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Imersão permite contato sensorial com a Mata Atlântica

Estar em meio à natureza nos leva ao encantamento, que é a base para o conhecimento, além de contribuir para a nossa construção emocional e intelectual, e nos inspirar a participar de processos de transformação social. Vivenciar a natureza acolhe os sentimentos e nos convida a perceber as sutilezas dos ambientes externo e interno de cada um. Esse aprendizado, delicado e transformador, é o alicerce para a educação socioambiental.


Educação socioambiental “refere-se ao conjunto de ações e valores que correspondem à dimensão pedagógica dos processos comunicativos ambientais, marcados pelo dialogismo, pela participação e pelo trabalho coletivo. A indissociabilidade entre questões sociais e ambientais no fazer-pensar dos atos educativos e comunicativos é ressaltada pelo termo socioambiental. A dimensão pedagógica, nesse caso em particular, tem foco no ‘como’ se gera os saberes e ‘o que’ se aprende na produção cultural, na interação social e com a natureza”. 

Leia mais sobre atividade didática baseada no tema:

Ano do Ciclo: Educação Infantil e 1º a 5º anos do Ensino Fundamental

Áreas Envolvidas: Ciências e Geografia

Tempo de Duração: Variável em função da trilha escolhida

Objetivos de aprendizagem:

– Proporcionar a alunos e professores um contato direto com ambientes naturais;

– Estabelecer relações entre o que está sendo vivido no percurso e os conteúdos que foram ou serão tratados em sala de aula;

– Desenvolver um olhar crítico-investigativo para as questões ambientais, promovendo um comportamento ambientalmente responsável.

Atividades sugeridas:

Trilhas monitoradas na Mata Atlântica

Uma proposta de integração de saberes e contato com a natureza. As atividades monitoradas em trilhas (conduzidas por monitores ambientais) proporcionam uma integração com o ambiente natural.

Durante o percurso é possível observar e interagir com a fauna e a flora do local, e se atentar aos sentidos estimulados pelo encantamento. A atividade em meio à floresta, com experiência direta, provoca a curiosidade! As trilhas integram campos diversos de contextos temáticos de estudo, contribuindo para a construção de uma relação autônoma e prazerosa com o conhecimento.

Trilhas conduzidas conectam o processo de ensino-aprendizagem à vida social do educando, e oferecem conhecimento relevante para a transformação de sua comunidade. Atividades que podem complementar as trilhas

Conduzindo

Objetivo: Concentração, troca, observação.

Descrição: A criança é convidada a conduzir o grupo na trilha, como um monitor ambiental, após observar a atuação dos monitores. Ela é estimulada a compartilhar os elementos da natureza e os ambientes que a encantou, dividindo novas descobertas e sensibilizando o restante do grupo. As crianças são sempre acompanhadas por um monitor responsável, e cada um tem sua vez de ser o monitor, respeitando a vontade de cada um em participar ou não da atividade.

Observação dos sons

Objetivo: Ampliar percepção auditiva, foco e concentração. Descrição: a criança é convidada a permanecer em silêncio, com os olhos fechados e identificar quantos sons diferentes consegue distinguir na natureza.

Solo

Objetivo: Ampliar os sentidos, autoconfiança e concentração.

Descrição: O monitor conduz a criança a ter a sensação de estar caminhando sozinha na floresta. Em determinado momento, separa individualmente as crianças para a caminhada na trilha em um percurso determinado.

Sabores nativos

Degustar receitas que levam ingredientes nativos da Mata Atlântica, como suco ou brigadeiro feito com o fruto da palmeira juçara, ou mousse de cambuci, por exemplo, complementa as atividades em áreas naturais.

O contato de educandos e educadores com um novo sabor, desperta a curiosidade e promove a reflexão sobre questões ambientais, consumo responsável, alimentação saudável e valorização de produtos locais.

O fato, porém, é que vivemos hoje em uma sociedade organizada pela padronização dos processos, sistematização das relações e “apostilamento” do aprendizado. O indivíduo é cada vez mais desvalorizado e inserido em um padrão social. As crianças vivem praticamente confinadas, e o “brincar livre” e o contato com ambientes naturais tornam-se momentos esporádicos na infância. Esse distanciamento do convívio em ambientes naturais transforma profundamente a forma de pensar, viver, sentir e agir.

A concepção de educação, sociedade e ambiente pressupõe alterações paradigmáticas em relação aos mais diversos aspectos da nossa organização político-social. A educação socioambiental surge como uma proposta a diversos segmentos da sociedade para uma mudança de valores e posturas, tendo como grande desafio aliar educação à sustentabilidade.

Nesse contexto, um segmento com importante representatividade na sociedade é a escola. Compreender a escola como articuladora de potenciais educativos impõe repensarmos as estruturas clássicas da organização escolar atual e de como lidamos com os indivíduos educando e educador.

Educadores precisam de oportunidades para participarem de processos educativos que o conduzam ao autoconhecimento e difusão de seus conhecimentos, visando o desenvolvimento de um projeto pessoal e de trabalho em conjunto com os educandos e demais educadores.

Se pensarmos que educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de geração para geração, e que se forma por meio de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo de sua vida, não podemos desvincular o indivíduo dos processos educativos. Educadores precisam vivenciar o que ensinam. Afinal, só ensinamos e cuidamos do que de fato conhecemos.

Contato direto nos faz entender a dissociação entre homem e natureza
Contato direto nos faz entender a dissociação entre homem e natureza

A comunidade educativa e os ambientes naturais possuem grande potencial para a busca da melhoria nas relações humanas e para a transformação da relação homem-natureza. O contato direto com a natureza nos faz reconhecer a existência de algo comum entre nós. Quanto mais intensificamos e promovemos essas relações entre nós e o ambiente, mais desenvolvida será a consciência sobre as nossas responsabilidades e o cuidado que devemos ter com todas as vidas.

É importante, também, intensificar a valorização dos ambientes naturais como espaços educadores à área de ciências exatas e humanas, não somente para educadores da área de ciências biológicas. Educadores em geral podem promover o contato com a natureza, enxergando-a como um espaço educador, atendendo ao seu planejamento e currículo escolar. Vivenciar a natureza é um convite à restauração das relações humanas e com o meio. “Sem encantamento o conhecimento não nos afeta de verdade”, afirma Rita Mendonça, autora do ebook Atividades em áreas naturais.

Participar, compartilhar e sentir a natureza é uma oportunidade de refletirmos sobre a necessidade de estreitarmos a relação homem-natureza, e faz com que o processo educativo se torne mais aprazível, proporcionando transformações pessoais e interpessoais.

Projetos ou ações pontuais não determinam as mudanças de atitudes ou o despertar de uma consciência para um comportamento ambientalmente responsável. Portanto, a vivência com a natureza estimula cognitivamente, estudantes e educadores, e traz verdadeiramente um conhecimento e aprendizagem socioambiental, para então, atingirmos as mudanças de valores que possam refletir em nosso meio ambiente.

Para isso, educadores precisam ser cada vez mais estimulados a refletir sobre temas transversais que caminhem na direção de uma educação inovadora e interdisciplinar, que estimule a discussão e a reflexão sobre a realidade social, política, econômica e cultural. Conhecimento e práticas que contribuem para a construção coletiva de uma cultura de sustentabilidade.

Saiba mais:

Atividades em áreas naturais, de Rita Mendonça (Instituto Ecofuturo), disponível para download gratuito.

*Michele Martins, bióloga e coordenadora do programa de Educação Socioambiental do Instituto Ecofuturo