ecossistema ideal para os insetos.

“Antes isso era só um gramado com uma árvore e nosso intuito era recriar o ambiente que elas viveriam na natureza. Então, eu e o outro biólogo que trabalha aqui, o Maurício Sabatino, começamos a pesquisar as espécies de plantas que eram mais adequadas para estas borboletas. Isto porque, em cada etapa da vida, a borboleta procura um tipo de planta, seja para se alimentar, para depositar ovos, entre outras coisas”, explica.

Os primeiros exemplares de borboleta vieram do Parque Mangal das Garças, em Belém do Pará. Entretanto, a distância acentuada entre as duas cidades tornou a logística do processo muito complexa. A solução foi fechar uma parceria com o borboletário de Diadema, em São Paulo, muito mais próximo. “Aqui, nós só temos estrutura para pupas e borboletas adultas. Ovos e lagartas não, porque não há comida suficiente, nosso espaço é pequeno. Então quando elas colocam ovos, encaminhamos para Diadema”, explica a bióloga.

De maneira geral, as borboletas passam por quatro etapas de desenvolvimento: ovo, lagarta, pupa, imago (adulta, com asas). “Além da questão da polinização, a borboleta é um importante bioindicador da qualidade do ar. Onde você vê muita borboleta, geralmente, se tem uma ótima qualidade do ar”, explica a bióloga.

Entre os planos futuros para o borboletário, está trazer mais espécies de borboletas e ampliar a quantidade de animais. Hoje, o espaço conta com 20 exemplares e fica aberto de terça a quinta-feira, além de finais de semana. “Criamos o borboletário para que o visitante possa viver esta experiência de estar próximo do animal. O mais importante aqui é utilizá-lo como um instrumento de educação ambiental. Então mostrar a importância da borboleta para a natureza e estender isso para todos os outros animais”, diz Nathalia.

Saiba mais
Catavento Cultural
Av. Mercúrio, s/n – Parque Dom Pedro II – Brás
São Paulo – SP
www.cataventocultural.org.br