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Colesterol
O colesterol circula no sangue encapsulado por lipídios e proteínas

É comum encontrarmos nos rótulos de produtos industrializados a porcentagem de colesterol contida nos alimentos. Algumas empresas fazem a sua propaganda indicando a redução do colesterol e outras exibem a ausência desse tipo de substância no alimento embalado. O que é o colesterol? É algum produto químico, algo que ingerimos ou algum tipo de substância que o organismo humano produz?


Levante essa pergunta e discuta com os alunos. Aqueles que concluíram que podem ser as três alternativas mencionadas, estão no caminho certo. O nosso organismo produz o colesterol, uma substância que também faz parte da composição química do nosso sangue por meio da ingestão de alguns tipos de alimentos, naturais ou não, que possuem o colesterol na sua formulação.

Leia atividade didática de Química baseada neste texto

Competências: Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana

Habilidades: Caracterizar susbtâncias, identificando implicações biológicas de sua obtenção ou produção; identificar padrões em fenômenos dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno

1) Discuta com a sala o caminho do colesterol exógeno, proveniente da dieta com alimentos processados e também de alimentos naturais, como a carne vermelha. Observando a fórmula molecular do colesterol, que contém 27 carbonos: Como ele entra na corrente sanguínea?

2) Comente com a sala que um alimento começa a sua digestão ainda na boca, na presença de enzimas salivares, a seguir vai para o estômago e finaliza no intestino, onde as moléculas de colesterol provenientes desse alimento são absorvidas pelo trato intestinal, emulsificadas, digeridas pelas enzimas, encaminhadas à mucosa intestinal, linfa e finalmente entram no tecido muscular para gerar energia e formar o tecido adiposo. As sobras são capturadas pelo colesterol bom e voltam para o fígado, para formar resíduos que posteriormente são reciclados a novas substâncias e excretados pelo organismo.

3) Questione o que acontece se uma pessoa insistir em ingerir alimentos muito ricos em colesterol. Provavelmente, os alunos vão responder que o organismo não consegue retirar todo o excesso. Explique que é esse excesso o responsável pela formação dos ateromas, AVCs, enfartes e outras doenças.

4) Sugira a seus alunos que levem para a sala de aula rótulos de diferentes alimentos como manteigas, margarinas e azeites que prometem reduzir a taxa de colesterol do organismo. Pergunte se realmente é possível reduzir o colesterol após a ingestão desses produtos. Peça que relacionem toda a discussão anterior com essas informações. Dentro do que foi discutido, como percebemos se é possível ou não que isso aconteça? Qual o caminho desse colesterol após a sua ingestão?

5) A ingestão de produtos com colesterol aumenta a taxa dos indesejáveis, mas alimentos considerados mais saudáveis, aumentamos a ingestão do bom colesterol, o que facilita a retirada de LDL do organismo. Vale lembrar que há alimentos que estimulam o funcionamento do intestino, impedindo a absorção do colesterol exógeno, proveniente de má alimentação. É aí que entra a orientação médica sobre a importância de uma alimentação correta, rica em fibras naturais, grãos como a castanha, cereais, sementes de linhaça, quinoa, frutas, vegetais e óleos vegetais. Como todos eles fornecem gordura, rica em calorias, a ingestão deve ser moderada, com pequenas doses diárias.

O que é, afinal, o colesterol? Trata-se de um composto químico que se comporta como uma gordura, um lipídio, mas bioquimicamente falando, é um álcool que se apresenta na temperatura ambiente como um sólido cristalino, branco, inodoro, sem sabor, insolúvel em água e essencial para a vida, fazendo parte dos tecidos de todos os animais. É um componente importante para que o organismo faça a produção de hormônios, sais biliares e vitamina D.

Há duas fontes de colesterol para o nosso corpo: uma delas é a síntese celular, no fígado, que produz o colesterol endógeno, e a outra são os alimentos que ingerimos na dieta alimentar, colesterol exógeno.

Vale lembrar que o organismo trabalha com um sistema compensatório, isto é, quanto mais colesterol proveniente da fonte chamada de dieta alimentar, menor a produção do colesterol endógeno. E, esse colesterol endógeno tem um papel importante no organismo, é ele que retira do sangue o colesterol ruim, responsável por doenças coronárias.

Por se tratar de uma molécula insolúvel em água, formada por C27H46O e consequentemente insolúvel no sangue, o colesterol para ser transportado pelo sangue se liga às moléculas de algumas proteínas e de lipídios, formando substâncias novas que recebem o nome de lipoproteínas. Para facilitar o conhecimento podemos imaginar que o colesterol fica encapsulado pelos lipídios e proteínas e isso facilitará a sua circulação pelo sangue.

O bom e o mau colesterol
São vários os tipos de lipoproteínas e para diferenciá-las, utiliza-se o conceito da densidade. Lipoproteínas de alta densidade são chamadas de High Density Lipoproteins, mais conhecidas por HDL, o chamado bom colesterol. Em um exame de sangue, é interessante que a taxa do bom colesterol apareça elevada.

Aquelas partículas de menor densidade são nomeadas de Low Density Lipoproteins, ou LDL, e essas transportam a maior quantidade de colesterol do organismo. O LDL é formado por partículas pequenas, menos densas e em excesso, que são capazes de se prenderem às paredes das artérias, formando os chamados ateromas que nada mais são que a deposição de placa lipídica, placa de LDL. Ao longo de certo tempo elas sofrem oxidação e se combinam com o cálcio do sangue, endurecendo-se e prendendo-se em lugares indesejados. Portanto, é o LDL que carrega o colesterol do fígado até os tecidos.

A presença dessa placa, o ateroma, obstrui a passagem do sangue, porque a artéria fica com espaço reduzido para a passagem da corrente sanguínea e, portanto, a pressão arterial pode aumentar, forçando a passagem do fluxo sanguíneo e acarretando sintomas indesejados no indivíduo, como a dor de cabeça, por exemplo.

Já a lipoproteína de alta densidade, o colesterol HDL, circula através do sangue fazendo um sistema reverso, transportando o colesterol dos tecidos de volta para o fígado, porém, a passagem do HDL pelas artérias que contêm placa de LDL força a retirada do excesso de colesterol ruim dos tecidos e o carrega para o fígado para ser utilizado na síntese dos sais biliares.

Esse processo de limpeza das artérias é importante para a prevenção de problemas cardiovasculares. Daí, o HDL ser conhecido como o bom colesterol. Além disso, o HDL tem função importante na síntese de várias vitaminas lipossolúveis, solúveis em gorduras, como, por exemplo, a vitamina D, necessária na formação óssea.

* Elisabete Rosa é coordenadora e professora dos Laboratórios de Química do Colégio Bandeirantes, São Paulo