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O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília (UnB) emitiu uma nota condenando as investidas do ministro da Educação, Mendonça Filho, contra o curso do Instituto de Ciência Política da universidade intitulado “Tópicos Especiais em Ciência Política: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. Na quinta-feira 22 o ministro afirmou que iria acionar o Ministério Público Federal e outros órgãos públicos afim de investigar o projeto que deu origem a matéria optativa da UnB.


Em sua conta nas redes sociais, o chefe do Ministério da Educação acusou a coordenação do curso e de ter objetivos políticos partidários com a matéria: “É inaceitável o uso de recursos humanos e materiais das universidades públicas para a divulgação de teses petistas malucas. O partido tem todo o direito de defendê-las, faz parte do processo democrático. O que não pode é usar recursos públicos e a estrutura da Universidade de Brasília para propagar mentiras, manipular fatos e formar militância.”

Na nota, o Consuni  “reafirmar a legalidade e legitimidade dos processos que sustentam a oferta das disciplinas dos cursos
(de graduação e pós-graduação) da UnB, os quais são resultado de decisão colegiada, conforme os ritos e as normativas da Universidade” e destaca “importância do respeito à liberdade de cátedra, princípio constitucional que garante o pluralismo na discussão de ideias e de concepções pedagógicas no âmbito das universidades.” Mais de 140 docentes assinaram uma carta pedindo ao conselho que se posicionasse publicamente.

Manifestações de apoio

Outras manifestações de apoio à manutenção do curso, coordenado pelo professor Luiz Felipe Miguel, ganharam força nos últimos dias. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp acaba de criou uma disciplina com o mesmo nome daquela que será ministrada pelo professor Luis Felipe Miguel. Na Unicamp, cada docente dará uma palestra no curso em solidariedade ao professor Miguel. O curso terá basicamente o mesmo conteúdo do oferecido pela UnB, “em solidariedade ao professor e em desobediência coletiva contra o autoritarismo e agressão contra a autonomia universitária e liberdade de cátedra”, segundo nota emitida pela Universidade de Campinas.