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Créditos: Pedro Ribas/ ANPr

De um lado fechamento de salas, redução do número de funcionários da limpeza e merenda, além da contratação de professores por contrato temporário. Do outro, o Estado com uma premissa neoliberal e cruel: “é preciso cortar gastos”.


A visão da educação como custo e não como investimento abre caminho para transformar os direitos fundamentais da população em produtos de gôndolas de supermercado.

Uma das facetas desta lógica cruel revela-se com as condições de trabalho dos professores da categoria ‘O’. Sem concurso e sem estabilidade, tais profissionais muitas vezes se submetem a assédios morais e constrangimentos pelo fato de se enquadrarem numa categoria “inferior” às demais.

Salvo o importante papel que cumprem frente a demanda educacional, esses professores são vítimas de uma triste realidade. Têm que encarar a duzentena, que os força a 180 dias de afastamento a cada três anos de serviço prestado.

Dessa forma, não se cria vínculo empregatício, nem encargos trabalhistas aos cofres do Estado. Muitos professores, é verdade, sequer voltam à rede após o afastamento. O nome disso? Precarização, que recai infelizmente sobre uma classe já fragmentada e despolitizada, sem consciência de classe. Resultado desta política nefasta e cruel.

Ao abrir cadastro para outros profissionais ingressarem na rede, o governo tucano coloca uma carta na manga para contrapor o sindicato, que acaba sendo um pequeno curativo numa grande ferida. O fato é que há um contingente de profissionais que aceitam as condições de trabalho proposta pelo Estado.

Caro e raro leitor, trabalho no Estado como categoria ‘O’ há 20 anos, quase o mesmo tempo em que o PSDB está no governo. É preciso construir uma alternativa para a nossa classe independentemente da categoria danosa em que somos categorizados pelo Estado. Isso pressupõe luta, engajamento e formação de consciência política, a meu ver, o aspecto mais desafiador.

Márcia Rios, professora da rede estadual de São Paulo