COMPARTILHE
Protesto
Alunos da rede estadual mobilizam-se contra anúncio de reorganização escolar em SP

A reorganização escolar iniciada pelo governo do Estado de São Paulo e que tem causado protestos quase diários de estudantes há um mês foi mal anunciada e mal embasada na opinião de analistas de política pública educacional. Os argumentos apresentados pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) são considerados insuficientes para uma reforma radical e a falta de informação completa, um descaso com os profissionais e famílias que podem ser impactados.


No final de setembro, o secretário de Educação do Estado, Herman Voorwald, anunciou que em 2016 as escolas serão reorganizadas para que mais escolas atendam apenas uma etapa de ensino entre as três que a rede contempla: Fundamental 1, do 1º ao 5º ano, Fundamental 2, do 6º ao 9º ano, ou Ensino Médio. A justificativa é que, com isso, as unidades se concentrariam em qualidade para cada idade.

As diretorias regionais de ensino, no entanto, receberam um documento com a reorganização prevista que incluía o fechamento de unidades, muitas das quais já possuem salas lotadas. Sem informação oficial passaram a circular listas montadas pelo sindicato dos professores (Apeoesp) e movimentos sociais com ameaça de fechamento para entre 100 e 800 do total de 5 mil escolas da rede.

“É uma reforma que busca reduzir custos”, afirma o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. Ele comparou o movimento atual ao implantado por Rose Neubauer, secretária de Educação de Mario Covas, de 1995 a 2000, e que também fechou salas de aula e municipalizou escolas. “A justificativa era a mesma, ela dizia ‘escola de pequenos para os pequenos e de grandes para os grandes’ e foi um processo de municipalização extremamente pernicioso.”

1
Protestos ocorrem dentro das escolas e vão para redes sociais

Para Cara, além da redução de custos de salários e manutenção, o governo novamente visa transferir obrigações para os municípios, que já estão sobrecarregados. Ele calcula, no entanto, que a atual pressão popular pode reverter ou amenizar o dano. “O governo Alckmin foi extremamente intransigente com os professores depois de uma greve de três meses e esperava uma categoria sem forças. O que ele não contava era com uma comoção da comunidade que tem o apoio até mesmo dos programas televisivos populares do final da tarde. É um momento de luta importante”

O coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional da Universidade de São Paulo, Ocimar Alavarse, afirma que os argumentos apresentados para a medida tendem a dar pouco efeito. “Primeiro eles alegam que colocar crianças de idade diferentes gera bullying, o que é um engano: cria uma imagem de violência na juventude, generaliza atos isolados e combate de forma errada. Bullying pode ter em qualquer idade, não tem que separar, tem que educar.”

Em segundo lugar, ela afirma que a simples avaliação dos resultados de escolas apenas com Ensino Fundamental ou Ensino Médio e com ambos os segmentos não aponta um salto de qualidade. “Um fator isolado não vai trazer resultado nem no indicador que eles mesmos colocam como importante, que é a avaliação padronizada”, afirma.

Para ele, no entanto, o maior erro foi anunciar sem dar informações claras. “Em uma guerra, a primeira vítima é a verdade. Eu não acho que o número de escolas fechadas será tão grande, mas o governo não pode largar uma notícia que afeta diretamente a vida das pessoas assim. Quer anunciar reorganização, apresente um plano”, opina.

Protesto
Manifestação de estudantes na praça da Sé

A Secretaria Estadual de Educação afirma que nenhum aluno será transferido para escolas a mais de 1,5 quilômetro da atual unidade e que os prédios sem estudantes da rede serão disponibilizados, por exemplo, para os municípios fazerem creches.

A especialista em políticas públicas educacionais, Cleuza Repulho, que foi presidente da União Nacional do Dirigentes Municipais, afirma que esta é uma decisão que precisa ser muito debatida e nem sempre vai ser do interesse dos municípios. “Transformar um prédio antigo e feito para fundamental e médio em Centro de Educação Infantil exige uma reforma muito grande para atender os padrões mínimos, a maioria não tem dinheiro para isso. Até construir uma unidade nova é mais barato, às vezes.”

