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Onça-pintada
Cheia em Mamirauá (AM) leva onça-pintada a viver em cima das árvores

Todos os anos, entre maio e julho, a água envolve os troncos das árvores e ocupa os espaços da mata fechada na floresta amazônica. Quando o nível da água sobe na região do rio Solimões, no Amazonas, a onça-pintada escala até trinta metros de altura das árvores e lá se instala, dormindo, caçando e descansando bem no alto. As características únicas da Amazônia fizeram com que milhões de espécies, desde minúsculos insetos até grandes mamíferos, se adaptassem extraordinariamente. Até mesmo as onças-pintadas, adaptaram-se para viver entre os galhos das grandes árvores durante as cheias.


Leia atividade didática de Ciências baseada nesta atividade
Ano do Ciclo: 3º ao 5º ano
Possibilidade interdisciplinar: Geografia, Língua Portuguesa
Objetivo de aprendizagem: Identificar características peculiares da fauna de biomas brasileiros; Identificar os principais pontos relacionados à ameaça de extinção de algumas espécies, considerando mudanças climáticas, contaminação das águas, desmatamento etc.


1) O professor deverá dividir a classe em grupos de 4 a 5 alunos.

2) Os alunos deverão pesquisar sobre uma ou duas espécies de animais da Amazônia com suas características e curiosidades. Organize a seleção para que não haja repetição.

3) Concluída a etapa pesquisa, os alunos deverão apresentar na sala um seminário com os dados coletados. Oriente-os na preparação de um power point com esquemas e imagens ilustrativas. A produção do PowerPoint com a apresentação, além de auxiliar na visualização e aprendizado sobre os animais descritos, fará com que o grupo planeje a exposição, garantindo qualidade ao seminário.

4) No final de cada apresentação, abra espaço para perguntas e discussões sobre as pesquisas e os animais apresentados.[/box]

Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia abrange nove países da América do Sul, com 60% do seu território no Brasil. Em sua fenomenal e diversa flora e fauna, as espécies estão perfeitamente moldadas para as características desse bioma, como o volumoso índice de chuvas constantes e o regime de cheias dos rios. Vamos relacionar alguns desses bichos, começando com os que vivem e dependem das abundantes águas desse bioma.

O principal rio da bacia amazônica é o Amazonas, com uma extensão de 6,4 mil quilômetros e dono da maior vazão de água do mundo. Ele nasce na Cordilheira dos Andes, no Peru, carrega o nome de rio Solimões ao entrar no território brasileiro até encontrar-se com o rio Negro, próximo à capital Manaus, onde recebe o nome de Amazonas e dirige-se ao Atlântico em um percurso de 3.165 quilômetros.

Um dos animais mais marcantes e emblemáticos das águas da floresta é o boto-cor-de-rosa. Ele tem um focinho fino com muitos dentes, próprios para capturar peixes, sua coloração é rosa claro, o que deu origem ao seu nome (ele também é chamado de boto-vermelho). Diferentemente de seu primo dos oceanos, os golfinhos, os botos-cor-de-rosa têm olhos bem pequenos, já que nas águas escuras dos rios amazônicos eles não teriam muita função. Em contrapartida, desenvolveram uma saliência na cabeça, parecida com um “melão”, por onde emitem ondas ultrassonoras. Essas ondas refletem sobre os objetos, retornando como eco, orientando o boto, perfeitamente, em águas negras ou barrentas. Eles podem atingir 1,80 a 2,5 metros de comprimento e até 160 quilos de peso. A gestação é de 8,5 meses, os filhotes nascem com 80 cm e 7 quilos.

Segundo as lendas populares dar região amazônica, quando os ribeirinhos promovem festas nos barracões, o boto transforma-se em um jovem bonito, alto, forte e bom dançarino. Vestido de branco e de chapéu na cabeça, atrai os olhares das mulheres que, imediatamente, se encantam. Então, o boto escolhe a cabocla mais bonita do baile e a leva para namorar na beira do rio, engravidando-a. De madrugada, volta para o rio onde recupera a forma de animal. É comum, no norte do Brasil, a expressão “filho de boto” para definir filhos sem pai.

Existe outra espécie menos conhecida de boto na Amazônia, o boto-tucuxi. Ele atinge no máximo 1,5 metros de comprimento e 55 quilos, tem cor cinza, parecida com algumas espécies de golfinhos que vivem nos oceanos.

Outro morador das águas é o peixe-boi-amazônico. É um animal bastante curioso, ao começar pelo nome. Primeiro, ele não tem nada de peixe e menos ainda de boi. Como vive somente na água é chamado de peixe. Por ser um mamífero que come principalmente capim – algas, aguapés, capins entre outras vegetações aquáticas – e capaz de consumir até 10% de seu peso em plantas, foi agraciado com o “boi”.

Os primeiros navegadores que chegaram às Américas, não conheciam os peixes-boi e ao deparar com esses bichos ficaram espantados. Nas cartas enviadas à corte europeia, alertavam: “Encontramos as mitológicas sereias e garantimos que não são tão bonitas como nas estórias”.

