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Cena do filme A Grande Ilusão

1) A Grande Ilusão (1937) – Jean Renoir


Seria a “guerra para acabar com todas as guerras”, como muitos ingenuamente acreditavam. Amarga ilusão. Ou, como prefere assinalar o título docélebre longa-metragem dirigido pelo francês Jean Renoir, essa era… A Grande Ilusão (1937). Ambientado em um campo alemão de prisioneiros durante a Primeira Guerra Mundial, o filme – coescrito por Renoir e pelo belga Charles Spaak – acompanha dois soldados franceses (interpretados por Pierre Fresnay e Jean Gabin) que estão presos em companhia de soldados de outras nacionalidades. O convívio entre todos eles e seus algozes dá início a um debate que parece fora de lugar, e que se inscreve no domínio da ética: mesmo em tempos de guerra, homens devem continuar a se respeitar, e a respeitar um mesmo código moral, ainda que estejam a serviço de diferentes bandeiras e interesses? Renoir convida o espectador a uma reflexão que não se aplica unicamente à Primeira Guerra Mundial, mas que se alimenta das circunstâncias específicas daquele conflito. Há uma elegante civilidade nas discussões entre os soldados de A Grande Ilusão, como se coubesse a eles encontrar um modo de convivência que escapou aos líderes políticos de seus países. Filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir, o grande cineasta francês – um dos mestres da geração que fez  nouvelle vague, na virada dos anos 1950 para os 1960 – viria a contrastar o aspecto “romântico” da Primeira Guerra Mundial com a brutalidade da Segunda Guerra Mundial em A Regra do Jogo (1939), que flagra um certo mal-estar europeu pré-conflito.

2) Glória Feita de Sangue (1957) – Stanley Kubrick

Censurado durante anos na França, o polêmico drama de guerra antibelicista de Stanley Kubrick (2001, Laranja Mecânica) é inspirado em episódio verídico sobre um tribunal militar de exceção que julga soldados franceses acusados de insubordinação durante a Primeira Guerra Mundial. Um corajoso oficial (Kirk Douglas) assume a sua defesa.

3) Adeus às Armas (1957) – Charles Vidor

 

Segunda versão para cinema do romance do norte-americano Ernest Hemingway, com direção de Charles Vidor e roteiro assinado pelo dramaturgo Ben Hecht (parceiro habitual de Billy Wilder). Um tenente que trabalha como motorista de ambulância (Rock Hudson) e se apaixona por uma enfermeira (Jennifer Jones) na Itália ainda sob conflito.

4) Dr. Jivago (165) – David Lean

Superprodução dirigida pelo inglês David Lean (Lawrence da Arábia) que recria os ecos da Primeira Guerra Mundial na Revolução Russa de 1917. Lembrado principalmente como um grande filme romântico, ele tem como protagonistas um médico e poeta (Omar Sharif) e a mulher de um ativista político (Julie Christie) por quem ele se apaixona.