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O olhar vidrado de uma variedade de mamíferos, aves, répteis, entre outras classes de animais, recebe o visitante que adentra o Museu de Zoologia da USP (MZUSP), localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Preservados por meio de técnicas como a taxidermia e dispostos lado a lado, os animais compõem um mosaico que escancara a multiplicidade de formas que a natureza é capaz de assumir.


Só na instituição, entre amostras de fauna atual e fósseis, são cerca de 11 milhões de exemplares, o que a torna uma das mais importantes coleções da fauna brasileira do mundo e uma das mais tradicionais no que diz respeito à pesquisa sobre biodiversidade.

Reaberto no final do ano passado após quatro anos fechado para reformas, o MZUSP passou por uma profunda atualização de sua expografia. “A mostra anterior já estava em cartaz há 10 anos. O público é dinâmico, então tínhamos essa responsabilidade de repensar nossa relação com ele”, conta o museólogo Felipe Alves Elias.

Para a realização da reforma, foi aberto um processo de licitação, cuja a vencedora foi a empresa Expomus Arquitetura. “Dividimos então a exposição em alguns módulos. Como esse é um prédio histórico, construído especificamente para ser o Museu de Zoologia, valorizamos sua arquitetura e também fizemos intervenções mais marcantes”, explica Anna Helena Villela, responsável pela nova expografia ao lado de Eduardo Colonelli.

Para além da questão da biodiversidade, grande vocação da instituição, foram acrescidas linhas mais atuais como a sustentabilidade e participação do ser humano na natureza.

O mosaico de animais escancara a multiplicidade de formas que a natureza é capaz de assumir
O mosaico de animais escancara a multiplicidade de formas que a natureza é capaz de assumir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A evolução das espécies dentro da perspectiva do tempo e do espaço também entrou em cena. “Geralmente, se tem essa ideia de biodiversidade apenas em termos de número absoluto de espécies, mas na verdade ela envolve também tempo e espaço. Para chegarmos na biodiversidade atual, houve todo um processo de grandes transformações biológicas”, explica Elias.

Grandes grupos de animais do passado exemplificam o conceito de extinção em massa, tempo geológico e fósseis. O grande destaque é o gigantesco Tapuiassauro, um dinossauro brasileiro descoberto pela equipe de arqueólogos do museu e um dos poucos exemplares do mundo onde o material craniano está preservado. “Só quatro ao redor do mundo têm registro de crânio e esse é um dos melhores”, diz o museólogo.

Em outro salão, a evolução das espécies é abordada segundo as relações entre os organismos, suas origens, descendências, grupos de pertencimentos e parentescos. “Um exemplo interessante é o das baleias, hoje mamíferos totalmente aquáticos, mas que têm parentesco com hipopótamos, vacas e porcos”, conta Elias.

Sob a perspectiva da evolução dos animais através do espaço, o museu mostra como os grupos de animais se distribuem pelo planeta e quais os fatores que levam a isso. “Há grupos de distribuição cosmopolita e aqueles que são extremamente restritos. Por exemplo, um grupo tipicamente sul-americano são os xenartros: tamanduás, preguiças e tatus. E temos os felinos, que já são animais cosmopolitas”.

Na Sala das Descobertas, atividades convidam o público a vivenciar os bastidores do museu
Na Sala das Descobertas, atividades convidam o público a vivenciar os bastidores do museu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um exemplo curioso de como essa distribuição pode se alterar é dado pelo caso dos leões. Se hoje o animal é símbolo da fauna africana, até 10 mil anos atrás era a espécie com maior amplitude geográfica do planeta depois do ser humano. “Em diversas outras regiões do globo, inclusive na América do Sul, tínhamos leões. Para se ter uma ideia de como isso é recente, os leões-da-caverna, por exemplo, uma subespécie europeia, eram usados nas arenas romanas”.

Para abordar a atual biodiversidade brasileira, o novo projeto trouxe uma solução imersiva. Os dioramas contam com uma impressão em voal de fotos de paisagem, em várias camadas sobrepostas. “Puxamos como se fosse uma lente de aumento sobre os biomas, com casos particulares que ajudam a ilustrar esses contextos. Tem a Amazônia, Pantanal, pampas, florestas atlânticas, caatinga, águas fluviais e oceânicas”, conta Anna Helena.

Outro espaço inovador é a chamada Sala das Descobertas, um espaço interativo utilizado para desenvolver atividades com o público e mostrar um pouco dos bastidores de pesquisa do museu. Ali, simula-se o que é o contexto de uma coleção, são abordadas as técnicas usadas para a salvaguarda e curadoria de diferentes animais e são desenvolvidas as oficinas de sábado. Gratuitas, essas trazem atividades que envolvem desde artes até ciência.

Sucesso entre as crianças, a Caçada no Museu, por exemplo, é uma espécie de caça ao tesouro onde os participantes precisam desvendar, por meio de pistas, a localização de itens do acervo.

As escolas interessadas em agendar visitas ao museu podem optar por uma visita orientada com a equipe educativa da instituição. “O professor pode tanto assumir o trabalho de guiar seus alunos pelo percurso com base em um programa que disponibilizamos como optar por ser assessorado pela mediação de nossa equipe educativa”, diz Elias.