Ela também critica a falta de informação no anúncio. “Mudanças sempre geram impacto por isso o importante é informar muito claramente as pessoas. Se fosse dito quantos alunos no máximo cada sala terá, como fica a situação dos professores, a situação seria outra.”

Para a presidente do Conselho de administração do Cenpec, Maria Alice Setubal, “ainda que a literatura aponte ser mais difícil assegurar o aprendizado em escolas de maior complexidade de gestão, que oferecem diferentes ciclos, etapas e modalidades, não é tarefa simples transferir mais de 1 milhão de alunos de um ano para outro”.

Ela também pede transparência e diálogo e atenta para o risco da medida ampliar ainda mais os dados de evasão. “É preciso ouvir toda a comunidade escolar e reconhecer as especificidades e necessidades de cada território”.

  • O que a Apeoesp está fazendo com pais e alunos é terrorismo.
    Nenhuma escola ficará fechada. As escolas ociosas serão usadas para novas
    creches, Etecs e Fatecs. A reorganização da rede estadual de ensino proposto
    pelo governo Geraldo Alckmin, que separa as escolas por ciclos, vai melhorar a
    qualidade da educação. Nenhum aluno ficará a mais de 1,5 Km de sua casa. Mas
    isso não interessa para a Apeoesp, eles não lutam pela educação e sim pelos
    interesses do PT.

    • Elena Osawa

      S. Welbi, só vc acredita que Alckmin destinará as escolas para novas creches, Etecs e Fatecs. Vão ficar abandonadas, isso sim. Governo PSDB quer acabar com a educação pública no estado e em todo lugar que governa. As crianças pobres não vão poder estudar pois não terão como pagar mensalidades de escolas privadas. E aí.que futuro terão essas crianças sem estudo?

    • Lúbia Carneiro de F.e S. Rocha

      Esta reorganização das escolas estaduais de São Paulo jamais deveria ser feita desta forma.De repente faz-se o anúncio de uma mudançatão séria, sem a consulta aos maiores interessados,que são os alunos e os professores.Que governo democrático,hem???!!! Estão certos os garotos em seus protestos,e a APEOESP também.

    • Mary Angel

      Já que lhe encontrei novamente nestes grupos, aproveito para propor novamente uma reflexão sobre o assunto Sr. Welbi pois para você a reestruturação é a solução.

