COMPARTILHE
Ocupação estudantil na Escola Caetano de Campos, em São Paulo

Renata Ferraz não tem dúvidas da importância de trabalhar os direitos humanos: “Atuar nesta perspectiva é garantir a dignidade dos seres humanos, assegurar o acordo essencial que rege a sociedade. É daí que nascem a igualdade, a democracia e a diversidade”, assegura.


No entanto, entende que isso passa pela criação de uma cultura política democrática da qual a educação deve ser propulsora. O que explica parte de sua atuação profissional: mestre em educação, Renata é uma das fundadoras do Pé na Escola, coletivo que busca criar conhecimento, materiais e metodologias de educação política e em direitos humanos para impulsionar a autonomia das escolas nesse sentido.

Em conversa com o Carta Educação, a especialista elencou algumas estratégias para que as escolas e suas equipes pedagógicas desenvolvam trabalhos orientados para assegurar os direitos humanos. Confira!

Ponto de partida

Para Renata, é fundamental que as escolas reconheçam que é papel da educação garantir os direitos humanos. “É preciso ter o entendimento de que todos os indivíduos precisam ter sua dignidade garantida, o que implica em ter direito a opinião, liberdade, identidade, acesso a educação, cultura e saúde”.

Valorizar culturas minoritárias

Outro aspecto fundamental, em sua opinião, é contextualizar a luta pelos direitos humanos. “Mais do que abordar a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal, é necessário apresentar as lutas que levaram a tais resoluções”, coloca.

Isso implica em contar histórias que sejam capazes de revelar a história. “É preciso apresentar as pessoas que estiveram à frente de tais mobilizações, a história das populações marginalizadas e também suas vitórias, sua carga cultural, suas lendas, danças, músicas, aspectos que passam de geração a geração”, enfatiza.

Buscar o diálogo

Também é fundamental que o trabalho se dê em diálogo com os estudantes e respeitando as reais necessidades deles. “Com crianças, é preciso se ancorar no lúdico, trazer essas informações com o apoio das lendas, do folclore, por exemplo; com os mais velhos, já é possível promover debates políticos atuais e relevantes”, afirma.

Renata reforça a importância de priorizar a voz dos estudantes e de contextualizar as questões relativas aos direitos humanos na realidade da escola e do território.

Se posicionar

Segundo Renata, o professor deve se posicionar diante dos fatos e se mostrar preocupado com o destino do mundo. “A filósofa Hannah Arendt já dizia que a educação é feita pelo exemplo e que mais do que ser embrionária de um novo mundo, a educação tem o papel de contar as histórias do velho mundo. Então, penso que os professores não devem chamar os alunos para as revoluções que acredita, mas apresentá-los a elas”, explica.

Buscar referências

Outro ponto benéfico para este tipo de trabalho é o professor buscar referências que possam respaldá-lo. “É possível acessar a literatura e outros materiais, e também os estudantes e seus repertórios, como o rap ou a literatura periférica, por exemplo”, esclarece.

Conhecer o território e buscar interlocutores na comunidade também é bem-vindo em sua opinião.

Permitir consensos e dissensos

As dinâmicas precisam permitir que os estudantes transitem em lugares favoráveis e de oposição. “Não se pode ter medo que os alunos discordem de certas posições”, enfatiza Renata ao reforçar que essa é a base para a construção de uma cultura democrática.