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Consumo colaborativo

Trocar, emprestar, alugar e compartilhar serão verbos cada vez mais presentes no vocabulário das novas gerações. A aposta é da revista americana Time, que elegeu em 2011 o consumo colaborativo como uma das dez ideias que deverão mudar o mundo. Um dos livros mais emblemáticos sobre o assunto é o O Que É Meu É Seu – Como o Consumo Colaborativo Vai Mudar o Nosso Mundo (Ed. Bookman, 2010), de Rachel Botsman e Roo Rogers. Inspirada no compartilhamento de informações promovido por sites como a Wikipédia e por redes sociais, a obra demonstra como a troca pode economizar dinheiro, tempo e espaço, além de aproximar as pessoas.


Na sociedade do consumo, em que a maioria das coisas é esquecida ou rapidamente descartada para ser substituída por versões mais novas, o consumo colaborativo apresenta-se como uma opção sustentável. No lugar do acúmulo de bens materiais, redes de empréstimos, permuta, compartilhamento e aluguel de produtos e serviços.

Nesse contexto, a internet e as novas tecnologias ganham papel essencial: possibilitam a conexão entre os usuários e a formação de redes colaborativas em larga escala.

Além disso, as práticas de consumo colaborativo reinventam a experiência da aquisição, já que a interação e a negociação passam a ser tão relevantes quanto o item de desejo. Um exemplo são as feiras de troca, uma maneira engajada de adultos e crianças refletirem sobre consumismo e apego material.

Com o slogan “trocar é mais divertido que comprar”, há dois anos o Instituto Alana – organização sem fins lucrativos de assistência social, educacional e cultural para crianças – promove feiras de troca de brinquedo e incentiva outras ao redor do país. “O mais legal neste tipo de iniciativa é trazer uma revisão sobre o valor das coisas. Um brinquedo que já não tem graça para uma criança passa a ser supervalioso para outra”, diz Carolina Pasquali, responsável pelo departamento de mobilização da entidade.

A fim de disseminar a prática, a organização desenvolveu uma plataforma na qual os internautas podem visualizar em um mapa interativo as cidades brasileiras que sediarão feiras de troca, bem como cadastrar seus próprios eventos. “Neste ano, foram realizadas 96 feiras de troca de brinquedos, duas em comunidades brasileiras no exterior. Foi um grande salto se pensarmos que, em 2012, foram cadastradas 51 feiras”, conta Renata Franco, assistente de mobilização.

O portal também disponibiliza materiais para auxiliar a organização e a promoção dos eventos. “Apesar dessa padronização”, ressalva Carolina, “cada feira acontece de um jeito, pois além da troca de itens, elas trazem a convivência e a relação com aquele espaço. E isso é sempre único.” Quando promovidas em escolas ou outros lugares onde existe mais familiaridade entre os envolvidos, uma boa estratégia, segundo Carolina, é pedir para cada criança contar a história do brinquedo que está levando, dando subsídios para que outras se conectem com o item e fazendo da experiência uma oportunidade de os alunos se conhecerem melhor.

Além de brinquedos, as feiras podem promover a troca de livros, gibis e material escolar, entre outros objetos. A troca também não precisa ser direta. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), no Recife, por exemplo, realiza na última sexta-feira de cada mês o Escambo de Livros, em que basta levar uma obra em bom estado de conservação para deixar em um cesto e escolher do mesmo um livro para levar para casa.

Passando para frente
Já o site Doabox funciona como uma rede social em que as pessoas se conectam a fim de doar e receber diferentes objetos. Mauro Mattedi idealizou a plataforma quando um notebook com quatro anos de uso ficou parado em sua casa. “Não sabia o que fazer com o computador. Procurei na internet algum portal onde as pessoas pudessem se comunicar para doar coisas e não achei. Então decidi criá-lo”, conta ele, que fundou o site com o programador Adriano da Silva.

Para doar, basta incluir foto, descrição e localização do objeto. Os interessados podem procurar itens buscando -palavras-chave ou categorias (leitura, jogos, informática e móveis, entre outros). O portal funciona através de sistema de créditos, no qual cada coisa doada gera ao usuário o direito a uma doação. “Desde o início, nossa maior preocupação era que o sistema fosse justo. Não queríamos que alguém ficasse só recebendo coisas, sem doar nada em retorno. Para pegar algo pela primeira vez, basta ter cadastrado algum item para doação”, explica Mattedi.

No ar desde setembro, o site tem cerca de mil cadastrados e mediou mais de 200 doações. “Acredito em mudança de comportamento que leve as pessoas a reverem o valor baseado em preço. Muitas vezes ele está na necessidade. O item que não me serve mais pode ser o que outra pessoa precisa”, diz.

Como organizar uma feira 
de trocas


Escolha o local
É importante que o lugar escolhido seja amplo 
e agradável, permitindo 
às crianças não apenas trocar coisas, mas também experimentá-las.

Prepare seus ajudantes
Os auxiliares devem conhecer as regras de funcionamento da feira de trocas e ter clareza sobre o papel de 
cada um durante 
o evento. Algumas pessoas devem se responsabilizar por recepcionar e identificar as crianças e seus itens de troca com etiquetas. Outras devem auxiliar 
as crianças que necessitem de ajuda 
no momento da troca, além de mediar eventuais conflitos.

No dia da feira
Estenda algumas 
cangas ou esteiras para acomodar os brinquedos e separe etiquetas de identificação e canetas para preenchê-las.

A hora da troca
Conforme as crianças forem chegando, etiquete os itens com o nome 
de quem os trouxe 
e deixe-os nas esteiras 
ou cangas. As crianças passearão por entre as esteiras, escolhendo o que gostariam de ter. Elas deverão, então, conversar com o dono do item escolhido, sugerindo a troca. Pode ser que mais de um item seja usado 
na transação. Não há problema: é uma forma saudável de negociação e o importante é que as crianças saiam satisfeitas com as trocas.
Fonte: Instituto Alana