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Aurora Boreal
O fenômeno da aurora boreal causado pelos ventos solares e o campo magnético do polo

Por vários motivos, a latitude 66°33’ Norte é considerada legendária. Primeiramente, muito distante do Equador, caracteriza uma região fria e inóspita. Segundo, define o Círculo Polar Ártico, um dos lugares no globo onde ocorre o “sol da meia-noite”.


É nessa latitude que o sol não se põe no dia do solstício de verão (24 horas de sol) e, ao contrário, não nasce no dia do solstício de inverno (24 horas de escuridão). Terceiro, o difícil acesso para essas terras desconhecidas estimulou exploradores nórdicos, dentre eles os vikings, que ainda no fim do século XVIII descobriram ilhas e mares cobertos de gelo.


Leia atividade didática de Geografia inspirada neste texto
Anos do ciclo: 6° e 7°
Área envolvida: Geografia
Possibilidade interdisciplinar: Ciências
Tempo de duração: 5 aulas
Objetivos de aprendizagem: Registrar informações e dados obtidos a partir da observação de ambientes próximos; compreender conceitos da biosfera e de sistemas naturais

O que é albedo

Pela nossa experiência, sabemos que, em dias de muito sol, andar descalço no asfalto pode queimar nossos pés, mas andar sobre a grama, não. Isso ocorre porque as superfícies têm a capacidade de absorver a luz incidente, se aquecendo, ou de refletir a radiação de volta para a atmosfera. Chamamos de albedo a proporção da radiação solar refletida por uma superfície. Ele depende do tipo de superfície, isto é, de sua cor e composição. Cores escuras ou superfícies úmidas absorvem a radiação, enquanto cores claras ou superfícies secas, refletem. O albedo possui um papel fundamental no mecanismo do clima das regiões polares. A título de comparação, o albedo do solo nu é de, aproximadamente, 30%. O do solo recoberto de neve varia entre 75% e 95%. O albedo da banquisa durante o inverno oscila entre 70% a 80% e o da banquisa de verão, entre 30% e 60%. Atividade descobrir o albedo através de uma atividade prática. Materiais: quatro termômetros e, se necessário, uma cartolina branca e outra preta.

1. Quente ou frio? Absorve ou reflete? Faça uma sondagem inicial para colocar em evidência a experiência dos alunos. pergunte como costumam se vestir em dias de forte calor, se usam roupas claras ou escuras e por que dão preferência para as cores claras. depois, faça perguntas semelhantes sobre os revestimentos dos solos, comparando o asfalto e a grama, por exemplo. Explique, então, que toda superfície tem a capacidade de refletir, absorver ou transmitir a luz solar que incide sobre ela. Quanto maior a reflexão, menor será o calor acumulado.

2. Medindo a temperatura no pátio da escola, selecione diferentes revestimentos que recebem a luz do sol, como o concreto da quadra de esportes, a grama, o solo exposto, a areia, o pedregulho, a poça de água, etc. Caso isso não seja possível, use as cartolinas branca e preta divididas em quatro partes. Separe a turma em quatro grupos e elabore uma tabela, nas linhas escreva o tipo de revestimento selecionado e intitule a coluna de “temperatura em °c”. Depois, distribua um termômetro, as cartolinas e dê instruções sobre o uso e os cuidados necessários na manipulação do termômetro. Cada grupo deve medir a temperatura colocando o termômetro sobre o revestimento selecionado por alguns minutos e anotar o valor na tabela. Os grupos devem executar exatamente o mesmo procedimento. analise os resultados dos quatro grupos em sala e determine qual revestimento absorve mais a luz do sol.

Fontes: nasa; nsidc; godard e andré, les milieux polaires, edição armand colin, 1999.

Nessas épocas, um dos meios usados para se localizarem nos grandes espaços era a observação das estrelas. No Hemisfério Norte, a Constelação da Ursa Maior é visível, daí a palavra arktikos, que significa urso e era usada na Grécia para designar o norte. Outra referência era a Estrela Polar, também conhecida como Estrela do Norte ou Polaris, da Constelação da Ursa Menor, que indica a direção norte e, consequentemente, o Polo Norte, que representa a latitude de 90° Norte, e é reproduzida nos mapas como o ponto para onde convergem os meridianos.

As extremas condições climáticas não impediram o povoamento da região. Ainda na Pré-História, povos nômades teriam vindo da Ásia, atravessando a pé o Estreito de Bering durante a última glaciação. Os sítios pré-históricos do Alasca datam essa ocupação de 10.000 anos a.P. (antes do presente).

Esses antepassados desenvolveram habilidades e tecnologias adaptadas às severas condições ambientais, vivendo da caça, pesca e criação de animais em acampamentos sazonais de verão e inverno. Os povos do Norte são, na maioria, os inuítas que vivem na Sibéria, Alasca e Groenlândia, igualmente conhecidos como esquimós. No entanto, esse termo caiu em desuso, já que é alóctone e de conotação pejorativa, como os lapões, que se distribuem por terras da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia, e ainda vários outros povos autóctones. Hoje tornaram-se sedentários e vivem em povoados e pequenas cidades.

Diferentemente da Antártida, que é um continente isolado, o Ártico é um oceano rodeado de ilhas e terras pertencentes à Europa, Canadá, Estados Unidos e Rússia. O Oceano Ártico se comunica amplamente com o Oceano Atlântico Norte, ao largo da Groenlândia e Noruega, em oposição, somente via  Estreito de Bering, com o Oceano Pacífico. Mas ele não é um oceano como os outros, pois grande parte de suas águas é gelada. O gelo marinho constitui, então, a banquisa, cuja formação depende das baixas temperaturas. A superfície da banquisa varia com as estações do ano, retraindo-se no verão e expandindo-se no inverno.

