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Primeiro, um convite a ficar em silêncio por 15 minutos, apenas observando seus pensamentos. Depois, a ideia de fazer um registro deles e incorporar a prática ao dia a dia. Essa é apenas uma das 62 ações trazidas pela obra Viva Este Livro, da autora Camila Piva, publicada pela Ciranda Cultural.


O livro tem o propósito de trabalhar o autoconhecimento dos leitores, sejam crianças, adolescentes ou adultos, como explica a autora. “O autoconhecimento permite às pessoas uma maior compreensão de suas emoções e ajuda na valorização da personalidade, que reflete diretamente na autoestima e na potencialidade de realização de sonhos e projetos. É um caminho para a plenitude emocional, que nos permite viver em equilíbrio conosco e com os outros ao nosso redor”.

Em entrevista ao Carta Educação, Camila Piva fala sobre o nascimento da obra e de como as ações podem ser incorporadas pelas famílias e pelas escolas. Confira!

Carta Educação: Como surgiu a ideia do Viva Este livro?
Camila Piva: Surgiu de um processo de autoconhecimento que passei há alguns anos. Estava em busca de viver uma vida mais consciente e de revelar mais de mim mesma. Deste processo surgiu minha vontade de escrever e de trabalhar como escritora. Então, juntei muito do que aprendi nesta jornada e comecei minha vida de autora justamente por este livro, uma obra que ajuda as pessoas a se conhecerem melhor por meio de ações lúdicas e interativas.

CE: Qual é a proposta da obra?
CP: O livro possui 62 ações que auxiliarão o leitor no autoconhecimento e a questionar quem ele é, o que quer para si e para o mundo, quais são suas aptidões, o que o faz feliz, entre outras coisas. Ao final da vivência, o leitor é convidado a selar o livro por 10 anos, para no futuro resgatá-lo e encontrar ali seu eu do passado, que responderá algumas questões e ampliará um pouco mais a consciência de si mesmo. Minha intenção é despertar as pessoas para viverem plenamente e harmoniosamente suas próprias essências.

CE: Qual a importância de se trabalhar o autoconhecimento?
CP: O autoconhecimento permite às pessoas uma maior compreensão de suas emoções e ajuda na valorização da personalidade, que reflete diretamente na autoestima e na potencialidade de realização de sonhos e projetos. É um caminho para a plenitude emocional, que nos permite viver em equilíbrio conosco e com os outros ao nosso redor.

CE: Como o livro provoca o autoconhecimento em crianças, adolescentes e adultos?
CP: As atividades interativas foram elaboradas com este propósito. São atividades que vivenciei e encontrei em diversas ocasiões e lugares onde busquei formas de encontrar a mim mesma. Outras ações foram inspirações que me surgiram em períodos de meditação. O livro permite que as pessoas exerçam sua criatividade de forma livre e espontânea, não há regras, e isto abre um espaço de conforto e contato do eu consciente com o eu que ainda não está revelado.

CE: Fale um pouco sobre as ações apresentadas no livro, o que elas buscam? Como os temas escolhidos apontam para o autoconhecimento?
CP: Umas das ações que mais gosto é a ação do silêncio. Um convite a ficar 15 minutos em silêncio apenas observando seus pensamentos, depois disso o leitor escreve no próprio livro tudo que sentiu ou passou pela sua cabeça. O convite se estende a uma sugestão de prática diária. Eu, particularmente, pratico o silêncio todos os dias. Outro exemplo é a primeira ação do livro,  Lema, que se trata de criar ou reproduzir um lema, ou seja, uma frase que sirva de motivação para o leitor. Só de pensar em uma única frase que represente algo que nos motiva já nos revela algo de nós mesmos.

Além disso outras ações do livro vão usar o lema escolhido para que o leitor a manifeste no mundo, por meio de símbolos, recortes ou pequenos bilhetes. A intenção é motivar a criança ou o leitor de outras faixas etárias a se manifestar. Uma ideia deve ser manifestada. Precisamos sentir e usufruir da liberdade que temos de dizer o que pensamos.

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CE: Essas atividades podem ser levadas para fora do livro, por exemplo, serem incorporadas pelas escolas e famílias?
CP: Sim, recentemente estive numa escola estadual que adotou o Viva Este Livro na disciplina de artes. Foi incrível. Eu apresentei uma palestra surpresa para alunos e acabei surpreendida com muitas reações de carinho e depoimentos de como o livro tem os ajudado a parar para pensar em si e no querem para o mundo e para as vidas deles. Além disso, já recebi feedbacks e fotos de famílias que estão vivendo o Viva Este Livro de forma compartilhada. É uma forma de aproximar a todos em uma atividade off-line e, também, de ouvir o que cada membro da família tem a dizer sobre sua visão de mundo.

Uma atividade muito bacana de se fazer em família é a ação 50, onde o leitor tem que fazer uma colagem, desenho ou texto sobre como seria “um mundo perfeito”. É intrigante e muito divertido conhecer a visão de mundo perfeito do outro. E claro, parar para pensar no nosso mundo perfeito também.

CE: Como garantir que essas atividades garantam a autonomia e o autoconhecimento de crianças? Algum cuidado específico na hora de prevê-las?
CP: Todas as ações que precisam da supervisão de um adulto estão sinalizadas no livro. Se pelo menos uma ação for feita e refletida com sinceridade, uma parte deste leitor será revelada. Importante ressaltar que o autoconhecimento é um caminho para toda nossa vida, cada etapa e desafio que enfrentamos nos revelará uma faceta de nós mesmos. O mais importante não é o conhecimento total de si, mas a consciência de si, hoje, agora e o que fazemos com isto.

CE: Qual a importância dessas atividades serem revistas depois de um período de 10 anos, como sugere a obra?
CP: É uma forma de reestabelecer contato. Reviver memorias e comparar o que mudou, o que permanece igual e o que deve ser resgatado. Um reencontro bonito com nosso passado, um exercício de amor e gratidão pela pessoa que fomos e pela que nos tornamos. Uma nova aliança poderá ser feita neste resgate. É preciso saber de onde partimos e para onde queremos ir.