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fotobiografia ana c.
Ana Cristina Cesar, Rio de Janeiro, 1982. Foto de Rogério Carneiro

Não poderia ser mais oportuno o poema escolhido para abrir Inconfissões: fotobiografia de Ana Cristina Cesar, lançado nesta quinta-feira 30 pelo Instituto Moreira Salles. Em Como rasurar a paisagem, Ana Cristina Cesar escreve “a fotografia/ é um tempo morto/ fictício retorno à simetria”.


Grande homenageada da 14° Festa Literária de Paraty (Flip), Ana foi um dos nomes mais importantes da poesia brasileira. Morta precocemente em 1983, aos 31 anos de idade, vasculhar sua poesia, correspondência, rascunhos, desenhos e fotografias não deixa de ser uma tentativa de recompor esse “tempo morto” e se aproximar de quem foi a jovem poeta carioca, tão enigmática e sedutora.

Organizado por Eucanaã Ferraz, poeta e consultor de literatura do IMS, Inconfissões guia o leitor nessa empreitada de descoberta por meio de uma narrativa que associa texto e imagem para traçar um perfil das múltiplas “anas” coexistindo na mesma mulher: a pequena garotinha, a poeta, a desenhista, a tradutora, a viajante.

Além das fotografias sob a guarda do IMS e de acervos pessoais, compõem o livro textos sobre Ana Cristina escritos a partir de suas memórias afetivas por amigos e mesmo pessoas que nunca a conheceram, mas que foram tocadas por sua obra. Entre eles, Armando Freitas Filho, Heloisa Buarque de Hollanda, Flavio Cruz Lenz Cesar e Alice Sant’Anna.

O texto de Heloisa Buarque de Holanda acompanha uma fotografia feita em Búzios, nos anos 70, onde as duas colocaram de pé o livro Cenas de abril, o primeiro da poeta. “Ana passava longas temporadas lá comigo, embalada a vento, areia, mar e muita conversa”, conta.

A última parte da obra traz uma cronologia da poeta com os eventos mais marcantes de sua vida.

Ana C.Inconfissões: fotobiografia de Ana Cristina Cesar
Autor: Ana Cristina Cesar
Organizador: Eucanaã Ferraz
IMS, 2016