COMPARTILHE

Ao redor do enorme Ipê-amarelo, as árvores do pomar parecem pequenininhas. Do alpendre dá pra ver as pastagens, a cachoeira, e o fabuloso Rio Doce. Do jirau dá pra ver o mundo – até a floresta Amazônica e os cangurus da Austrália, se você olhar bem. Mas o melhor de tudo são as conversas com vovó Carolina. Prosa que revela histórias que passaram de geração em geração, atiçando as noites à beira do fogão de lenha. Assim é a vida no Sítio de Cima, onde a narradora de ‘Uma história dentro da outra’ e ‘Lendas do rio Doce’ busca inspiração, cavucando a memória que não é só sua, mas de todo uma comunidade.


A baía do Rio Doce – enorme território às margens do rio que cruza parte de Minas Gerais e do Espírito Santo – foi palco, em 2015, de um dos maires desastres ambiental do Brasil. Mas não foi só a vida fluvial, a fauna e a flora ao redor que sofreram as consequências terríveis da tragédia. Tão exuberante quanto o ecossistema, a cultura e o imaginário do povo ribeirinho também vêm passando por perdas inestimáveis desde que o mar de lama tóxica invadiu municípios. As lendas e causos reunidas neste livro dão mostras de como é forte a cultura popular erguida ao redor do Rio Doce, e de como é importante preservá-la.

Nesse ir e vir entre o íntimo e o popular, Geny Vilas-Novas cria um livro de grande voltagem poética, que ajuda a preservar a memória e a cultura atrelada ao Rio Doce, e ao mesmo tempo em que incita a imaginação e celebra a graça dos afetos. Uma viagem que ainda mais atraente com as ilustrações de Flávio Colin