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Ilustração de Odilon Moraes para o conto de Jane Cimbelli
Ilustração de Odilon Moraes para o conto de Jane Cimbelli

Marcela aprendeu os números,
O, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12.
O pai achou bacana:
– Agora Marcela pode comprar banana!
Vai na quitanda da esquina
E pede uma dúzia, menina.


Marcela aprendeu os números
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12.
A mãe ficou contente:
– Agora Marcela pode ajudar a gente.
Vai buscar doze pãezinhos
Escolha os mais tostadinhos.




Leia atividade didática inspirada neste conto
Por Luísa Nóbrega e Maria José Nóbrega
Ano do Ciclo: 2º a 3º anos do Ensino Fundamental
Objetivos de aprendizagem: Relacionar o tratamento dado à rima aos efeitos de sentido que provoca; Estabelecer relações intertextuais; Apoiar-se em textos conhecidos para produzir outros
Tempo de Duração: 5 aulas

Em Uma História da Hora, Jane Ciambelli cria um poema lúdico para os pequenos leitores que estão aprendendo a ler horas, propondo relações entre numerais representados por palavras ou algarismos. Em uma série de estrofes rimadas – as três primeiras de seis versos cada e as demais de dois versos –, o poema narra de que maneira a menina Marcela, ao aprender a contar e a ler as horas, vai, progressivamente, se integrando ao cotidiano da família.As horas, aqui, são vistas como elementos que permitem jogar e dialogar com a realidade, propondo maneiras de escolher como se quer dividir o tempo.

1) Veja se seus alunos percebem o duplo sentido do título do conto. Será que conhecem a expressão da hora, comentário genérico de teor positivo, que possui um sentido similar a expressões como legal, bacana, entre outras? Diga a seus alunos que procurem perceber, no decorrer da leitura, se o poema dialoga mais com o sentido literal ou figurado da expressão.

2) Retome com a turma a divisão do poema em versos e estrofes.

3) Como se trata de um poema rimado, a sonoridade das palavras possui tanta importância quanto o seu sentido. Pode ser interessante propor uma leitura em voz alta, em forma de jogral, deixando cada estrofe a cargo de um aluno.

4) Chame a atenção para a presença das rimas, presentes em todo o texto.

5) Analise as três primeiras estrofes, para que seus alunos percebam como todas elas possuem uma mesma estrutura: 1. Os dois primeiros versos, absolutamente idênticos, são os únicos não rimados. 2. O terceiro verso sempre introduz a opinião de algum dos membros da família sobre o fato de Marcela ter aprendido a contar: na primeira estrofe, trata-se do pai; na segunda, da mãe; na terceira, da avó, terminando com um sinal de dois pontos. 3. O quarto verso, que rima com o terceiro, começa com o travessão, introduzindo a fala do personagem apresentado na estrofe anterior. 4. Os dois últimos versos, mais curtos, também rimam entre si.

6) Convide seus alunos a criarem uma nova estrofe de seis versos com a mesma estrutura, apresentando a reação de outro membro da família ao fato de Marcela ter aprendido a contar até 12. Pode ser o primo (a), o avô, o tio ou tia, a bisavó, a irmã ou irmão.

7) Veja se as crianças percebem como a partir da quarta estrofe uma nova estrutura se repete: o primeiro verso apresenta uma hora do dia em que os algarismos das horas e dos minutos são os mesmos (1:01, 2:02, 3:03, e assim por diante), numericamente e por extenso, enquanto o segundo verso, que invariavelmente rima com o verso anterior, sempre apresenta uma atividade que, hipoteticamente, poderia ser feita naquela hora.

8) Anote horários diferentes daqueles que aparecem no decorrer do texto em pequenos pedaços de papel e sorteie dois ou três por aluno, propondo que escrevam um segundo verso rimando com a hora sorteada, no qual imaginem alguma coisa que pudesse ser feita nesse momento.

9) Nos dois últimos versos do poema, lemos: Pra viver o gostoso de cada agora/ Marcela aprendeu a ver a hora. Será que ver a hora nos ajuda mesmo a viver o momento presente? Converse um pouco a respeito do assunto.

10) Ouça com seus alunos a canção A pulga, de Vinicius de Moraes e Toquinho, que também brinca com as possibilidades lúdicas da contagem dos números.

11)Proponha a realização de uma pesquisa a respeito da história dos relógios. Quando e de que maneiras o homem começou a contar o tempo. Veja se seus alunos descobrem quantos outros tipos de relógio existem: a ampulheta, a clepsidra, o relógio de sol…


Marcela aprendeu os números
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12
A avó ensinou a beleza das horas:
– Quando os números se repetem, a gente comemora!
E Marcela descobriu de repente
As horas que são de ficar contente.

01:01 – uma e um
Ninguém escuta se você solta um pum.

02:02 – duas e dois
Deixar uma coisa chata para depois

03:03 – três e três
Fechar os olhos e dormir outra vez.

04:04 – quatro e quatro
Lembrar as risadas que deu no teatro.

05:05 – cinco e cinco
Pendurar uma fita com sino no trinco

06:06 – seis e seis
Comer misto-quente no pão francês.

07:07 – sete e sete
Passear com um pônei puxando a charrete

08:08 – oito e oito
Lamber o recheio do seu biscoito

09:09 – nove e nove
Fazer piquenique porque não chove

10:10- dez e dez
Correr para o mar e molhar os pés

11:11 – onze e onze
Hora de dormir, toca o sino de bronze

00:00 – zero hora
Pra viver o gostoso de cada agora
Marcela aprendeu a ver a hora.