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Uma bonequinha de madeira que se abre ao meio para revelar outra no seu interior e assim sucessivamente. Fácil entender porque as mamuskas, brinquedos tradicionais da Rússia e outros países do leste europeu, inspiraram o nome de um espaço de aprendizagem e recreação, localizado no bairro de Pinheiros, em São Paulo.


Diferentemente de outros locais da cidade – ou focados apenas nas crianças ou nos adultos – no Mamusca, pessoas de todos os tamanhos são bem-vindas. Grandes e pequenos, sem distinção, são convidados a dividir o mesmo teto e atividades.

Inaugurado em 2013, o Mamusca nasceu da percepção de que as grandes cidades se mostravam pouco convidativas e preparadas para acolher os pais de crianças pequenas. “Existe um isolamento urbano das mães, em parte, porque é difícil sair de casa com crianças pequenas, por outra, porque elas percebem que em determinados lugares não são bem-vindas com seus filhos e acabam não saindo”, conta Ana Fialho, responsável pela Comunicação.

Foi pensando nisso que surgiu a ideia de juntar o útil ao agradável: colocar diferentes bebês e crianças pequenas em contato, estimulando a interação e sociabilização entre eles, e simultaneamente promover o encontro e a troca de experiência entre pais e mães de diferentes famílias.

Um olhar pelos ambientes revela essa preocupação de imediato. Se na entrada um café oferece pratos que vão da papinha ao arroz e feijão, nas salas brinquedos e outras construções lúdicas dividem espaço com poltronas para que as mães possam amamentar seus filhos, por exemplo. No banheiro, um vaso sanitário tamanho padrão fica lado a lado à sua versão diminuta.

A própria jabuticabeira no quintal dos fundos não está ali por acaso. “Queríamos uma árvore que fosse da altura das crianças, que as convidasse a subir, brincar, pular”, conta Ana.

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Por trás de tudo, a crença na brincadeira livre dentro de um ambiente preparado, isto é, seguro e estimulante. “O papel do adulto aqui, dos brincadores, é o de observador. Não é de direcionar, mas de acolher. Não é também que ninguém pode falar. Não é a ‘não interação’ é a ‘não intervenção'”.

A própria preparação do ambiente mostra-se uma peça-chave para a autonomia das crianças. Com móveis, pias e outros aparatos na sua altura, elas podem circular livremente e dispensar o intermédio dos adultos para uma série de tarefas.

“A gente vê que a criança fica brava quando o adulto faz para ela uma coisa que ela poderia ter feito por conta própria. É como se você tirasse dela uma conquista”, conta Ana. “Não poder abrir uma torneira e pegar água porque a pia está muito alta ou porque um adulto diz que ela vai fazer bagunça e molhar tudo é muito frustrante para essa criança”, acrescenta.

As crianças com até 3 anos de idade precisam frequentar o espaço necessariamente acompanhadas de responsáveis. A partir dessa faixa etária, é opcional que os pais permaneçam no local. “Os pais podem deixar e depois buscar. O Mamusca foi pensando para que eles fiquem e tenham essa interação, mas a gente sabe também que têm pais que precisam de um tempo pra si”.

Os brinquedos disponíveis procuram seguir a mesma linha. “São brinquedos não eletrônicos, de matéria-prima nobre, menos estruturados”, conta Ana. Além da proposta da brincadeira livre, também são ofertadas oficinas com diferentes focos como shantala, expressão corporal, música, artes, entre outras. “A ideia é acolher todo mundo”, finaliza Ana.