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Com informações do Criativos da Escola


No dia em que a Lei Maria da Penha completa 11 anos, o Carta Educação listou cinco escolas que atuam pela erradicação da violência contra as mulheres a partir de suas práticas pedagógicas. Confira!

1. Figura de mulher: até quando?

No Colégio Estadual José Bonifácio, localizado em Governador Mangabeira, na Bahia, é comum que os alunos busquem temas de seu interesse e um professor que possa apoiá-los no seu desenvolvimento. Uma das alunas do Ensino Médio levou ao professor de Língua Portuguesa, Moacir da Silva Aragão, o desejo de conhecer a Lei Maria da Penha.

Além de separar materiais para leitura e discussão, o docente sugeriu à estudante e seu grupo uma investigação local sobre o tema da violência contra a mulher. As estudantes selecionaram uma rua do município de 20 mil habitantes para descobrir se as mulheres dali já tinham sofrido algum tipo de violência de seus companheiros.

Projeto foi apresentado à comunidade durante Feira de Ciências.

A turma elaborou questionários de pesquisa e foi a campo para aplicá-los, sendo possível conhecer a realidade de 40 mulheres. Delas, 12 já tinham sofrido violência.

As estudantes tabularam os dados com o apoio do professor e fizeram um gráfico e um banner para alertar toda a escola sobre a incidência da violência em uma única rua do município. As alunas também pesquisaram sobre a história de Maria da Penha
“É papel da escola orientar, agora, acredito que ainda é possível buscar articulação junto a outros órgãos para que tragamos mais essa temática para dentro das unidades”, afirma Moacir.

2. #Abusonão

O estudo dirigido realizado na Escola Técnica Estadual de São Paulo retomou uma peça publicitária veiculada pelo Metrô em 2014 que dizia “trem lotado é bom para xavecar a mulherada”. A professora de administração mercadológica Shirlei Paques Pereira partiu do problema para pedir aos alunos que pesquisassem referenciais teóricos e dados sobre a violência contra as mulheres em espaços públicos.

A partir do método design thinking, que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, a professora pediu que os estudantes fizessem uma retratação a partir da peça, conscientizando a sociedade para o problema.

Alunos criaram campanha de conscientização sobre os direitos das mulheres em locais públicos.

“Eles criaram campanhas fictícias para a TV Minuto trazendo os dados pesquisados e imagens reais capturadas pelo metrô de São Paulo. Veiculamos o material na escola durante um mês”, conta a professora. Para ela, a presença destes temas é fundamental nas escolas. “Trabalhamos para formar os estudantes para a sociedade e esse tipo de abordagem reflete positivamente na vida deles”.

3. Teatro do Oprimido

Os alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Manoel Martins dos Anjos, localizada em Estrela de Alagoas (AL), utilizaram técnicas do Teatro do Oprimido para trazer à tona uma situação comum à comunidade de Ipueiras, onde está localizada a escola. Na região, é comum que adolescentes vivam relacionamentos abusivos e, por conta deles, acabem deixando suas famílias ou os estudos.

Alunas durante interpretação da peça. Créditos: Criativos da Escola

Para construir a peça, os alunos buscaram levantar histórias reais e, para isso, contaram com o apoio da comunidade para definir as cenas. Ao longo do processo, a escola organizou várias rodas de conversa e debates abertos.

A peça ficou em cartaz durante o ano de 2016 e por fim ela foi apresentada na Câmara dos Vereadores da cidade e na IV Mostra Alagoana do Teatro do Oprimido, realizada na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió (AL).

4. Movimento Feminista na Escola (Movifemi)

Trabalhar a questão do machismo era fundamental para melhorar a convivência entre os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Eduardo Prado, localizada na  zona leste de São Paulo (SP).

O grupo Movifemi, encabeçado por alunas do 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, e orientado pelo professor Eduardo Kawamura, surgiu após a escola proibir o uso de legging durante as aulas de Educação Física pelas meninas, sob a justificativa de que a peça marcava demais seus corpos e que os meninos não se controlariam.

Créditos: Criativos da Escola

O grupo, que já tem três anos de existência, atua na escola para combater atitudes machistas. Para isso, promove debates e campanhas de conscientização e acolhimento de meninas, além de divulgar conteúdos para que todos se apropriem da temática. O coletivo também frequenta outras escolas da rede promovendo palestras a partir da temática.

A partir da atuação do Movifemi, as alunas passaram a ocupar importantes posições dentro do conselho escolar, uma delas, inclusive a de presidenta. Para além de questões relacionadas ao machismo, o movimento tem fomentado também discussões sobre temas como racismo, homofobia e xenofobia.

5. Curta Maria

Uma das turmas do Centro Educacional 02 de Sobradinho, Distrito Federal, foi a primeira colocada do Projeto Curta Maria, iniciativa realizada no ano passado para memorar os dez anos da Lei Maria da Penha.

Os alunos participantes teriam que elaborar curtas metragens para abordar formas de combate a violência contra a mulher. Os vídeos apresentados foram julgados por cem mulheres que sofreram episódios de violência.

O trabalho vencedor, intitulado “Foi só uma vez”, abordou dados da violência contra a mulher, além de cenas gravadas pelos próprios estudantes para ilustrar os casos das estatísticas.