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Indústria fashionista se apropriou do turbante em desfiles

O que é apropriação cultural?


Isso acontece quando alguém pega um símbolo relacionado a uma cultura e passa a usá-lo como sendo seu. Por exemplo: quando uma pessoa de origem europeia resolve fazer dreadlocks no cabelo. Os dreadlocks são típicos de culturas de países como Jamaica, Quênia etc.

Isso está errado?

Errado não. Não há problema nenhum em querer usar um adereço de outra cultura por razões estéticas: dreads, turbantes, tatuagens etc. O problema da apropriação cultural é quando ela ocorre em grande escala. Como, por exemplo, na moda. De repente, os estilistas decidem que os turbantes (típicos de culturas africanas e asiáticas) são a “nova tendência”. Todas as revistas, então, passam a trazer fotos de modelos com os adereços. Mas essas modelos não serão mulheres negras, indianas, asiáticas. Serão sempre as mesmas mulheres, magras, ocidentais e que fizerem parte do circuito da beleza “aceitável”.

Não entendi. Por que isso seria um problema? Afinal, está divulgando a cultura dessas pessoas, não é?

Na realidade, não. Está se apropriando de um símbolo dessa cultura e desprezando o contexto de onde ele realmente vem. Essa é a grande crítica que se faz à apropriação cultural. Ela se apodera de outras culturas, sem necessariamente a ajudá-las a ter a visibilidade merecida no mundo.

Ainda não consegui entender essa história. Tem algum outro exemplo?

Pense no funk carioca. Há muitos anos, as favelas cariocas têm bailes, cantores, MCs, um movimento musical em torno desse gênero musical. Há algumas décadas, ninguém ouvia falar do funk porque ele era considerado música da periferia, de gente pobre, um gênero musical de baixo nível. Hoje em dia o funk foi suavizado, aparece em programas de TV, propagandas, e toca em festas das classes mais altas.