      Com a crise econômica haverá procura pelas escolas públicas em torno de 15% o que anula a questão da falta de público. A décadas as salas de aulas sempre tiveram mais de 40 alunos o que torna qualquer tipo de estratégia pedagógica ineficiente hoje, já que o público jovem não tem o comportamento do passado e nem estamos mais no positivismo.. Aliás a recomendação pelo MEC e PNE é de 25,30 3 35 alunos respectivamente para FUND I, FUND II e EM. Você já deu aula para mais de 40 alunos? Hoje temos em média 45/50 alunos na maioria das escolas. Salas foram fechadas já com a intenção de se evitar novas matrículas para a tal reestruturação que já estava na pauta da secretaria desde 2013. Existe algumas escolas que realmente estão com o quadro de alunos reduzidos, mas estão localizadas em zonas nobres e no centro da cidade e são poucas. Você sabia que certas escolas em comunidades pobres é o único braço do Estado que está presente para as ações sociais e humanistas, ou seja, estão dentro de comunidades? Quero lembrar que ETEC e FATEC possui acesso através de vestibulinho e será que realmente serão feitas?Você acredita que alunos que frequentam salas lotadas e oriundas do ensino público, no qual não tem investimento, valorização, seja estrutural ou profissional, terão acesso a esta modalidade ou apenas irá favorecer as classes C e B? Acha justo estes privilégios , sendo que todos são contribuintes de uma forma ou de outra? Para ter a mesma oportunidade, o correto não seria ter as mesmas condições educacionais? Já não basta a USP? Você já visitou uma ETEC, quero lembrar que ETEC não é ETFSP e muito menos FATEC e nem SENAI. Quando a questão de 1,5 km é impossível afirmar isto em relação aos alunos, a menos que o próprio governo controle a questão habitacional da população. Realmente precisamos de uma reestruturação, mas que seja de acordo com a realidade social e com investimento sérios. Hoje a grande maioria das escolas da Capital, possuem salas de informática com apenas 20 computadores (NEM O PRESIDENTE SEM DEDINHO, CUMPRIU A PROMESSA DE 1 COMPUTADOR POR ALUNO NO BRASIL, NEM ELE E NEM O GOVERNADOR DE SÃO PAULO E NEM OS OUTROS), nem sempre tem conexão, não há toner nas impressoras, as lousas estão rachadas, vários banheiros tiveram suas portas retiradas devido a cupim e permanecem sem, nem sempre tem merenda (muito biscoito com suco). Finalizando, nenhum governo neste país, seja municipal, estadual ou federal ou qualquer ideologia que os partidos dizem que tem, realmente sem interessa para educação, sabe por que? Porque querem manter um povo sem autonomia no pensamento, sem capacidade de reflexão, sem critica. Um povo que fica esperando alguém resolver seus problemas, que acredita nas suas boas intenções, que não da valor ao imposto que paga, aliás nem sabe o quanto paga, que não formula opinião própria porque tem preguiça de investigar, pesquisar, ir atrás das respostas por si próprio, que não se sente dono de seu país, se comporta como imigrantes do passado, como se estivesse vivendo de favor. Recomendo que você leia pelo menos Maquiável, vai te ajudar muito a entender nossos dirigentes.
      E.T.: Não sou filiada e nem simpatizo com qualquer partido político, muito pelo contrário. Não sou comunista, nem liberal ou outra ideologia. Sou EU apenas.

      • Michael Mendes

        Mary Angel, concordo plenamente com vc..
        E outra coisa, é preciso estar dentro da escola, na sala de aula para ver a dificuldade que nós professores passamos com a precariedade de estrutura favorável para se obter uma educação com qualidade.. Estes Planejadores, Pensadores que vivem publicando seus livros ou posts em meios de comunicação, não vivem o dia a dia, a realidade do ensino neste país. Até mesmo nossos professores no ensino superior, alguns deles ainda acreditam que a educação está como quando eles se formaram, que a disciplina dos alunos é a mesma.. É muito fácil criar uma teoria sem estar na prática e conhecer os diferentes núcleos sociais no qual as escolas estão inseridas!

    • Mary Angel

      Agora entendi porque o senhor defende tanto as ações do governo tucano.
      Seu blog demonstra sua cegueira, aliás a mesma cegueira que vejo no blog dos petistas.

  • Josh Dilson

    Quero agradecer ao Marcelo Resende que dias atrás falou tudo e mais um pouco desse governador de São Paulo . Muito obrigado. Em São Paulo os professores ficaram 3 meses em greve e tiveram de voltar a trabalhar sem os seus devidos reajustes,no Paraná o governador mandou bater nos professores sem dó.

    Conclusão :
    O psdb não gosta de professores de escolas públicas porque alfabetiza filhos de pobres.

  • FERNANDO SILVESTRE

    Império paulista de alta
    competência na gestão. Iniciada em 1995 com Rose Neubauer “A REORGANIZAÇÃO” não aconteceu. Agora, parece fato novo
    na gestão de Herman Voorwald em 2015. Esse processo é tão ruim fracassado
    como o da PPP da linha 4 (metro
    Pinheiros) que até agora tá inviabilizada, mas lá foi lavado dinheiro e PSDB e
    empreiteiras estão limpos.

  • Sérgio M C da Silva

    É impressionante como muitos insistem e não entender o que foi proposto pela secretaria da educação.