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As salas multifuncionais são recursos para ampliar a prática de atividades inclusivas

Aproximadamente 10% da população mundial vive com algum tipo de deficiência. Em boa medida, essas pessoas que necessitam de atenção especial estão em países em desenvolvimento, como é caso do Brasil.


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registram 14,5% da população brasileira com algum tipo de deficiência. Trata-se de pessoas com dificuldades para enxergar, ouvir, locomover-se, ou com alguma outra deficiência física ou mental. Na educação, as dificuldades para o aprendizado e desenvolvimentos dos alunos ganham proporções ainda mais dramáticas.

Diante desse cenário, a Fundação Vale estabeleceu parceria com prefeituras de seis municípios do interior de Minas Gerais e com a Associação de Imagem Comunitária (AIC) com o objetivo de efetivar a integração e a inclusão dos estudantes em escolas públicas. A Fundação atua em duas frentes principais: a formação de professores e comunidade escolar na perspectiva da Educação Inclusiva e montagem de salas de recursos multifuncionais com investimento em equipamentos que diminuam as distâncias e permitam que os alunos em situação de inclusão aproveitem integralmente o conteúdo das aulas.

Formação e recursos

O programa é empenhado especialmente na formação de professores e outros trabalhadores da educação nas escolas, além da compra de equipamentos tecnológicos que ajudem na inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais e dos alunos regulares, além de suas famílias.

O investimento é feito a partir da parceria da Fundação Vale e da Vale com as Prefeituras Municipais de seis municípios mineiros: Itabira, Catas Altas, Rio Piracicaba, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais e Santa Bárbara e suas unidades públicas de ensino.

Para viabilizar as salas de recursos multifuncionais, a Fundação avalia junto com a coordenação de ensino os saberes já em exercício, as necessidades locais e os recursos disponíveis. As oficinas de formação são realizadas a partir de atividades expositivas, da realização de jogos, dinâmicas ou proposições em grupo.

Os equipamentos que compõem as salas fazem parte da lista recomendada pelo Ministério da Educação (MEC), como impressora multifuncional, acionador de pressão, software de comunicação aumentativa e alternativa, caixa tátil, alfabeto móvel, alfabetos e impressora braile, calculadora sonora, entre outros.

Até agora, nos seis municípios, foram desenvolvidas 18 oficinas do projeto político pedagógico e 24 oficinas de práticas de educação inclusiva em salas com capacidade de integrar comunidade escolar a estudantes com deficiências.

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A ideia, segundo a diretora presidente da Fundação Vale, Isis Pagy, é montar uma sala de recursos multifuncionais e implantar um programa de mobilização e formação de públicos ligados à rede pública de ensino, de maneira que a educação inclusiva seja uma causa das escolas, das famílias e da comunidade.

“Dessa forma, a iniciativa visa a criar condições para que a sala de recursos multifuncionais seja um equipamento integrado à escola, na perspectiva ampla de disseminação de práticas educacionais inclusivas na rede pública de ensino”, afirma Isis.

Em Itabira, a Fundação Vale entregou uma sala multifuncional no final do ano passado, que soma a outras nove presentes no município. Ao todo, 230 estudantes recebem atendimento no contraturno escolar via Centro Municipal de Apoio Educacional de Itabira (CEMAE), que atua com uma equipe multiprofissional com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, profissionais do serviço social e professores. Além disso, 25 professores da rede municipal receberam uma formação específica, também dada pela Fundação Vale, que corrobora com a necessidade de práticas educacionais na perspectiva inclusiva.

“Lidamos com um atendimento pedagógico para orientar e favorecer o processo de inclusão. Por isso, o nosso foco são as habilidades dos estudantes, mapeamento que fazemos em articulação com as escolas e professores das salas de aula regulares”, conta Cleusa Aparecida Reis, diretora do CEMAE. A especialista reforça que esse é o caminho para uma efetiva inclusão educacional: “além de se tratar de um direito, a possibilidade desses alunos serem inclusos é muito maior no meio social do que fora dele”, finaliza a especialista.