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Box Joanninha

Diante do assédio do apelo publicitário e da quantidade de lançamentos do mercado, não é raro vermos as crianças se desinteressarem por brinquedos que ganharam há pouco tempo e já quererem outros mais novos. Buscando uma opção para esse consumismo excessivo que permeia hoje as brincadeiras infantis, em 2011, as amigas Alessandra Piu Sevzatian e Anna Fauaz decidiram largar suas respectivas carreiras na publicidade para se dedicar a um projeto focado em um brincar mais sustentável.


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Assim nascia a loja virtual Joanninha, na qual crianças e pais, em vez de comprar, alugam brinquedos por 30 dias. No fim desse período, as crianças podem trocar por outros inéditos ou renovar o aluguel do brinquedo já em posse por mais um mês. São cerca de 400 opções disponíveis para locação, a maior parte feita em madeira e de pouco apelo comercial. “Não temos brinquedos licenciados ou eletrônicos. A intenção é que a criança seja a protagonista da brincadeira e não o brinquedo. São opções que trazem este repertório de fantasia e sempre com a intenção de promover um tempo de convívio entre criança e família”, explica Anna.

Outra preocupação da loja foi acabar com a divisão de brinquedos por gênero. “Aqui não tem essa de brincadeira de menino e de menina. Os dois podem brincar de cozinha ou de carrinho. E no mercado é cada vez mais difícil, por exemplo, encontrar um fogão que não seja cor de rosa”, lembra Alessandra.

Para fazer parte da rede de compartilhamento, que já conta com cerca de 200 assinantes, é preciso aderir a um dos planos mensais ofertados pela loja. São quatro opções de assinatura, variando de 95 a 180 reais ao mês, e que são convertidos em moedas virtuais próprias da loja, as joanninhas. Estas são trocadas pelos brinquedos, que são entregues em casa sem custo de frete. “A criança pode escolher, por exemplo, um único brinquedo que vale dez joanninhas ou vários brinquedos que, juntos, dão esse valor”, explica Alessandra.

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O projeto deu tão certo que, em 2013, as sócias lançaram outra iniciativa: o Box Joanninha, caixa de atividades com todo o material necessário para a criança construir sua própria brincadeira junto aos pais, entregue mensalmente via correio. “Pensamos nisso porque a criança, hoje, pega tudo muito pronto e com isso perde um pouco da sua criatividade, da habilidade de construir algo”, diz Anna.

A assinatura mensal do box custa 42 reais mais o valor do frete, e a compra da caixinha avulsa, a fim de presentear alguém, sai por 49 reais mais frete. A atividade abrange a faixa etária dos 3 aos 8 anos. Quanto menor a criança, maior é o envolvimento da família na construção do brinquedo. “A gente divulga antes o tema daquele mês, mas não fala qual será a brincadeira. Então tem este elemento surpresa que estimula a curiosidade da criança”, conta Alessandra.

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