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Crianças podem ter deficiências físicas ou motoras e não deixam de ter o anseio da infância: brincar. Os espaços para experimentação adaptados, no entanto, são raros. No Brasil, os primeiros brinquedos acessíveis ao público estão sendo instalados pela Associação Anna Laura, nos chamados Parque Para Todos.


Em um dos brinquedos, as tradicionais escadas rumo ao alto do escorregador foram substituídas por uma rampa larga suficiente para cadeirantes. Do topo, a criança sai da cadeira para escorregar e no meio encontra um “L” para voltar dali para o equipamento ou concluir o percurso. Outra instalação é uma mesa com bacias cheias de areia para quem não agacha até ela no chão.

AL Cord escorrega II
Escorregador para cadeirante

Para balançar, há dois modelos: um pendurado por cordas, mas com cinto de segurança e outro com espaço para um cadeirante entrar e balançar de frente a uma cadeira comum. Há ainda painéis táteis para estimular o sensorial e girassóis gigantes sobre molas que favorecem o controle cervical e o equilíbrio.

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Em São Paulo, dois parques foram instalados no ano passado. Um deles na AACD da Mooca e outro no Parque do Cordeiro, no Morumbi. Os equipamentos são totalmente doados pela associação Anna Laura, instituição criada pelo empresário Rudi Fischer em 2013 para homenagear o nome da filha, que morreu um ano antes em um acidente. “Queríamos fazer algo em seu nome”, explica.

Egresso do mercado financeiro ele havia se aposentado de “trabalhar com fins financeiros” para curtir a infância dos filhos quando ocorreu a fatalidade, que prefere não comentar. “Tenho outros dois filhos e vou com eles ao Parque do Cordeiro”, conta.

A escolha por investir em brinquedos acessíveis ocorreu durante uma viagem a Israel quando viram um brinquedo adaptado. “O mundo da deficiência é muito difícil porque poucas pessoas se envolvem, em geral pais e educadores. É um sorriso mais difícil de se conseguir, mas vale tanto ou mais e resolvemos investir.”

Os parques têm três objetivos: socialização de crianças com e sem deficiência, terapia ao ar livre e lazer. Vicente Bonfim, maquinista foi com a filha de 3 anos e o sobrinho de 6 ao Parque Para Todos do Morumbi e ambos brincaram. “Eles nem sabem que os brinquedos têm uma finalidade diferente, criança simplesmente vê algo diferente e vai experimentar”, comentou.

Na Mooca, a maior parte das crianças está aguardando atendimento e muitos terapeutas passaram a usar os brinquedos. A AACD de Araraquara também ganhou uma unidade e a Associação Anna Laura tem a meta de doar quatro parques por ano. “Temos dezenas de pedidos de todo o País. Este ano vamos instalar um em Natal. No ano que vem, vamos para o Rio e estamos em negociação com instituições de várias partes.”

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Mapa de equipamentos do Parque Para Todos no Morumbi

Com a ação, Rudi espera colocar na agenda a demanda por brinquedos inclusivos. “É uma causa que engaja as pessoas. Não estamos fazendo isso sozinhos, muitas pessoas começaram a nos apoiar”, afirma.