No último verão, em agosto de 2013, sua extensão era de 6,1 milhões de quilômetros quadrados. E no inverno de 2014, precisamente no dia 21 de março, a extensão do gelo marinho atingiu 14,9 milhões de quilômetros quadrados. A temperatura média anual no interior da Groenlândia é de -30 graus. Esses extremos de temperatura registradas nos polos são explicados, em grande parte, pela incidência de luz solar.

A inclinação do eixo da Terra faz com que os raios solares atinjam os polos de forma inclinada. É por isso que nas regiões polares a intensidade da luz solar é muito inferior, por exemplo, àquela que chega às regiões tropicais. Outro fator a ser considerado nas altas latitudes é a duração da luminosidade diária, que também varia com as estações do ano.

Como exemplo, vemos que na ilha Spitsberg, situada no Arquipélago de Svalbard (78°04’ de latitude Norte), o sol não se põe durante 125 dias entre abril e agosto. Ao contrário, por 114 dias, entre outubro e fevereiro, o sol não nasce!

Nas paisagens do Ártico não há árvores e a vegetação não é abundante ou diversa. Isso se explica, em parte, pelas baixas temperaturas, mas, sobretudo, pela ausência de verão que diminui a diversidade e o crescimento vertical dos vegetais. A aridez é outro fator limitante, já que nos polos a água em estado líquido é rara. Também a água presente nos solos está congelada no permafrost (camada do solo onde as temperaturas estão abaixo de zero grau).

A tundra é o bioma característico. Sobre rochas e solos rasos líquens, musgos e arbustos baixos formam um tapete vegetal com taxas variadas de recobrimento. Durante o verão, flores coloridas surgem no meio da vegetação rasteira, a exemplo da papoula Papaver dahlianum. A fauna ártica também possui particularidades. Nas águas geladas vivem, entre outras, duas espécies endêmicas singulares.

O narval (Monodon monoceros) é um cetáceo que possui uma grande presa na cabeça que lembra o chifre do unicórnio. Trata-se de um dente que cresce para fora e pode atingir até 3 metros de comprimento. A outra espécie é a beluga (Delphinapterus leucas), também conhecida como baleia-branca por possuir a pela clara. As terras geladas e a banquisa são o hábitat de outra espécie endêmica, o emblemático urso-polar (Ursus maritimus).

Exímio nadador e caçador, alimenta-se principalmente de focas. Os restos de suas presas são a refeição para outra espécie, também endêmica, a gaivota-marfim (Pagophila eburnea), que passa a vida inteira no Ártico, pois ela não migra. Outras aves, entretanto, sempre procuram o calor do verão e chegam a atravessar metade do planeta para isso. Voam do Círculo Polar Ártico para o Círculo Polar Antártico, num itinerário cheio de ziguezagues que chega a 70 mil quilômetros por ano, segundo mostram pesquisas recentes. Essa ave, que pesa somente 100 gramas é a Trinta-réis-ártico (Sterna paradisaea).

As espécies endêmicas do Ártico encontram-se vulneráveis de extinção, porque seus hábitats estão se transformando rapidamente. Desde sua origem, a Terra é um planeta em mutação. Na escala de tempo geológica, por exemplo, os fenômenos da deriva continental (leia em Carta Fundamental 38,) e das glaciações modificaram radicalmente a face do globo. As mudanças climáticas fazem parte das transformações que agora estão sendo perceptíveis na escala humana.

Em nenhum outro lugar elas têm sido tão visíveis quanto no Ártico. Os cientistas monitoram pelas imagens de satélite a camada de gelo polar desde 1978 e constataram seu declínio durante os verões a partir de 2002, sendo a menor extensão detectada em 2012. As temperaturas elevadas deixam as camadas de gelo mais finas e vulneráveis. A retração da banquisa torna-se por si só um fator de aceleração do processo, é o mecanismo de retroalimentação. Quando a água substitui o gelo, a albedo (pág. 41) se modifica e a luz solar incidente, em vez de ser refletida pelo gelo, passa a ser absorvida pela água, que estoca calor.

As consequências das transformações no Ártico são inúmeras, ecológicas, sociais e econômicas. Mais midiática, a questão ecológica trata da vulnerabilidade das espécies endêmicas causada pela perda de seu hábitat, a exemplo do urso-polar, fadado à extinção. A questão social atinge os povos nativos obrigados a renunciar a hábitos ancestrais, como a caça e a pesca.

Por fim, a questão econômica, que toca a exploração de petróleo e gás, cujas reservas seriam imensas. As estimativas para o Ártico seriam muito superiores às feitas para o pré-sal brasileiro. O degelo também favorece a abertura da rota marítima do Norte, que diminui o tempo de navegação entre a Ásia e a Europa. O aumento dessas atividades amplia tanto os riscos de acidentes ambientais quanto a vulnerabilidade dos ecossistemas marinhos.

Na tentativa de modelizar o clima do futuro, os cientistas estudam os mecanismos dos climas atuais e passados. Os polos são espaços naturais importantes nessas investigações. Por isso, e da mesma forma que a Trinta-réis-ártico, vamos passar do Ártico para a Antártica no próximo número de Carta Fundamental.