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Nas cartas, Freire contava como era o mundo lá fora, no caso, o Chile do exílio

Durante os anos que esteve exilado no Chile com sua família, o grande educador brasileiro Paulo Freire manteve uma correspondência frequente com muitos amigos, colegas, intelectuais e familiares.


Entre eles, estava a pequena Nathercia Lacerda, sua prima de segundo grau, que na época tinha apenas 9 anos – sua interlocutora mais jovem. Por meio das palavras do primo/tio, Nathercinha, como era chamada, conseguiu imaginar como era a vida fora do País e as marcas opressivas deixadas pela ditadura militar no Brasil.

Mais do que isso, as cinco cartas trocadas entre os dois, que começam em 1967 e vão até 1969, revelam a preocupação de Freire com a educação e a infância. Em um dos textos, aconselha a menina: “Cresça, mas nunca deixe morrer em você a Natercinha de hoje, que começa a descobrir o mundo, cheia de curiosidade. Se os homens não deixassem morrer dentro deles o menino que eles foram se compreenderiam melhor”.

Além da correspondência, a obra traz um gracioso recorte de memórias (incluindo a árvore genealógica da autora), fotografias de família e outras lembranças. A conclusão fica por conta de uma carta escrita por Madalena Freire, filha do educador.

Um livro que assume um tom familiar e aconchegante e que permite um vislumbre do pensamento e pedagogia do saudoso Paulo Freire.

capaA casa e o mundo lá fora – Cartas de Paulo Freire para Nathercinha
Autor: Nathercia Lacerda
Ilustração: Bruna Assis Brasil
Zit, 2016