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'São Paulo', 1924. Óleo sobre tela. (Tarsila do Amaral. Capivari, SP, 1886 - São Paulo, SP, 1973). Compra do Governo do Estado de São Paulo, 1929

Até o dia 29 de maio, o público que visitar a Pinacoteca do Estado de São Paulo poderá passear por diversas paisagens que exibem a representação da natureza por meio da pintura, desenho e gravura, mostrando os diferentes pontos de vistas de artistas da Argentina, Chile, Equador, Venezuela Brasil, México, Estados Unidos e Canadá.


Uma viagem através do tempo, na história da pintura de paisagem do século XIX ao XX, da Terra do Fogo ao Ártico.

Confira sugestão de atividade de Artes relacionada ao tema:

Ano do Ciclo: 3º a 7º anos do Ensino Fundamental

Possibilidade Interdisciplinar: História

Duração: 3 aulas

Objetivo de aprendizagem:

– Produzir desenhos de observação utilizando lápis e papel.

– Reconhecer semelhanças e diferenças entre os desenhos apreciados.

As obras apresentadas mostram a diferença entre a representação de uma paisagem natural seguindo regras de representação das academias de Belas Artes e a apresentação de uma paisagem urbana por meio de uma pintura moderna. Levante com os alunos quais são as diferenças entre paisagem natural e paisagem urbana.

O que a pintura de Taunay apresenta e como? Faça um levantamento das palavras que descrevem uma paisagem natural: rios, lagos, montanhas, céu nuvens, sol, luz, água, árvores, mar

Peça para que escrevam um texto, usando o vocabulário levantado, apresentando esse lugar para uma pessoa que nunca o viu. Como um texto de cartão postal.

Proponha uma discussão com os alunos: Cidade tem paisagem? Quais são os elementos que caracterizam uma paisagem urbana? Edifícios, casas, trem, ônibus, carros, ruas, avenidas, pontes, postes etc. Qual a paisagem da sua cidade? Da sua rua? Do seu bairro?

Assim como os pintores viajantes, proponha uma expedição pelo bairro. Eleja com os alunos – uma praça, uma rua, uma vila, um parque onde os alunos possam ir a pé.

Separe o material de desenho para todos – lápis, papel e prancheta ou, se não houver prancheta, peça que levem um caderno para servir de apoio. Durante a caminhada, aponte para os alunos os elementos da paisagem – árvores, flores, lixeiras, caçambas, pontos de ônibus, grafites e pichações.

Ao chegar ao local, peça que escolham um ponto de vista, sentem-se e façam um desenho. Ao voltar para a sala de aula, peça que eles organizem esses desenhos pendurando-os na parede para formar uma visão panorâmica do local.

Montanhas, cachoeiras, florestas, o mar, a neve. Foram vários os artistas que registraram com seus lápis e pincéis as cenas, paisagens, flores, frutas, animais e habitantes de nosso país e de outros tantos, retratando as belezas e diferenças de sua natureza.

A paisagem surge na história da pintura na Idade Média, mas não como tema e sim como representação de um ambiente no qual as cenas religiosas ou os santos eram retratados.

No século XVII, ela encontra um caminho diferente – os artistas passaram a registrar suas viagens em desenhos realizados no local que, além de um documento visual de terras distantes, também serviriam de material para a realização de pinturas e gravuras realizadas no atelier.

A prática do artista viajante de representar com minúcia as paisagens se estendeu por vários países, e suas obras nos mostram o registro cuidadoso dos lugares visitados, compartilhando suas experiências de viagens.

No Brasil, os artistas estrangeiros participaram de expedições juntamente como cientistas e botânicos. Entre essas expedições, as que deixaram um maior número de imagens foram as realizadas no período em que Maurício de Nassau foi governador-geral do Brasil holandês, entre 1637 e 1644.

Essas imagens retratavam o País, mostrando as terras descobertas, suas riquezas naturais, seus povos e costumes para seus descobridores conhecerem melhor a terra a ser explorada.

Dois séculos após as expedições de Maurício de Nassau, outra expedição deixou importantes imagens de nosso País produzidas por artistas como Florence, Taunay e Rugendas (os dois últimos com obras presentes na exposição).

Comandada pelo Barão Langsdorff e organizada com o apoio financeiro do czar russo Alexandre I, a expedição partiu do Rio de Janeiro, viajando pelos estados de São Paulo, Mato Grasso e Amazonas, entre 1824 e 1829.

Rugendas compunha a expedição, mas abandonou o grupo no início, em 1824, e foi substituído por Aimé-Adrien Taunay que registrou com seus desenhos as paisagens, os costumes, a fauna e a flora dos lugares por onde passou.

Os desenhos de campo, realizados pelo artista a partir da observação direta da natureza eram, posteriormente, utilizados como estudos para a produção de suas obras.

A pintura Baía de Guanabara de Taunay mostra a cidade do Rio de Janeiro e sua majestosa natureza e tornou-se um ícone da representação da capital do país naquele momento.

Baía de Guanabara vista da Ilha das Cobras, 1828 (Félix Émile Taunay Montmorency, França, 1795 – Rio de Janeiro, Brasil, 1881)
Parte da obra ‘Baía de Guanabara vista da Ilha das Cobras’, 1828. Óleo sobre tela. (Félix Émile Taunay.
Montmorency, França, 1795 – Rio de Janeiro, Brasil, 1881). Instituto Ricardo Brennand, Recife, Brasil

Mas não foram só os estrangeiros que pintaram o Brasil. Com o passar dos anos surgiram artistas brasileiros que também retrataram as diversas faces de nosso país.

O Brasil se modernizava, suas paisagens se transformavam, as cidades se formavam e novas experiências pictóricas surgiam junto com esses avanços.

Podemos observar essa mudança nas pinturas de paisagem nas obras de Anita Malfatti e Tarsila do Amaral (também presentes na exposição).

Anita participou da Semana de Arte Moderna, em 1922, movimento que reuniu artistas com o objetivo de produzir obras com temas nacionais não apenas nas artes visuais, mas também na literatura, música e teatro.

Tarsila não estava nesse momento no Brasil, mas ao voltar ao País, em 1924, adere aos ideais do grupo modernista e torna-se uma das grandes representantes das ideias do movimento.

A pintura São Paulo apresenta o olhar da artista sobre uma cidade em construção, exibindo elementos que apontavam para a urbanização como edifícios, o painel de publicidade mostrando números e as estruturas de ferro. Assim, Tarsila mostrou São Paulo – uma cidade que se modernizava junto com a pintura.

Entre artistas acadêmicos e modernos, entre paisagens naturais, rurais e urbanas tão distintas entre si, a paisagem estabeleceu-se como um dos grandes gêneros da pintura e é um documento visual que nos permite viajar pela história da arte e seus diferentes caminhos.

 

* Renata Sant’Anna é mestre em Artes pela Escolas de Comunicações e Artes da USP e coordenadora da a Divisão Técnico-Científica de Educação e Arte no Museu de Arte Contemporânea da USP