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Créditos: divulgação

De 21 a 28 de maio acontece, em todo o território nacional, a Semana Mundial do Brincar. Em sua sexta edição e trazida ao Brasil pelo movimento Aliança pela Infância, a campanha tem como mote principal sensibilizar sobre a importância do brincar para o desenvolvimento infantil.


A partir de um tema disparador – este ano o mote é “O brincar que encanta o tempo” – a iniciativa, horizontal, cria e disponibiliza materiais inspiradores e uma linguagem visual. A ideia é que esses recursos possam apoiar a realização de atividades lúdicas.

“Não há certo ou errado e nem receita pronta. A ideia é que qualquer pessoa, instituição ou escola possa utilizar os materiais como apoio”, explica a coordenadora da secretaria executiva da Aliança pela Infância, Letícia Zero.

Para participar da campanha, não é preciso ter qualquer relação com o movimento e nem validar as práticas previamente. No site da Aliança pela Infância, pede-se apenas a inscrição das atividades para que se possa mapear o engajamento. A partir disso, o movimento atualiza diariamente uma programação geral com as práticas já confirmadas. Estima-se que 250 mil pessoas sejam envolvidas.

Por que brincar?

Para Letícia, o brincar é a linguagem das crianças. É a maneira utilizada por elas para se relacionar com o mundo, passar a conhecê-lo, mapear seus problemas e buscar soluções. “A criança constrói e reconstrói suas referências ao brincar”, atesta.


No entanto, a especialista reconhece que, na contramão da natureza infantil, há um movimento de pressionar as crianças para que cresçam o quanto antes. “Há uma pressão em torno de uma agenda de compromissos, sem que haja tempo livre, ócio. Essa intimidação para que elas se desenvolvam, que brinquem com objetivos de aprender Matemática, por exemplo, ou que adquiram habilidades de um adulto é uma violência. É preciso respeitar o tempo da infância”, explica.

O brincar como política

Tão importante quanto sensibilizar para a importância do brincar é incidir para que a agenda figure entre os compromissos das gestões públicas. E a campanha já vem colhendo frutos nesse sentido.

Nos municípios paulistas de Araçatuba, Botucatu, Guarujá, Guarulhos, Holambra, Presidente Prudente e Santos, a Semana Mundial do Brincar se tornou política pública; o mesmo aconteceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; em Resende, no Rio de Janeiro; e em Juiz de Fora, Minas Gerais.


Em Santos, por exemplo, a Semana Municipal do Brincar foi oficializada pela Lei 3138 de 2015. Embora o município já participasse da agenda desde 2014, a institucionalização permitiu um movimento intersetorial entre as pastas públicas, como explica a chefe da seção de educação infantil do departamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação (Seduc), Fabiana Riveiro de Morais.

“A Seduc é responsável, mas também conseguimos envolver as secretarias de turismo, meio ambiente, cidadania e assistência”, conta. A Semana Municipal ainda conta com o apoio do Sesc Santos e da Rede Marista de Solidariedade.

No município, acontecem várias ações simultâneas. Além de promover reflexões sobre o tempo do brincar aos professores da rede, são ao todo 81 escolas de educação infantil e ensino fundamental, há atos de reivindicação para que alguns espaços públicos acolham as crianças e suas brincadeiras.

Vale Cuidar  

É a partir do programa Vale Cuidar, que tem o objetivo de contribuir para que crianças de 0 a 6 anos tenham acesso às melhores práticas e ferramentas educacionais em seu desenvolvimento, que a Vale se insere na Semana Mundial do Brincar.

Com atuação direta no Espírito Santo, a empresa vai ofertar uma série de atividades gratuitas em seus espaços socioculturais, para resgatar o prazer das brincadeiras e também aproximar as crianças de seus cuidadores, condição entendida como essencial pelo programa.

” Para que as crianças façam suas conexões com o mundo, precisam de estímulos, mas não quaisquer deles. Por isso, entendemos que é fundamental que também os pais, professores e responsáveis aprendam a ler o universo infantil”, explica a analista de responsabilidade social da Vale, Andressa Azevedo.


Entre a programação, destaque ao percurso do trem de passageiros da estrada de ferro Vitória a Minas. Na sexta e sábado, 19 e 20 de maio, um dos vagões – o Vagão Cultural do Trem de Passageiros – vai oferecer oficinas de contação de histórias, de produção de brinquedos e de sons no trajeto entre Cariacica e Belo Horizonte. O Parque Botânico Vale e o Museu Vale também contam com extensa programação.

Nos dias 24 e 25 de maio, será a vez dos professores de educação infantil participarem do workshop com o tema “O brincar, a montagem e o funcionamento de espaços lúdicos”, no Parque Botânico. Ao todo, serão quatro turmas nos dois dias. As inscrições podem ser feitas pelo email [email protected]