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A história é ambientada durante a Segunda Guerra Mundial.
Félix Bossuet interpreta um órfão em Belle e Sebastian.

Crianças ao lado de animais costumam proporcionar uma isca das mais eficazes para capturar a atenção e a emoção do espectador. Os filmes e seriados de tevê protagonizados pela cadela Lassie e pelo golfinho Flipper, sempre acompanhados na tela por meninos e meninas, são exemplos populares de uma parceria bem-sucedida que a produção francesa Belle e Sebastian consegue reeditar de modo assumidamente sentimental e engrandecedor.


Para as gerações mais jovens, o título do filme remete a uma banda escocesa de música pop criada em 1996. Trata-se, porém, de uma homenagem dos integrantes a dois personagens clássicos da literatura infantojuvenil francesa, a cadela Belle e o menino Sebastian (no original, Sébastien). Criados pela atriz e escritora Cécile Aubry (1928-2010), eles ganharam visibilidade graças a um seriado de tevê, que estreou em 1965 e foi muito reprisado.

Em 1980, os personagens apareceram também em um anime (desenho animado) japonês. Só em 2013 chegaram ao cinema, no filme recém-lançado no Brasil. Mas, o sucesso levou a uma continuação, que deve estrear na Europa ainda em 2015. O estreante Félix Bossuet, hoje com 10 anos, interpreta Sebastian, um órfão que vive na região dos Alpes.  Garfield, cão pastor de 75 quilos, faz o papel de Sebastian.

A história é ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, no período em que a França foi ocupada por tropas alemãs. De um lado, temos uma circunstância meramente rural: os moradores do lugar estão furiosos com o predador (na suposição deles, Belle) que ataca seus animais durante a noite, e se organizam para uma armadilha que dê cabo dessa ameaça. Apenas Sebastian acredita que a cadela seja inocente.

De outro lado, a trama explora também uma circunstância política. Soldados alemães vigiam a região porque funciona ali uma rota de fuga para integrantes da Resistência. Como ocorreu naquele período, as relações das tropas invasoras com os moradores são ambíguas; enquanto muitos franceses se tornam colaboracionistas, preocupados com a própria sobrevivência, outros entendem que é preciso ao menos dificultar a vida dos nazistas.

Belle e Sebastian opera então um cruzamento entre uma história de amor – a que aproxima um menino de um cão selvagem – e uma trama de reverberação sociopolítica, preocupada em recriar o cotidiano de um vilarejo francês sob a ocupação. Ao fazer isso, ganha dois focos de interesse dramático em sua busca pelas lágrimas do espectador. Tende a ser bem-sucedido, sobretudo para quem procura no cinema um caldeirão de emoções.