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Créditos: Flickr Commons

É inegável o compromisso que as escolas têm com a formação cidadã. Para tanto, as instituições escolares devem orientar suas condutas e práticas para atender não só a dimensão intelectual dos estudantes, mas também as de ordem física, emocional, social e cultural.


Ao se comprometerem com a cidadania e, portanto, acolherem as pautas sociais, as escolas contribuem com toda a sociedade, já que apoiam crianças e adolescentes na construção do senso crítico e na elaboração de uma leitura de mundo baseada na diversidade e no coletivo.

No Dia Internacional contra a Homofobia, o Carta Educação conta a experiência de cinco escolas que desenvolvem projetos e ações contra as práticas homofóbicas. Confira!

1.  Diversidade na Escola

Esse é o nome do projeto que o Centro de Ensino Fundamental 01, mais conhecido como Centrinho, desenvolve em Planaltina, Brasília. A iniciativa foi desenvolvida para que a escola pudesse refletir em conjunto sobre questões como homofobia, lesbofobia, sexismo, machismo, racismo e também eliminá-las do cotidiano.

Inicialmente pensada por um professor de história da unidade, Alexandre Magno, o Diversidade na Escola foi integrado ao projeto político da escola em 2014, e segue como uma iniciativa permanente.

Projeto aborda temas como homofobia, lesbofobia e sexismo

A cada ano, os estudantes, são em média 1300, e todo o corpo docente é envolvido em rodas de conversa e debates, além de entrarem em contato com filmes e outros instrumentos que trazem a questão da diversidade. A escola também promove parcerias para qualificar os momentos e os amplia para a comunidade, levando formação para além de seus muros.

A iniciativa já rendeu à escola duas premiações, além de tê-la tornado referência no tema. “É a partir do diálogo que vamos rompendo com a estrutura do preconceito ainda arraigada em nossa sociedade. Aqui, tudo é conversado com base no respeito e na construção coletiva”, atesta Magno.

2. Uma questão de acolhimento

A diversidade faz parte da natureza do Cieja Sé Cambuci, instituição da prefeitura de São Paulo voltada à educação de jovens e adultos. Todos os dias, a unidade recebe cerca de 600 estudantes. “Temos a participação de idosos, imigrantes e deficientes; pessoas em situação de rua, moradores de abrigos, e adolescentes em liberdade assistida; e alunas travestis e transexuais e alunos transexuais do programa Transcidadania”, conta a coordenadora geral Maria Adélia Ruotolo.

Estudantes do Cieja trocam de lugar com os professores e ministram palestras

Na unidade, o projeto político pedagógico tem base no acolhimento, condição fundamental para que todos sejam respeitados, se sintam bem e confiantes para desenvolver a aprendizagem. “Aqui, estimulamos os estudantes a serem protagonistas de seus percursos e inclusive trocarem de lugar com os professores”, explica Maria fazendo referência às palestras em que os próprios alunos escolhem o tema e ministram para toda a comunidade escolar.

3. Formação para a vida

No Instituto Casa Viva, escola comunitária localizada no bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte, os estudantes podem cursar disciplinas eletivas, criadas a partir do próprio interesse deles. E foi a partir da eletiva de Psicofarmacologia, ministrada pelo professor de Química, Junior Delabrida, em parceria com os professores de Sociologia e Filosofia, que se desenhou a oportunidade da escola se inserir no tema da homofobia.

Delabrida, que atua em paralelo na Transvest, organização social que tem como objetivo incluir travestis, transexuais e transgêneros na sociedade, cuidou da aproximação com a escola. Ele convidou uma mulher e um homem trans da organização para ministrarem uma palestra na escola e, em um segundo momento, convidou os pais de uma menina transexual para contarem a experiência do ponto de vista da família. Os momentos foram seguidos de apresentação de documentários e filmes e rodas de conversa com os estudantes.

Nina (ativista LGBT), Christian Bravo (professor de sociologia/filosofia), Junior Delabrida (professor de química) e Fernando (aluno do Transvest)

“A escola e nós, professores, não formamos só para o mercado de trabalho ou para os vestibulares. Formamos cidadãos para a vida e, nessa perspectiva, precisamos fazê-los críticos e situá-los perante as pautas sociais que temos. A homofobia e a transfobia ainda não são combatidas em nosso país e, ao abordar essas discussões, acredito que a gente começa a atacar a raiz do problema”, colocou.

4. Semana da Filosofia Brito sem homofobia

Este é o nome do projeto mantido pela Escola Estadual Professor Joaquim Luiz de Brito, localizada na zona norte da capital paulista. A iniciativa surgiu em 2013, a partir do reconhecimento de que a escola precisava atuar sobre o preconceito existente em relação a orientação sexual de seus estudantes.

Desde então, a escola trabalha com ações específicas ao longo do ano como debates e discussões e reserva uma semana do mês de novembro para a organização da semana sem homofobia, que sempre conta com um tema disparador.

Estudantes, professores e parceiros organizam debates e oficinas

No período, alunos e professores se organizam oficinas, exibem filmes e convidam parceiros, como organizações sociais, para fortalecer o desdobramento da temática. Neste ano, a escola trabalhará com o tema Cultura de Paz.

“Trabalhos como este têm o intuito de mostrar que todos são importantes independente de rótulos e opções sexuais. Temos o direito de exercer a nossa sexualidade de maneira integral”, coloca o professor de Filosofia, Fábio Lima, um dos idealizadores do projeto.

5. Quebrando Tabus

No Colégio Estadual Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochón, localizado no Rio de Janeiro, o projeto contra a homofobia é de autoria dos estudantes. Sete adolescentes do Ensino Médio tomam para si a iniciativa pelo desejo de informar a comunidade escolar e assim contribuir para uma vivência respeitosa e acolhedora.

A estudante Natália da Silva Prefeito, 15 anos, uma das integrantes do projeto, conta que o grupo se reúne semanalmente para definir as ações. Neste mês, por exemplo, os estudantes vão apresentar uma esquete sobre casos de homofobia, “a ideia é que agressor e vítima troquem de lugar ao longo da peça, para que sintam na pele como isso é ruim”, explica Natália.

Projeto Quebrando Tabus é desenvolvido pelos estudantes

Para ela, é fundamental que os estudantes sejam os autores da iniciativa. “Somos jovens e, querendo ou não, isso está na nossa vivência”, coloca. Professores e todo o corpo pedagógico da instituição se colocam como mediadores do projeto.

“A escola tem um papel importantíssimo de tirar este tema da invisibilidade. Formamos para a cidadania, ou seja, os meninos não podem olhar só para os seus umbigos, precisam olhar para o coletivo e terem capacidade de intervir, promover mudanças”, avalia a diretora geral Ana Paula Freitas Rodrigues.