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Crianças e adolescentes são orientados pelo respeito e acolhimento às diferenças em Arari

Durante o mês de setembro, as ações de prevenção ao suicídio e as reflexões sobre o tema ganham mais projeção a partir da campanha Setembro Amarelo. Iniciada no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a campanha fez suas primeiras ações em 2015, em Brasília. De lá para cá, já foram vistos caminhadas, passeios ciclísticos, iluminação de monumentos públicos, como o Cristo Redentor, e abordagens na rua chamando a atenção para a temática.


Embora a mobilização seja importante, sobretudo em escolas e instituições que lidam com a formação de crianças e adolescentes, a abordagem do assunto deve ser assídua, tendo como balizador as mudanças comportamentais dos estudantes e à vista a superação do estigma de que falar sobre o suicídio é incentivar a prática.

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Na Estação Conhecimento, projeto idealizado pela Fundação Vale, que oferece atendimento e oportunidade de desenvolvimento social às populações socioeconomicamente vulnerável de seu entorno, o suicídio é trabalhado ao longo do ano, em uma atuação conjunta das unidades com a rede de apoio que conta com Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Conselho Tutelar, Secretaria de Educação e Saúde nas localidades de Marabá (PA), Serra (ES), Brumadinho (MG), Tucumã (PA), APA do Igarapé Gelado (PA) e Arari (MA).

O Carta Educação conversou com os gestores de Arari e Serra para entender como o suicídio é trabalhado com as crianças e adolescentes. Conheça essas experiências.

Educação integral

A unidade de Arari planeja ao longo do ano um programa de combate ao bullying, fator que leva ao suicídio de crianças e adolescentes, como explica o psicólogo Flávio Rafael Martins Fernandes. “A nossa estratégia é trabalhar o respeito e o acolhimento às diferenças em todas as atividades”, relata o profissional. O espaço, que oferta sala de leitura, informática e letramento, atividades de dança, música e capoeira, atletismo, natação e futebol.

A estratégia também é seguida pela unidade de Serra, que presta atendimento a 931 crianças e adolescentes, e ainda aposta em grupos reflexivos onde eles são envolvidos em dinâmicas, debates e atividades lúdicas para que possam se expressar livremente. O tema do suicídio e outros comumente cercado de tabu, como a sexualidade, aparecem livremente.

Sala de leitura na Estação Conhecimento de Serra

“Precisamos superar o estigma de que abordar o suicídio é uma maneira de estimular a prática. É preciso ter abertura para falar e, mais que tudo, saber acolher, respeitar a dor do próximo e ser empático”, atesta Flávio.

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Todo o trabalho é acompanhado de perto pela equipe multidisciplinar de atendimento, formada por educadores, psicólogos, assistentes sociais e nutricionista, que passam por uma formação específica a cada seis meses. “A ideia é que eles sejam sensibilizados para o tema, reconheçam determinadas situações e não as normalizem”, explica a diretora da Estação Conhecimento Serra, Ana Angélica Motta.

Segundo os profissionais, as intervenções mais diretas às vezes são necessárias – as duas unidades já vivenciaram casos de automutilação entre adolescentes. O atendimento social, por meio da mediação e diálogo é sempre a primeira estratégia, fase que também considera o envolvimento da família. Depois, se necessário é feito um encaminhamento clínico, com apoio de uma rede de atendimento composta por Centros de Referência d Assistência Social (CRAS), Conselho Tutelar e Secretarias de Educação e Saúde das devidas localidades.

As unidades também são abertas à comunidade em geral e preveem atividades para as famílias das crianças e adolescentes atendidos. “Isso é importante em uma sociedade que preconiza a velocidade, a volatilidade das relações. É preciso resgatar o tempo qualificado, fundamental para a percepção”, finaliza Ana.