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Literatura moçambicana
Livro inaugura série Contos de Moçambique

Nos tempos antigos, o mundo era pequeno, palpável e vivia em paz. Era quando homens e animais conviviam trocando gracejos, repartindo benfeitorias e delimitando zonas de influência. Certo dia, sem razão aparente, os pássaros aproximaram-se dos homens e pediram ajuda para escolher um chefe.


A resposta dos homens veio logo: “O mocho! Por causa dos chifres que embelezam a sua cabeça”. Mas seriam chifres mesmo o que os mochos possuem ou só penas em formato de chifres?

O Rei Mocho narra uma tradicional fábula moçambicana de origem sena, etnia do centro do país, que mostra as consequências de uma mentira. Escrita pelo conterrâneo Ungulani Ba Ka Khosa, a versão trazida no livro introduz o homem como o responsável pela desordem que passa a imperar entre os seres.

Como moral, a importância da honestidade na vida pública, pois nas palavras do próprio autor “o crime moral, ético, é tão ou mais cruel que os outros crimes”.

O livro inaugura a série Contos de Moçambique, que totalizará dez volumes. O projeto nasceu da colaboração entre a Escola Portuguesa de Moçambique e a espanhola Fundació Contes pel Món, em Barcelona.

Ao fim, a obra traz ainda o significado de palavras e expressões da língua e realidade de Moçambique como “encavalitar-se”, “paredes-meias”, “chilrear”, “trilar” e “alcandorar-se” e a versão original do conto, que dentro do povo sena é transmitido oralmente de geração em geração.

As ilustrações do também moçambicano Americo Amos Mavale trazem colorido à narrativa e foram feitas a partir da técnica milenar do batique (ou batik), tipo de pintura em tecido feita à mão, representativa da cultura do país. O processo é trabalhoso e demorado: cobre-se com cera desenhos feitos sobre o tecido. Este último é tingido, escorrido e colocado para secar. Após esta etapa, a cera desaparece dando lugar aos desenhos.

O Rei MochoO Rei Mocho
Autor: Ungulani Ba Ka Khosa
Ilustração: Americo A. Mavale
Editora Kapulana, 2016