Segundo o dicionário Aurélio, a fêmea de peixe-boi é chamada de peixe-mulher. Sua reprodução é lenta, pois o período de gestação é de treze meses. Depois que o filhote nasce, a mãe o amamenta durante dois anos aproximadamente. Por causa disso, ela tem apenas um filhote a cada quatro anos. Devido à caça que ocorreu durante muitos anos, infelizmente são espécies ameaçadas de extinção. Calcula-se que existam cerca de 500 peixes-boi marinhos na costa brasileira e 5.000 peixes-boi amazônicos.

Os mamíferos das águas são fascinantes, mas os peixes não ficam atrás. Entre as maiores espécies de peixes de água doce do mundo, o Brasil possui o rei dos rios, o pirarucu. Seu nome vem das palavras indígenas pira (peixe) e urucum (vermelho), devido a cor de sua cauda. O pirarucu atinge até 3 metros de comprimento quando adulto e 200 quilos. Uma curiosidade é que ele tem dois aparelhos respiratórios: as brânquias, para a respiração aquática, e a bexiga natatória modificada, especializada para funcionar como pulmão na respiração aérea.

Durante a seca, os pirarucus formam casais. Nesse período, o macho aumenta a intensidade da coloração vermelha da cauda, um atrativo para as fêmeas. O macho escolhe um local bem protegido no fundo do rio e prepara um ninho. A fêmea então deposita seus ovos para que o macho os fecunde logo em seguida. Durante a incubação, ela permanece mais próxima do ninho, enquanto o macho nada nas redondezas para intimidar predadores que possam trazer perigo aos ovos.

No oposto ao gigante pirarucu, a Amazônia tem um minúsculo peixinho com um comportamento bem peculiar, ele é um peixe vampiro! Seu nome é candirú e vive principalmente nos rios Amazonas e Madeira. É um peixe da família dos peixes-gato e é considerado um parasita – aloja-se nas guelras de outros peixes fixando seus afiados dentes para se alimentar de sangue, por isso recebe também o nome de peixe vampiro.

O candirú tem o formato do corpo bem fininho e não passa de 18 centímetros. Mas o que causa mais temor pelos nativos da região amazônica é que o candirú pode ser atraído pelo fluxo da urina! Se o banhista estiver nadando nu, o peixe pode entrar pelo órgão sexual e se instalar na uretra. Ele então não tem como voltar, pois abre a parte das guelras e toma forma de guarda-chuva. Há quem diga que ele pode ser retirado através de um extrato feito de ervas, mas comprovadamente o candirú só pode ser retirado por meio de cirurgia. Parece lenda, mas não é! Por esse motivo os nativos evitam nadar pelados e de maneira nenhuma fazem xixi nas águas dos rios da Amazônia.

Está surpreso com as diversas curiosidades da fauna Amazônica? Então se prepare porque existem peixes que conseguem até dar choque elétrico!

É verdade, o peixe elétrico é relativamente comum, só na bacia amazônica estima-se que existam cerca de 40 espécies diferentes desse peixe. A descarga elétrica de um peixe-elétrico, chamado de poraquê, é tão forte que pode chegar até 600 volts, sendo capaz até de ligar uma televisão. Esses choques são usados pelo peixe para caçar: ele dá uma descarga de choque na água e os peixinhos, seu alimento, são capturados e devorados. Serve também para se defender, quando um animal como, por exemplo, um jacaré tenta abocanhá-lo: sua descarga de choque paralisa e pode até matar o jacaré. Outra função do choque é o acasalamento, os impulsos elétricos servem para atrair os parceiros durante o namoro. Um romance eletrizante!

Deixando de lado os peixes, entre os anfíbios as adaptações curiosas são diversas. Existem algumas espécies de sapos que vivem na Amazônia que produzem esse veneno super-potente. Eles têm somente 1 a 5 centímetros de comprimento, suas cores são brilhantes e bastante chamativas como o amarelo, o vermelho, o azul e o preto, o que significa um sinal de “não me toque”. Inclusive esses sapos são chamados de “sapo-veneno-de-flecha”, já que muitas tribos indígenas da Amazônia utilizam esse sapinho para caçar.

Eles esfregam a ponta das flechas nas costas do animal e depois a utilizam para caçar macacos, porcos do mato e outros bichos. Só pra termos uma ideia, um quarto de miligrama do veneno é suficiente para matar um homem adulto.
A Amazônia surpreende os pesquisadores constantemente. São milhares de espécies, muitas delas ainda não descobertas pela ciência. A relação de animais diferentes é enorme! A mais forte águia do mundo, a harpia, tem envergadura de 2,5 metros e unhas iguais a dos ursos-pardos. A aranha-golias é a maior caranguejeira do mundo com 30 centímetros, do tamanho de um prato! Ela consegue caçar até mesmo pequenos pássaros e roedores.

A gigantesca Amazônia tem bichos pequenos, grandes, curiosos e únicos. Esse bioma está extremamente equilibrado e qualquer intervenção drástica causada pelas ações do homem pode exterminar a grande riqueza da magnífica floresta Amazônica, considerada um patrimônio do mundo.

Guilherme Domenichelli é biólogo e autor de Girafa Tem Torcicolo? E Outras Perguntas do Mundo Animal e Mistério na Floresta Amazônica (Panda Books)