COMPARTILHE
Jovens debatem sobre sexismo, machismo e outros temas. Créditos: divulgação

Todos os dias, após o período da escola, Camily Santos, 15 anos, vai para a biblioteca comunitária de sua região, em Morro da Água Quente, um balneário pertencente ao município de Catas Altas, interior de Minas Gerais. Lá, a adolescente se junta a um grupo maior de cerca de 20 jovens, para uma missão: cuidar da gestão do espaço e mantê-lo em funcionamento.


O trabalho voluntário, que acontece há um ano, é acompanhado de perto pela coordenadora Luciene Maria Matoso e enche os envolvidos de orgulho por um motivo bastante significativo: é a primeira biblioteca aberta para a comunidade na região. O outro equipamento do território está localizado dentro de uma escola e atende somente àquele núcleo.

A biblioteca, hoje, em nada lembra o vestiário do ginásio que já foi um dia. Além de um acervo de 500 livros literários, computador e impressora, o espaço traz impresso em suas paredes, entre cores, desenhos e grafites, recursos que dialogam com a identidade do principal público frequentador, os jovens.

Leia Também:
Adolescente lidera projeto de incentivo à leitura no interior do Pará
A democratização da leitura

Além de permitir o empréstimo de livros para a comunidade, a biblioteca também segue uma programação com oficinas e debates semanais e eventos abertos, como a sessão de cinema que acontece na praça. “Eu acabo propondo reflexões com eles sobre temas que são caros para a juventude, como machismo, sexualidade, abuso sexual contra crianças e adolescentes”, conta Luciene, que também já atuou como educadora social.

A estruturação deste espaço só foi possível porque os próprios jovens que hoje atuam na biblioteca participaram ativamente de todo o processo junto à Prefeitura e à Fundação Vale. “Fizemos várias conversas preliminares com esse grupo para entender quais eram os objetivos, o que eles pretendiam com o espaço, para que de fato ele pudesse ser aproveitado pela comunidade”, confirma a analista de responsabilidade social da Fundação, Carla Vimercate.

Para além da reformulação do espaço, que recebeu pintura nova e intervenções no telhado, a Fundação realizou uma pesquisa sobre o perfil leitor no local, para que pudesse ter subsídios para a composição do acervo. Em paralelo, realizou formações com os participantes, que envolveu a oferta de oficinas sobre o conceito de leitura e “sobre o conceito de uma biblioteca viva, que não tem que ser fechada, ser aquele espaço silencioso, sem voz”, reforça a especialista da Vale.

Biblioteca recebeu pintura e intervenções. Créditos: divulgação

Também foram contemplados atividades de mediação de leitura e gestão do acervo para que os jovens possam operar o empréstimo dos livros. Para Camily, um ganho: “além de ser uma iniciativa que veio do nosso esforço, vemos que podemos ajudar a criar um hábito leitor”. A quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita em 2016, revelou que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. A média anterior era de 4 livros lidos por ano.

O projeto desenvolvido pela Fundação Vale em sua frente de atuação pela democratização da leitura e acesso aos livros também aconteceu em outros dois municípios de Minas Gerais, Congonhas e Belo Vale. Este ano, já foi inaugurado mais um espaço de leitura no município de Brumadinho, em Córrego do Feijão.