COMPARTILHE
Um jovem negro corre 5 vezes mais risco de ser morto do que um homem branco no Nordeste
Movimento negro protesta contra violência em São Paulo

Aprender a ler o mundo em toda a sua complexidade é um desafio que se impõe a toda pessoa que queira se inserir no cotidiano do mundo. Diariamente somos expostos a textos e dados que nos informam sobre como a sociedade funciona e se estrutura. Entretanto, a leitura dessa informação não é tão simples de ser feita e nem sempre é suficiente para gerar iniciativas e determinar atitudes ou posições que contribuam para a transformação da realidade.


Leia proposta de redação inspirada neste texto e baseada na matriz do Enem
Competências Confrontar opiniões e pontos de vista
Habilidades Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos, e recursos linguísticos; Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público

Discuta e produza um manifesto sobre a violência contra a juventude

1. Em grupos, os estudantes podem analisar dados estatísticos sobre a violência no Brasil, especialmente contra os negros. Vários órgãos estatais oferecem dados sobre a violência e a discriminação racial e muitos deles podem facilmente ser acessados por internet. A leitura desses dados exige aproximações, comparações, deduções que precisam ser exercitadas. Nesse sentido, a atividade pode enriquecer-se com intervenções interdisciplinares dos professores de História, Matemática, Geografia, além do professor de Língua Portuguesa.

2. Após a análise desses dados estatísticos, os estudantes podem estabelecer algumas conclusões por meio de pequenos textos dissertativos. A intenção aqui é transformar em expressão verbal os sentidos que a leitura dos números sugerem.

3. Em seguida, cada grupo pode compartilhar com a sala essas conclusões: validando-as, ajustando-as ou ampliando-as.

4. Na sequência, os alunos podem estudar o manifesto, enquanto gênero textual. Por meio desse estudo, entender como o manifesto pode ser uma ferramenta importante contra a banalização da informação e registro de indignação diante das conclusões que chegaram ao final da análise dos dados sobre a violência contra os negros no Brasil. Nesse sentido, o manifesto, enquanto gênero textual: autoriza um título original, provocativo; a descrição do problema em torno do qual o manifesto se organiza; a apresentação de argumentos que consolide a posição tomada; o uso do imperativo nas passagens em que vier a listar ações obrigatórias (de pessoas, instituições), a assinatura daqueles que estão propondo o manifesto.

5. Após esse estudo, apoiados nos dados estatísticos levantados e nos textos dissertativos que eles suscitaram, os estudantes produzem individualmente ou em duplas, um manifesto por meio do qual dão a ver, às pessoas que o lerem, a situação de violência a que estão expostos os jovens brasileiros, especialmente, os negros, marcando a necessidade de um posicionamento crítico da sociedade em favor da transformação desse quadro.

6. Após a revisão dos aspectos formais do texto, os estudantes podem publicá-los nas redes sociais ou distribuí-lo em manifestações públicas de sua região, onde esse tipo de intervenção pode ter um valor político de afirmação de ideias.

Nunca se produziu tantos dados sobre o País como nas últimas décadas. Nenhum campo de nossa experiência escapa: economia, comportamento, consumo, mortalidade, saúde, segurança… Algumas iniciativas de governos, ONGs e empresas estabeleceram-se a partir das demandas que esses dados colocaram. Entretanto, no conjunto, essas iniciativas ainda são insuficientes para o enfrentamento de muitos dos problemas que eles nos fizeram ver.

Recentemente foram publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública os dados do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade. Por meio deles, apurou-se que, em alguns estados do Nordeste, um jovem negro corre cinco vezes mais risco de ser morto do que um branco. Olhando para esses dados, podemos colocar algumas questões. O que isso significa? Quem são esses jovens que estão sendo assassinados? Qual é nossa tarefa diante de tal constatação? Somos ou não um país marcado pelo racismo? É possível se calar diante de tamanha violência?

Diariamente, somos bombardeados com esse tipo de informação e, no passo apressado de nossas tarefas, mal temos tempo de atribuir-lhe a devida dimensão. O resultado é uma espécie de banalização da informação. No entanto, já seria bastante significativo se conseguíssemos manifestar nossa indignação diante do universo de coisas que esses dados sugerem.

*José Carlos de Souza é professor de Pós-Graduação do Curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz

Internet

Violência contra a juventude negra no Brasil

Índice de vulnerabilidade juvenil à violência e desigualdade – 2014

Filmes

Vista a Minha Pele, de Joel Zito Araújo & Dandara (2004)

Duelo de Titãs, de Boaz Yakin (2000)

Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (2002)

Livros

O Último Negro, de Durval Arantes, Vermelho Marinho, 2014

Ações Afirmativas em Educação, de Cidinha da Silva, Selo Negro, 2003